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Mestrado em Meio Ambiente recebe estudante de Moçambique

Interesse pela pós-graduação da Unoeste surgiu a partir de site com ranking das melhores universidades do Brasil


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Foto: João Paulo Barbosa Mestrado em Meio Ambiente recebe estudante de Moçambique
António Chigogoro Titosse escolheu a Unoeste por ser uma das melhores do Brasil

O moçambicano António Chigogoro Titosse está entre os novos alunos regulares do Programa de Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, ofertado pela Unoeste junto à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação. Um interesse que surgiu a partir de site com o ranking das melhores universidades brasileiras. A escolha entre a Universidade do Porto, em Portugal, e a universidade em Presidente Prudente decorreu do empenho da coordenação do programa em conseguir atender a necessidade do interessado de estudar com bolsa, obtida da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação (MEC).
 
Foram dois anos para que Titosse atingisse o intento de fazer mestrado internacional em meio ambiente, num país onde a língua oficial fosse o português, a mesma de Moçambique, que fica no sudoeste do Continente Africano e que em junho de 2017 completa 42 anos de independência à opressão colonial de Portugal.  Portanto, um país novo e em processo de construção, altamente impactado pela crise econômica mundial, vivendo um período de desaceleração do crescimento econômico, com desvalorização cambial e inflação disparada. Situação que não deixou outra opção ao servidor público federal, em prosseguir seus estudos, que não fosse a obtenção de bolsa.
 
O empenho em obter o aporte financeiro da Capes foi da coordenadora do mestrado, Dra. Alba Regina Azevedo Arana, diante do interesse de ampliar as relações internacionais do programa que dirigi e também contemplar a busca institucional pela internacionalização, preconizada pelo pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão Dr. Adilson Eduardo Guelfi, em nome da Reitoria. Biólogo pela Universidade Pedagógica de Moçambique, Titosse foi professor de biologia e química em escola de ensino fundamental e médio desde que estava na faculdade e depois de formado lecionou em escola de ensino superior as disciplinas de poluição da água, fisiologia vegetal e animal e ecologia.
 
Nascido na província de Sofala, na cidade da Beira, e radicado na capital Maputo, seu interesse pelo Brasil surgiu em 2013, quando fez intercâmbio de 30 dias em São Paulo, no Hospital Sírio Libanês, na condição de funcionário de uma empresa privada e servidor do Ministério da Saúde, onde atua como técnico na área de hotelaria hospitalar, que compreende cuidados com alimentação, roupas e resíduos sólidos. Na ocasião também esteve quatro dias no Rio de Janeiro. Encantou-se com o povo brasileiro, pela hospitalidade; mas especialmente com os que vivem em São Paulo. Daí, seu interesse por uma boa universidade paulista e, neste quesito, elegeu a Unoeste.
 
Chegou a Prudente na quinta-feira (2) pós-carnaval e em menos de uma semana já se sente familiarizado, estudando e inicialmente hospedado no hotel escola da universidade, no campus II. “Li bastante sobre a Unoeste e pude imaginar sua dimensão. Então, tinha uma imaginação através da leitura. Agora, estando cá, estou bastante surpreendido, pelo lado positivo. A universidade possui ampla estrutura; o complexo 2 [campus II] é bastante extenso, maior que as universidades do meu país; o contato com as pessoas tem sido muito bom, especialmente os funcionários; já estou convivendo com os professores que são top, com excelentes titulações e que atuam em diferentes áreas de pesquisa”, comenta.
 
O encantamento de Titosse é imenso, não pelo deslumbramento e sim pela realidade dos fatos, tanto é que está determinado a ser o intermediário de intercâmbio de pesquisa entre a Unoeste e universidades de seu país. Licenciado de seu emprego no governo, o prazo do mestrado é de dois anos, mas sua meta é tentar terminar um pouco antes, para poder retornar, pois não se vê em condições financeiras de viajar ao seu país antes de obter a titulação de mestre, com preço da passagem aérea em torno de R$5 mil. Em sua pesquisa, inicialmente, pretendia desenvolver um estudo de caso no Hospital de Maputo, que é o maior de seu país.
 
Para fazer a pesquisa lá, teria que eliminar as disciplinas aqui. Terminada a pesquisa em Maputo, voltaria a Prudente para fazer a defesa de sua dissertação. Em razão dos gastos, pensa em fazer o estudo completo por aqui, voltado à análise de lixo hospitalar como subsídio ao planejamento em gestão ambiental. A mesma proposta que defendeu ao participar do processo seletivo para ingressar como aluno regular do programa, avaliado à distância e com a apresentação do pré-projeto de pesquisa via Skype. Procedimentos feitos preliminarmente à obtenção da bolsa.
 
Conforme Titosse existem muitos moçambicanos estudando no Brasil. As bolsas são obtidas através de concursos lançados pela Embaixada do Brasil. Conta que a relação entre os dois países é muito intensa, a começar pelo fato da cultura brasileira ser imensamente consumida em Moçambique, especialmente a música que é bastante difundida, com o sucesso de momento no Brasil sendo reproduzido nas rádios de lá. Cita alguns cantores: Cristiano Araújo, Gustavo Lima e Wesley Safadão. A cantora preferida é Ivete Sangalo.
 
Embora, os moçambicanos curtam os sucessos brasileiros de momento, para várias gerações o grande ídolo é Roberto Carlos. “Eu cresci ouvindo Roberto Carlos”, comenta. Outro produto cultural de grande consumo é a teledramaturgia, acompanhada em tempo real pela Globo Internacional, assistida por quem tem poder econômico para assinar, conforme Titosse. Porém, a audiência maciça, pela classe menos abastada e que é a maioria, ocorre com a TV Record, canal local em sistema aberto e que reproduz grande parte da grade da programação gerada no Brasil. As maiores audiências são das novelas e de programa de auditório como o de Rodrigo Faro.
 
O futebol brasileiro também toca na alma do povo de Moçambique e para eles figura como ídolos Pelé, Ronaldo Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Neymar. Titosse que tem 35 anos de idade nunca viu Pelé jogar, assim como todos os de sua geração e de gerações mais novas; porém têm o ex-jogador como um símbolo. “Todos que gostam de futebol conhecem o Pelé e até quem não gosta”, diz. Outro ídolo permanente é o moçambicano Eusébio que jogou na seleção de Portugal e no Benfica, de tal forma que Titosse está entre os muitos compatriotas torcedores do clube português, embora seu clube de coração seja o Ferroviário da Beira e no Brasil a simpatia é pelo Palmeiras.
 
Órfão de pais e o mais novo de quatro irmãos, Titosse quer ir longe nos estudos. As três irmãs não tiveram a oportunidade de fazer o ensino superior. Seu irmão fez contabilidade e auditoria. Seu interesse é obter o título de doutor, com a preferência por fazer o doutorado no Brasil, país onde se sente em casa pelo clima que é muito parecido; pelo povo hospitaleiro; pela qualidade do ensino, pesquisa e extensão; pelo gosto cultural que inclui a incorporação de expressões tipicamente brasileiras no vocabulário do povo moçambicano; e pela comida, em especial o churrasco e a feijoada.

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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