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Um abril mais azul

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Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Abril Azul surgiu em 2007 para conscientizar sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), sendo o dia 2 de abril o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. Neste ano de 2026, esta data tem um sabor diferente para mim.

Recentemente, fui diagnosticada com Autismo Nível 1 de Suporte e uma das primeiras frases que eu ouvi quando contei para um grupo de amigos foi: "Agora, todo mundo é autista!". De fato, no começo desta década, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou que uma em cada 127 pessoas eram diagnosticadas com o TEA. No nosso último Censo Demográfico (2022), 2,4 milhões de brasileiros eram autistas. Mas o que isso muda?

Desde 2015, no Brasil, somos reconhecidos como pessoas com deficiência (PCD), ou seja, foi admitido que possuímos impedimentos físicos, mentais, intelectuais ou sensoriais persistentes que dificultam a participação plena na sociedade em condições iguais.

O TEA se inclui nessa definição como deficiência intelectual ou transtorno global do desenvolvimento, impactando em aspectos como comunicação, interação social e comportamentos, independente do nível de suporte (1, 2 ou 3), pois, até mesmo nos casos mais leves, há alguma interferência na rotina diária.

Os primeiros sinais surgem na infância: dificuldades sociais, foco em detalhes, sensibilidade sensorial. No meu caso, eles foram muito sutis e o famoso termo (camuflagem social) tomava conta das minhas interações. Apesar de eu ter confrontado essas dificuldades (e faço isso até hoje), algumas pessoas têm necessidades vitalícias de suporte e, por isso, quanto mais cedo for o diagnóstico, por menos sofrimento o autista passará.

As pessoas com o TEA sofrem, principalmente, com a sobrecarga sensorial (onde sons e luzes comuns podem causar dor física) e com a profunda frustração na comunicação, ao não conseguirem expressar suas necessidades ou sentimentos. Além disso, podem enfrentar uma ansiedade paralisante diante de mudanças na rotina e o desgaste emocional do isolamento social ou do esforço exaustivo para se "encaixarem" em padrões comportamentais, o que frequentemente resulta em crises de exaustão mental.

Apesar do diagnóstico tardio, posso dizer que, recebê-lo, trouxe a mim um alívio emocional e esclareceu questões sobre as minhas hipersensibilidades a sons altos, luzes piscantes e paladar “chato de agradar” – como dizem. Fora outros temas mais profundos sobre pertencimento que ainda estou aprendendo a interpretar. Motivada por isso, iniciei recentemente uma pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional para poder apoiar a minha jornada e a de outros autistas e suas famílias.

E se você se identificou com essas características – ou as reconhece em alguém – aconselho a procura de um neuropsicólogo, psiquiatra ou neurologista (o cérebro do autista é literalmente diferente). Espero que este texto tenha trazido um pouco de conscientização para o seu dia e, caso queira se aprofundar mais no assunto, recomendo o livro da Temple Grandin: O cérebro autista.

Beatriz de Mello Massimino Rotta é doutoranda em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, mestre em Recursos Hídricos e Tecnologias Ambientais, engenheira civil, pedagoga e professora na Unoeste.

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