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Estudo desperta atenção para doença pouco diagnosticada

Produção científica contribui para serviço implantado no HR e que causa impacto positivo na economia regional


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Foto: João Paulo Barbosa Estudo desperta atenção para doença pouco diagnosticada
Denise Pereira: autora do estudo de grande relevância para a saúde regional

Inserida no grupo de doenças raras pouco diagnosticadas, a imunodeficiência primária (IDP) em mais de seus 350 tipos está sendo estudada cientificamente em Presidente Prudente. Produção científica desenvolvida junto ao Programa de Mestrado em Ciências da Saúde, ofertado pela Unoeste, que contribui com o serviço ambulatorial implantado pelo Hospital Regional (HR) em 2014 e provoca impacto positivo na economia regional.
 
Antes, parte considerável de portadores da doença, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e moradores da área de circunscrição do Departamento Regional de Saúde (DRS-11) que abrange 45 municípios, buscava acompanhamento em outros serviços hospitalares de Botucatu, Campinas e São Paulo, com viagens mensais, geralmente custeadas pelas prefeituras. Outro aspecto é o da internação, que não precisa ser feito pelo atendimento em Prudente.
 
Os resultados do primeiro de uma série de estudos acabam de ser divulgados em banca de defesa pública da dissertação da farmacêutica bioquímica e médica Denise Helena Boton Pereira. Um trabalho também de impacto científico, conforme o coordenador do mestrado, orientador da pesquisa e responsável no HR pelo Ambulatório de Imunodeficiências/Infectologia, o médio infectologista Dr. Luiz Euribel Prestes Carneiro.
 
O estudo contribuiu ainda para o credenciamento do laboratório junto ao Grupo Brasileiro de Imunodeficiências (Bragig) e ao Grupo Latino-americano de Imunodeficiências (Lagid). Fator considerado pelo avaliador interno da dissertação, o Dr. Ricardo Beneti, como um dos grandes méritos do trabalho, em uma região que tem os serviços de saúde bem estruturados, exatamente ao contrário do que ocorre em diversas regiões do Brasil.
 
Foto: João Paulo Barbosa Denise com o Dr. Carneiro e os avaliadores doutores Beneti e Moliterno
Denise com o Dr. Carneiro e os avaliadores doutores Beneti e Moliterno
Para o avaliador externo, Dr. Ricardo Alberto Moliterno, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), o estudo é um ganho para a população do oeste paulista. Denise fez análise de prontuários de 97 pacientes atendidos entre janeiro de 2014 e agosto de 2018, no laboratório do HR. Também realizou a busca ativa de possíveis portadores da doença, com visitas semanais aos pacientes internados na unidade de terapia intensiva (UTI) pediátrica deste mesmo hospital.
 
O foco foi diagnosticar a doença, o que tem sido um desafio para os médicos, inclusive pela escassez de literatura científica.  São vários os fatores de identificação, entre os quais estão o acometimento por duas ou mais pneumonia no último ano; oito ou mais novas infecções no ouvido no último ano; e infeções intestinais de repetição (diarreia crônica); sendo os diagnósticos classificados em oito categorias, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
 
Dentre outros fatores, foi possível identificar que a maior incidência da doença ocorre por infecção das vias aéreas superiores (Ivas) e dentre as características demográficas o maior número de pacientes é constituído pela faixa etária de primeira década de vida. No caso da análise de prontuário, foram 48,20% até dez anos de idade, e 12,50% até os 20 anos. Na busca ativa, 60% dos portadores da doença tinham de um a dez anos de idade.
 
O diagnóstico precoce pela busca ativa representa intervenção rápida, permite a atuação de equipe multidisciplinar no tratamento e educação continuada, impacto positivo na qualidade de vida, menor taxa de internação hospitalar por infecções e menor uso de antimicrobianos, e menor prevalência de comorbidades (duas ou mais doenças simultaneamente) e outras infecções. Em relação aos pacientes ambulatoriais, com diagnóstico tardio, tudo fica mais complicado.
 
O estudo de Denise contribui para o banco de dados em rede de cooperação voltada para ajudar no diagnóstico da doença, o qual terá continuidade em pesquisa a ser feita pela pediatra anestesista que trabalha na UTI pediátrica do HR, Giovana Pelizari, também desenvolvida no mestrado em Ciências da Saúde. A defesa pública da dissertação de Denise foi duplamente comemorada.
 
Uma comemoração pela qualidade do trabalho e outra por ser o primeiro estudo levado à defesa pública do mestrado implantado em 2017. “É um dia histórico, não só para o programa, mas institucionalmente para a Unoeste”, disse o Dr. Carneiro na abertura da sessão e reafirmou durante a realização dos trabalhos da banca examinadora. Fato também evidenciado pelos dois avaliadores: doutores Beneti e Moliterno.

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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