A quem dar ouvidos na hora de decidir a profissão?

Ao chegar o fim da “vida escolar”, as responsabilidades surgem e percebe-se que a independência vai muito além de chegar em casa na hora que quer. É a hora de decidir que lugar ocupará no mercado de trabalho. Quem pode ajudar?

Por: Aline Lopes, Dominicky Benica, Guilherme Ferrari, Isabela Zardi, Janaína Soares e Thayane Di Paula

Quando crianças, sempre perguntam: “o que você quer ser quando crescer?” (galeria). Mas ao chegar o sonhado fim da “vida escolar”, as responsabilidades surgem e percebe-se que a independência vai muito além de chegar em casa na hora que quer. É a hora de decidir que lugar ocupará no mercado de trabalho, ou seja, escolher a profissão que deseja fazer carreira.

Aos 17 anos, muitos adolescentes se sentem ansiosos e confusos sobre o seu futuro, por causa das inúmeras possibilidades que o mercado de trabalho oferece, da influência dos professores, como mostra o áudio, e influência dos pais.

Então surgem os testes vocacionais, que visam traçar o perfil de cada pessoa e indicar a profissão que melhor se encaixa.

Reinaldo Del Trejo, 22, fez acompanhamento profissional com uma psicóloga e juntos chegaram a conclusão de que sua vocação era na área de Humanas, especificamente Jornalismo e História. Porém, optou por Veterinária influenciado indiretamente pelo pai que trabalha ramo de agropecuária. Menos de um ano, desistiu do curso e foi estudar Jornalismo e hoje diz que está “muito feliz com a escolha”.

Viviane Ribas é estudante de Química na Unoeste e fez o teste vocacional online. “Sempre fui boa com números e nunca gostei muito de ler”. Os resultados apontavam para Matemática a maioria das vezes, e, apesar de não escolher esse curso, ajudou a ter certeza de que sua aptidão era na área de exatas.

Já Nathália Moraes fez dois anos de Psicologia, pois os testes vocacionais apontavam para essa área, mas logo no começo do curso percebeu que não se identificava. Então trancou a matrícula e começou Publicidade, e hoje está muito satisfeita com sua escolha.

Segundo o Conselho Federal de Psicologia (CFP), é necessário um acompanhamento profissional, pois os testes são apenas um dos instrumentos utilizados para traçar o perfil do aluno.

A psicóloga Cintia Elias explica que “com o psicólogo, o estudante realiza vários encontros em que fala de si mesmo, de sua história, da relação com os pais e da profissão que pretende seguir. Os testes não levam em consideração o pessoal de cada um, é preciso alguém pra interpretar e dar uma devolutiva pra ele”.

A psicóloga ainda ressalta a importância da orientação que ajuda o indivíduo a descobrir o que realmente deseja ou se o que deseja é para agradar os pais, ou por causa do histórico de uma profissão na família, como retratado no vídeo. “O psicólogo vai investigar se aquela escolha do adolescente realmente é dele e se tem potencialidades para aquela profissão”.

As orientações podem ocorrer de maneiras diferentes, pois varia de acordo com cada profissional e também da finalidade com que se contratou seu serviço. “Quando a escola contrata o psicólogo, por exemplo, é necessária uma orientação mais encurtada e menos individualizada”, comenta Cintia. Quando o aluno procura uma clínica, pode ir de cinco a 15 sessões, dependendo das dúvidas que enfrenta e de suas necessidades.

Mesmo com o acompanhamento psicológico, Aline Oliveira não se identificou com a profissão recomendada, que era voltado para a área de humanas. Atualmente cursa o terceiro ano de Engenharia Civil e se diz realizada com essa escolha.

Cintia explica que a decisão da pessoa em seguir a profissão recomendada envolve muitas questões. “Às vezes, o aluno entra em conflito com o que gosta, com o que o pai quer ou com o que dá dinheiro, e até mesmo o mercado de trabalho influencia, pois há casos em que uma pessoa se forma em um curso, mas exerce uma profissão diferente, pois foi oferecido a ela outras oportunidades”.

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