Atividade física amplia qualidade de vida na esclerose
Debate promovido na Unoeste Guarujá aprofunda diagnóstico, impacto emocional e a importância da atividade física
A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica que atinge o sistema nervoso central e afeta principalmente adultos jovens. Embora ainda não tenha cura, o avanço do tratamento e a adoção de hábitos como a prática regular de atividade física têm mostrado impacto direto na evolução clínica e na qualidade de vida dos pacientes.
O tema foi aprofundado em debate promovido no curso de Medicina da Unoeste Guarujá, durante o Projeto MedCine, que utilizou o filme 100 Metros como ponto de partida para discutir diagnóstico, progressão da doença, impacto emocional e adesão ao tratamento.
Inspirado em uma história real, o longa acompanha um homem que, ao receber o diagnóstico, ouve que poderá perder a capacidade de andar. A narrativa expõe os limites físicos impostos pela doença, mas também abre espaço para discutir ciência, superação e autonomia.
Movimento pode modificar o curso da doença
De acordo com a professora de Medicina, a médica neurologista Beatriz Medeiros, um dos principais pontos destacados no debate foi o impacto da atividade física no tratamento da esclerose múltipla.
“A atividade física modifica o curso da doença”, afirma Beatriz. Segundo ela, o estímulo corporal funciona de maneira semelhante à fisioterapia, ativando áreas lesionadas e estimulando funções como propriocepção, tato, controle motor e percepção de temperatura.
Apesar da existência de diferentes medicamentos que auxiliam no controle da doença, o enfrentamento vai além do tratamento farmacológico.
“Estamos falando de pacientes jovens, com o cognitivo preservado, que recebem a notícia de que podem deixar de andar ou perder sensibilidade. O impacto emocional é muito grande. O exercício ajuda não só fisicamente, mas psicologicamente”.
Ela reforça que, em alguns casos, há possibilidade de reversão de sintomas. A história real retratada no filme demonstra que, mesmo com novos surtos ao longo da vida, é possível manter qualidade de vida com acompanhamento adequado e disciplina no tratamento.
Responsabilidade e empatia
O momento da comunicação do diagnóstico também foi um dos eixos centrais do debate. A médica geriatra Giulianna Forte, também professora da Unoeste, alerta para o cuidado que o médico deve ter ao apresentar limites.
“Nosso papel não é dar uma sentença definitiva. Às vezes, colocamos limites que não nos pertencem”, afirma. Segundo ela, a forma como a notícia é transmitida pode influenciar diretamente a postura do paciente diante da doença.
“Mais do que prescrever medicamentos, precisamos devolver a essa pessoa um papel na sociedade. Isso impacta inclusive na saúde mental”, explica.
A esclerose múltipla frequentemente está associada a quadros de ansiedade e depressão, especialmente após o diagnóstico. A rede de apoio familiar, evidenciada no filme, torna-se fundamental para a adaptação à nova realidade.
Cinema como ferramenta de humanização
Para os estudantes, o debate ampliou a compreensão sobre o papel do médico diante de doenças crônicas. Jardel Rhodes, do terceiro termo de Medicina, avalia que o cinema contribui diretamente para a formação humanizada.
“Na vida acadêmica, o cinema traz muito para a humanização do profissional. A gente aprende a olhar para o paciente além da doença. Não é ter pena, é ter empatia e colaborar para que ele enfrente as dificuldades pessoais, familiares e físicas”.
Amanda Esteves, do quarto termo, destaca o impacto da comunicação médica.
“Aqui conseguimos contextualizar não só a parte científica, mas como lidar com o paciente, como dar a notícia e acompanhar o caso. A palavra que você usa pode tirar a esperança ou ajudar a construir uma vida melhor. A forma como você comunica o diagnóstico também influencia no prognóstico”.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste