Sonho universitário é realizado mesmo com limitações físicas

Você vai conhecer os trâmites para o vestibular, um áudio 3D com os passos de uma aluna cega até sua sala de aula, uma galeria que mostra um médico com paralisia cerebral e um vídeo em que os repórteres experimentam como é viver com limitações.

Por: Danúbia Leite, Nayrine Oliva, Silvio Oliveira e Victor Jorge

Quando uma pessoa com deficiência decide prestar vestibular e entrar para a universidade, os desafios, a partir de então, não se limitam somente a ela. Os professores, coordenadores e toda uma equipe de profissionais se mobilizam para atender às necessidades desse aluno.

Na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), no momento em que o candidato preenche a ficha de inscrição para o vestibular, ele indica o software que precisa para realizar a prova e se há também a necessidade de um intérprete de libras.

Segundo Regina Silingovschi, coordenadora da Rede de Bibliotecas da Unoeste e integrante do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI), a partir do momento em que algum aluno com deficiência entra na Unoeste, já se iniciam ações para facilitar o aprendizado. “Rampas de acesso, banheiros adaptados, leitor de telas nos computadores do centro de multimídia das bibliotecas e na consulta ao acervo e intérprete de libras na sala de aula já fazem parte desta realidade”, conta. De acordo com a assessoria de imprensa da Unoeste, um relatório referente ao primeiro semestre de 2015, gerado por meio de pesquisa não obrigatória, consta que 84 alunos da Universidade se autodeclaram com alguma deficiência.

Para a coordenadora do curso de Comunicação Social, Carolina Costa Mancuzo, um novo desafio relacionado à inclusão e acessibilidade foi lançado neste semestre. É a primeira vez que uma aluna cega estuda na Faculdade de Comunicação Social de Presidente Prudente (Facopp). “Nós soubemos da entrada dela no primeiro dia de aula e o próprio pai foi quem me deu orientações, mas nós também entraremos em contato com a Associação dos Cegos para que eles nos aconselhem em como agir”, explica a coordenadora.

Como o curso conta com disciplinas variadas, a preocupação inicial é com as que envolvem a utilização de imagens, como a de Fotografia já no primeiro termo.  A professora da disciplina, Maria Luisa Hoffman, conta que já conversou com a aluna e que sempre manda as aulas antes, para que ela ouça e caso precise, conte com a ajuda de algum familiar para descrever as imagens. “Na aula eu faço essa descrição mais detalhada, só tenho que ter cuidado para não deixar a aula chata para os outros alunos”.

Mas para quem pensa que, por ter uma deficiência, a aluna receberá regalias, a professora adverte: “Existem vários fotógrafos cegos, pode ser que às vezes as fotos dela não fiquem boas, mas eu quero ver o esforço dela. A ideia de inclusão é justamente essa, não posso privilegiá-la, senão, não é inclusão”.

Outro professor que tem vivenciado este desafio é Rogerio do Amaral, também do curso de Jornalismo. “É a minha primeira experiência neste sentido e será uma oportunidade para que eu possa superar as minhas deficiências”.

Diferente de Fotografia, as aulas do professor Rogério são em sua grande maioria expositivas. “A única diferenciação é enfatizar mais os exemplos dados e sempre conversar com ela para saber se está conseguindo acompanhar a aula”.

O professor chama a atenção para a maneira como os outros alunos se relacionam com ela. “É perceptível como a sala a abraçou. Existe, lógico, os mais próximos, mas todos colaboram com a colega”.

Um desses amigos próximos é o estudante Guilherme Napoleão, que além de uma lição de vida, vê em Isabela um exemplo de superação. “Com ela eu aprendi a não desistir de um sonho, por mais que apareçam barreiras, nunca desistir”, reflete.

Mas não é só no Curso de Comunicação Social que a entrada de alunos com deficiência propõe desafios. Igor Costa Palo Mello, doutorando em Psicologia e Sociedade e professor do curso de Psicologia da Unoeste, conta que a maioria de seus alunos que possuem algum tipo de deficiência, estão relacionados com a visual ou a locomoção. “Mas não é porque a pessoa tem uma deficiência que ela está impedida de aprender e se formar”. Para ele, as limitações muitas vezes são colocadas pela própria sociedade e muita gente fica surpresa com a capacidade que estas pessoas tem.

Com relação aos métodos de ensino, Igor conta que o convívio é necessário para o professor saber lidar com alunos deficientes. “É só no contato que a gente aprende como as pessoas são”.

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