Faltam prevenção e apoio sobre burnout na educação básica
Diante de altos índices da síndrome em professores, autor de estudo sugere canal de denúncia e delegacia especializada
Em estudo que atesta falta de políticas públicas de prevenção e apoio aos professores da educação básica em relação à síndrome de burnout, o autor de dissertação de mestrado em Educação sugere criações de canal de denúncia e delegacia especializada.
O advogado Pedro Victor de Zousa Pavezi, com a orientação do professor doutor Sidnei de Oliveira Sousa, em revisão integrativa de literaturabuscou informações e dados em 291 artigos científicos de alguns países, incluindo Brasil e Estados Unidos.
Foram selecionados sete artigos para análise que apresentaram pertinência à pesquisa que resultou na dissertação “Sofrimento docente e burnout na educação básica: fatores psicossociais e implicações para a saúde mental”.
O estudo foi desenvolvido junto ao Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da Unoeste, com a defesa pública realizada na quarta-feira (18) em espaço da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação, no campus 2 em Presidente Prudente.
Dados expressivos
O espaço temporal da investigação científica foi o dos últimos cinco anos, até 2025. Dentre os dados encontrados, levantamento de 2024 constatou que mais de 440 mil professores estiveram afastados da prática profissional desde 2014.
Dentro do período de recorte da pesquisa (cinco anos) houve a constatação de que entre os professores participantes das pesquisas dos sete artigos relacionados, 85% relataram algum transtorno mental.
Diante do foco na saúde como alicerce para a atividade pedagógica em escolas públicas, o autor do estudo disse que a saúde e bem-estar profissional do professor é ganho para os processos de ensino e de aprendizagem, beneficiando os alunos.
Dentre os fatores que afetam a saúde mental do professor estão as violências físicas e verbal, jornada de trabalho exaustiva e baixa valorização profissional. A violência física não se restringe a agressão, por incluir situações como as de furto e roubo.
Ferramentas tecnológicas
Com utilização de ferramentas tecnológicas, o autor trabalhou os critérios de seleções dos artigos, identificou os tipos de estresse e violência; as consequências para a saúde mental; condições de trabalho e fatores organizacionais.
Também trabalhou sobre os impactos da permanência na profissão; e a dimensão institucional em políticas escolares, contatando que monitoramento e fiscalização são extremamente precários.
Conforme a pesquisa, o burnout docente é um fenômeno multifatorial, influenciado por fatores psicossociais e institucionais que transcendem a dimensão individual; com estresses indicando violência escolar, sobrecarga de trabalho e condições precárias.
Diante do contexto do estudo, autor recomenda as criações de políticas públicas que incluam programas de mediação e gestão de conflitos; valorização salarial e profissional; e apoio psicológico institucional.
Criações de canal e delegacia
Por suas vivências profissionais como advogado e acadêmica, que nos dez últimos anos incluiu a formação em direito, especializações e agora o mestrado, Pedro entende que deveriam ser criados canal de denúncia e delegacia especializada.
On-line, os avaliadores interno e externo foram, respetivamente a Dra. Elsa Midori Shimazaki e o Dr. Paulo Roberto Prado Constantino, da Faculdade de Ciências e Tecnologia, campus da Unesp em Presidente Prudente (FCT/Unesp).
O estudo foi elogiado, foram apresentados alguns apontamentos de contribuição para publicações científicas e Pedro Victor de Zousa Pavezi foi aprovado para receber o título de Mestre em Educação.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste