Empresas estão obcecadas com digital
Empresas correm para estar no digital — mas esquecem de algo básico: quem está do outro lado da tela. Nos últimos anos, vimos uma explosão de conteúdo, automação, inteligência artificial e presença on-line. Só no Brasil, cerca de 70% das empresas aumentaram o investimento em digital (Fonte: Deloitte). Porém, outro dado revela o paradoxo: 81% dos consumidores abandonam uma marca após uma experiência ruim (PwC).
Ou seja: o marketing está mais visível, mas menos eficaz. Tem muito negócio preocupado com o post perfeito — e pouco disposto a resolver falhas reais da jornada do cliente. Nos feeds, a empresa parece moderna. No atendimento, parece dos anos 90.
Quando o “like” vale mais do que o atendimento. Faça um teste simples: Envie mensagem a 10 empresas locais no WhatsApp ou Instagram. Quantas respondem rápido? Quantas entendem sua necessidade antes de tentar vender?
Pesquisa da HubSpot mostra que a maioria das mensagens comerciais no Brasil leva mais de 12 horas para ser respondida. No mundo real, isso significa clientes indo para concorrentes — silenciosamente.
O consumidor mudou — mas o discurso empresarial não acompanhou. Hoje, o cliente quer: conveniência; personalização e ser ouvido. Mas as empresas seguem focadas em presença — e não em experiência. A prova está nos números: enquanto locações e engajamentos crescem, apenas 30% dos clientes afirmam se sentir realmente valorizados pelas marcas (Accenture).
A pergunta que ninguém quer fazer. Se sua empresa ficasse 30 dias sem postar nada, seus clientes sentiriam falta? Essa resposta revela se você tem audiência — ou só seguidores.
O futuro do marketing não é mais digital — é relacional. Tecnologia amplifica. Mas só relacionamento transforma. Negócios que prosperarão são aqueles que entendem que: post não substitui processo; engajamento não é fidelidade e visibilidade sem entrega é só barulho.
Enquanto muitos correm atrás de algoritmos, os mais inteligentes correm atrás de satisfação. O mercado não está saturado de conteúdo. Está saturado de promessas vazias. O cliente não quer ser impactado — quer ser atendido. Não quer mais propaganda — quer mais verdade.
E o mais curioso? Saber isso ainda é vantagem competitiva, porque poucos estão fazendo.
Priscila Guidini é estrategista de marketing, docente da Escola de Comunicação e Estratégias Digitais da Unoeste e consultora de negócios.