Agripino Lima: a memória de quem teve a vida marcada por ele
Histórias pessoais destacam o impacto da dedicação à educação, seu perfil visionário e os atos que simbolizam seu compromisso com quem esteve ao seu lado; se estivesse vivo, o “professor” completaria 94 anos

O dia 31 de agosto é uma data que carrega muitas lembranças e sentimentos para quem conviveu com Agripino de Oliveira Lima (1931 - 2018). O professor Agripino, que completaria 94 anos se estivesse vivo, não só foi a maior figura pública do oeste paulista, como também ajudou a transformar a vida de pessoas que guardam na memória as atitudes, a personalidade forte e o espírito inovador – de quem “vê as possibilidades onde muitos ainda não viam”.
Professor, diretor de escola, vendedor, homem de fé, vereador, deputado estadual, deputado federal, vice-prefeito, prefeito de Presidente Prudente... Foram muitos feitos na vida pública, mas também grandes ações que nunca foram divulgadas.
“Era um homem de visão”
Dos quase 53 anos na Unoeste, o encarregado de obras Gentil Perciliano de Azevedo faz parte de 50 deles. Ele começou a trabalhar no dia 17 de agosto de 1975, em um período de muito desenvolvimento da estrutura que hoje é oferecida em Presidente Prudente. Nessa época, eram bastantes frentes de trabalho, mas em todas, havia o olhar atento de Agripino.
“Ele via quem trabalhava e quem não trabalhava, e já estava sempre pensando à frente. Dizia: ‘e amanhã? O que vamos fazer?’. Sempre foi muito ativo, participando de tudo. Nós fomos nos acostumando e entendendo essa visão”, explica Gentil.
Um homem firme, mas de grande coração. Gentil explica que além das oportunidades de trabalho que proporcionou para muita gente, Agripino sempre pensava no bem-estar do funcionário.
“Ele tinha muito cuidado e carinho com a família dos colaboradores. Ele dizia: ‘nasci pobre, não tinha um tostão no bolso, e quando eu morrer, não vou levar nada!’. Por isso, ajudava todo mundo. O coração dele era fora do comum”, afirma.
Em meio às obras, Gentil e Agripino conversavam bastante. O encarregado de obras até se emociona ao lembrar dos momentos em que estiveram juntos, envolvidos em diversos projetos dentro e fora do ambiente da universidade.
“Nós comprávamos pedra e como os preços estavam subindo, eu e ele fomos até Cachoeira do Itapemirim (SP), onde ele conseguiu negociar e pagar menos. No que ele pagava R$ 100, passou a pagar R$ 45. Ele tinha essa visão. Isso aqui tudo, na Unoeste, já estava na cabeça dele”, relembra.
Outro legado de Agripino é no campo religioso. Um dos exemplos é a Capela de São Cristóvão, no Jardim das Rosas. Gentil sabe bem como essa história começou.
“Um dia pedimos ajuda a ele para uma rifa. Queríamos uma televisão para fazer o sorteio e o dinheiro arrecadado seria para fazer uma capela, para as crianças fazerem catequese. Ele falou que ia ajudar, mas depois disse que não ia dar a televisão, mas sim a capela construída. Aquilo foi uma revolução! Ele fazia as coisas de forma diferenciada”.
Ele também destaca que o apoio de dona Ana também foi fundamental para que muitos planos de Agripino se tornassem realidade. Os dois, juntos, mudaram as vidas de muitas famílias, como a de Gentil.
“Aqui criei meus filhos, meus netos. Sempre fui tratado com o maior carinho. Tenho uma gratidão imensurável. Ele não era como um patrão, era como um amigo”,
“Sempre ajudando”
Adilson José Ferreira é auxiliar de reitoria, mas em sua vida, Agripino foi família. Ao longo dos anos, viu as transformações proporcionadas pelas iniciativas dele.
“Ele fazia várias frentes: na parte da igreja, na educação, na área social. Tudo o que o povo precisava, ele já fazia, mesmo sem ter a faculdade. Ajudava muitas pessoas. Depois que a faculdade veio, isso ficou mais forte ainda. Ele continuou ajudando”, conta.
Um dos diferencias de Agripino era sempre estar aberto a receber as pessoas. “Nunca deixava ninguém sem nada. Se chegasse alguém, já mandava sentar, comer, mesmo sem conhecer. Ele gostava disso, era a vida dele”, lembra.
“Está vivo em cada história”
“Eu lembro bem do senhor Agripino. Quando eu trabalhava na cantina, ele sempre passava, cumprimentava, conversava. Nunca deixava de dar “bom dia”. Como dono, era especial”, explica Maria Ferreira dos Santos Silva, que trabalha na Unoeste há 45 anos.
Hoje atuando como servente na parte da lavanderia, ela passou por muitas transformações ao longo desse período na universidade – e muitas de suas conquistas tinham a intervenção do chanceler da universidade (in memorian).
“Devo muito a ele. Um dos meus filhos se formou em Pedagogia pela Unoeste, com bolsa que ele deu. Eu mesma também estudei Pedagogia, sem pagar nada. Minha nora entrou no curso de Direito, também com bolsa concedida por ele. Além disso, ele deu bolsa até para minha irmã, que nem era funcionária. Ela se formou em Farmácia graças a isso”, relembra.
O que não falta na história de Agripino é iniciativa – e em muitos casos, ele ajudava em questões que iam além das dependências dos campi. “Ele sempre ajudou. Quando fui construir minha casa, ele rasgou a planta antiga e mandou fazer uma nova com engenheiro da faculdade. Era assim: direto, prático, generoso”, conta Maria.
Uma presença transformadora na vida de muita gente. “Se pudesse pedir algo hoje, seria que Deus o trouxesse de volta. Porque para mim, ele não morreu: está vivo em cada história, em cada conquista. Tudo isso aqui [na Unoeste] tem um pouco dele”, finaliza.
Legado
Agripino de Oliveira Lima Filho deixou um legado marcante em Presidente Prudente, dedicando-se por muitos anos à educação e à vida pública, sempre com o lema “o trabalho tudo vence”.
Na Unoeste, sua trajetória começou em 1972, com a criação da Faculdade de Ciências, Letras e Educação de Presidente Prudente (Faclepp), mantida pela Apec. Esse foi o primeiro passo para que, anos depois, ela se tornasse a Universidade do Oeste Paulista, oficializada pela Portaria Ministerial nº 83, de 12 de fevereiro de 1987. O professor Agripino foi o grande idealizador, juntamente com um grupo de professores, que incluía também a Dona Ana.
Hoje, ele estaria orgulhoso do que a Unoeste se tornou: a melhor universidade particular do Estado de São Paulo e terceira melhor do país, segundo IGC/MEC; mais de 128 mil profissionais formados e cursos nas modalidades presencial e EAD, além de mestrados e doutorados reconhecidos e recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC).
O sonho extrapolou Prudente: a Unoeste chegou à Jaú e Guarujá, onde tem campi, os quais Agripino ainda em vida, acompanhou os projetos de implantação na época iniciando em áreas anexas aos hospitais desses municípios. A universidade ainda tem mais de 100 polos de apoio no Brasil e em países como Japão e Estados Unidos.
História registrada
A história da Unoeste e de Agripino Lima sempre atraiu as câmeras – e isso gerou registros marcantes. Parte deles está em uma série de quadros com fotografias no campus 1. Momentos como a visita de figuras públicas relevantes no cenário nacional, a inauguração de cursos e de laboratórios inovadores à época e encontros que marcaram a história de Presidente Prudente.
Nas fotos, figuras como o Bispo Dom Agostinho, Jânio Quadros e Michel Temer. Ainda é possível conferir registros das primeiras atividades do curso de Medicina em Presidente Prudente, em 1988, e da inauguração do Hospital Universitário, agora Regional de Presidente Prudente (outro feito de Agripino, que mudou o panorama da saúde pública de todo o oeste paulista), em 1997.
Os quadros estão distribuídos pelos corredores do bloco A, o mesmo que tem as estátuas de Agripino e Dona Ana à frente. Símbolos de uma história que ainda vibra e reverbera na vida de milhares de pessoas. Um legado que continua vivo, crescendo e transformando a sociedade.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste