Engenheiro agrônomo de Moçambique faz mestrado na Unoeste
É o 3º africano nos últimos oito anos em pós-graduação que é presencial, sendo os dois primeiros na área da educação
Funcionário público do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), o engenheiro agrônomo Jorge Moreira Camacho é recebido como aluno regular de mestrado do Programa de Pós-graduação em Agronomia, na Unoeste.
São mais de dois meses em Presidente Prudente, onde chegou em 28 agosto e com prazo de dois anos para concluir os estudos com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação do Brasil.
Jorge é o terceiro africano a fazer pós-graduação stricto sensu nessa condição de bolsista, sendo que o 1º foi António Chigororo Titosse, que chegou no final de 2017. Em 2024, chegou Euclides Taquidir Gussule.
A vinculação de Jorge é no Programa de Pós-graduação em Agronomia (PPGA). O funcionário público da saúde António fez mestrado no Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE), onde o professor universitário Euclides, está fazendo doutorado.
Novas variedades e tecnologias
Os estudos de Jorge, que no momento cumpre créditos das disciplinas, estão canalizados em pesquisa sobre novas variedades e novas tecnologias, devendo definir se será com tomate ou batata-doce; culturas de grande produção no seu país.
Fora das disciplinas, geralmente em salas de aula, o mestrando conta que tem feito alguns trabalhos em laboratórios, citando os de solo e genética molecular; diante do que avalia a estrutura da Unoeste como muito boa.
Na visão de quem vem de fora, Jorge manifesta-se impressionado com a limpeza em todos os setores da universidade; com os bebedouros de água em todos os corredores; e com a climatização de todos ambientes.
Por ser negro, se sentiu impactado com a expressiva maioria de estudantes brancos. Mas, foi uma questão de primeiro momento. Teve rápida ambientação, inclusive pelo fato de ter sido muito bem recebido.
Música e futebol do Brasil
Até se interessar pelo edital de bolsa Capes, pouco sabia sobre o Brasil e absolutamente nada sobre Presidente Prudente e nem da Unoeste. Tinha conhecimento do Brasil através de cantores e jogadores de futebol.
Cita os cantores Roberto Carlos, Alcione, Zeca Pagodinho e Bezerra da Silva com “malandro é malandro; mané é mané”. Dentre os sucessos de Roberto Carlos, tem na memória a música “Esse cara sou eu”, como tema da telenovela Salve Jorge.
Em relação ao futebol, sabe sobre Flamengo, Corinthians e Palmeiras; e sobre os jogadores Neymar e Vini Jr “destacados neste momento”, mas lembra de Pelé, Ronaldo e Ronaldinho.
Através da mídia, o povo de Moçambique é impactado pela criminalidade no Brasil. Para Jorge a cidade de Presidente Prudente é o inverso daquilo que ouvia falar sobre violência. “É uma cidade muito tranquila”, diz.
Clima tropical e planície
O que vê de comum nos dois países é o clima tropical, mas afirma que lá é ainda mais quente. “Lá é úmido e aqui é seco”, pontua. A capital Maputo, onde mora, é plana; e ficou admirado com a topografia irregular de Prudente.
Em seu país, Jorge trabalhou no ramo hoteleiro como cozinheiro e conta que o prato principal é o frango a zambeziana. O prato básico é arroz com verduras, incluindo folha de abóbora.
A sua graduação foi no Instituto Superior Politécnico de Gaza (ISPG). Sua esposa Telma Serafina Camacho é formada em gestão de empresas e trabalha no Ministério do Interior. Têm três filhos: os meninos Wesley (14) e Tayler (5) e a bebê Asheley.
A vocação pela agronomia surgiu dos avós produtores rurais, que cultivam um pouco de tudo, mas o foco maior é nas produções de milho e de mandioca. Jorge tem dez irmãos, sendo sete da mesma mãe.
Seus estudos na Unoeste ocorrem com a orientação do professor doutor Edgard Henrique Costa Silva, coordenador do PPGA. Em sua chegada a Prudente, Jorge foi recepcionado pela doutoranda do mesmo programa, Carolina Cabral.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste