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Inteligência Emocional integra currículo de informática

Disciplina, trabalhada de maneira experimental desde 2016, têm tido boa aceitação por parte dos alunos, e foi introduzida na matriz curricular em 2019


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Foto: Erika Foglia Inteligência Emocional integra currículo de informática
Alunos do 1º termo do curso de Ciência da Computação durante aula da professora Ana Paula Fabrin


“Sempre acreditei na psicologia como algo que deve ser valorizado no âmbito da prevenção e não apenas nos tratamentos”. Com este pensamento, a psicóloga do Serviço Universitário de Apoio Psicopedagógico da Unoeste (SUAPp) e docente da instituição, Ana Paula Fabrin, desenvolveu a disciplina Inteligência Emocional para os cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação da Faculdade de Informática de Presidente Prudente (Fipp). Como trabalho experimental desde 2016, o assunto passou a integrar oficialmente a matriz curricular dos cursos neste primeiro semestre de 2019.
 
De acordo com Ana Paula, a ideia de trabalhar a inteligência emocional no ensino superior aconteceu quando ela ainda era estudante de psicologia e realizava estágios na área. “Eu transformava os treinamentos e conhecimentos em palestras em semanas acadêmicos da Fipp e todas lotavam de alunos a ponto de ter mais de 200 inscritos em um evento de 60 vagas. Isso há uns 5 ou 6 anos”, conta.
 
Ela revela ainda que é um sonho pessoal que a inteligência emocional seja trabalhada desde cedo, em escolas infantis, de ensino fundamental e médio, além de ser colocada de forma oficial em todas as grades curriculares nas graduações. “Enquanto isso não acontece, tentei fazer um treinamento com os alunos da Fipp, na Unoeste. Tive muito apoio da coordenação e atualmente já tenho bons resultados em relação aos estudantes”, diz.
 
Prejuízo na adaptação do aluno no ambiente universitário; favorecimento do adoecimento psíquico, físico e emocional; solidão, abandono, sentimentos de rejeição; diminuição do desempenho escolar e evasão, são problemas que podem acontecer com esse público se a inteligência emocional não estiver bem trabalhada internamente, segundo a professora. “A sociedade está adoecendo psiquicamente e, tanto a tecnologia, como redes sociais e internet, têm contribuído para esse adoecimento, como também as relações interpessoais estão cada vez mais frágeis”.
 
Atuando nessa disciplina desde 2016, Ana Paula salienta que os ganhos já são perceptíveis e têm sido significativos. “Percebemos uma maior adaptabilidade dos alunos no curso universitário; maior procura pelas monitorias e apoio nos estudos; maior tentativa de continuar o curso e superar as dificuldades acadêmicas; maior procura pelos serviços do SUAPp, consequência surpreendente e espontânea dos alunos; além de maiores habilidades em resolução de problemas, resolução de conflitos interpessoais do qual não se limitou à área acadêmica, mas também houve ganhos em outras áreas de vida dos estudantes, como a familiar, afetiva, social, de trabalho, saúde, entre outras”, comenta.
 
Dentre os assuntos trabalhados na disciplina e que fazem parte da construção de habilidades integrantes da inteligência emocional estão: Reconhecimento de expressões faciais e linguagem não verbal; reconhecimento de emoções; treino de empatia; treino de resolução de problemas; de conflitos interpessoais; de habilidades de comunicação; de assertividade, o aprender a falar “não”; e psicoedução em temas considerados tabus ou polêmicos como sexualidade, drogas, transtornos de aprendizagem, etc.
 
“Tem sido um sucesso total essa experiência, tanto nas próprias intervenções, quanto no pioneirismo dessas ações em ambiente universitário, pois nunca vi isso em instituições de ensino superior. Existem trabalhos científicos alegando a importância desses conhecimentos, mas até o momento não soube de alguém que estivesse fazendo algo de forma tão prática, no sentido de capacitação como o que temos feito na área de informática da Unoeste”, afirma.
 
Para Brenner Barros Baciga, estudante do 2º termo de Sistemas de Informação, que concluiu a disciplina no último semestre, as habilidades adquiridas com as aulas mudaram seu conceito e comportamento principalmente em relação à empatia e assertividade. “Aprendi a dizer ‘não’ para algumas coisas que eu não queria fazer, pelo simples fato de não magoar as pessoas. Também vejo que tenho tido mais empatia nas relações e solucionar conflitos tem sido mais fácil, já vejo certas discussões de maneira diferente. Por mim, a disciplina de Inteligência Emocional poderia se estender por mais semestres, pois pessoalmente, gostaria de me aprofundar ainda mais em alguns assuntos”, conta.
 
Foto: Erika Foglia Charles Magalhães revela que em apenas três meses participando das aulas já consegue se perceber diferente em algumas ações
Charles Magalhães revela que em apenas três meses participando das aulas já consegue se perceber diferente em algumas ações

Já para Charles Magalhães, do 1º termo do curso de Ciência da Computação, que está tendo contato com a disciplina pela primeira vez, agora de maneira oficial na grade curricular, em apenas três meses de aula ele já percebeu em si mesmo uma melhora principalmente na resolução de problemas pessoais. “Além de conseguir organizar meus pensamentos de maneira mais eficaz, percebi que o mercado de trabalho exigirá de mim uma postura diferente em cada situação. Acredito que qualquer área necessita desse preparo emocional que estamos tendo, se a disciplina fosse inserida em todas as graduações, os futuros profissionais teriam muito a ganhar. Está sendo esclarecedor para minha vida”.

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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