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Tese orienta sobre escolarização de pessoas soropositivas

Pesquisa robusta e profunda oferece subsídios para processos de gestão educacional e construções de políticas públicas


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Foto: Homéro Ferreira Tese orienta sobre escolarização de pessoas soropositivas
Rafael dos Santos Reis: aprovado para receber o título de doutor em Educação

A tese “Para além dos muros do preconceito: a produção discursiva sobre pessoas soropositivas no processo de escolarização” é vista por avaliadores como ferramenta de orientação com subsídios para processos de gestão e construções de políticas públicas.

A pesquisa com 441 páginas de conteúdo profundo (sistemático e lógico), que chegou a 600 páginas incluindo os elementos pré e pós-textuais, teve a defesa da tese aprovada junto ao Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da Unoeste.

Profissional da educação formado em filosofia, o autor Rafael dos Santos Reis desenvolveu o estudo com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Com fomento do mesmo órgão, vinculado ao Ministério da Educação, fez parte dos estudos na Universidade Aberta de Portugal (UAb), pelo Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior (PSDE).

A orientação no Brasil foi da Dra. Danielle Aparecida do Nascimento dos Santos, sendo que em Portugal a supervisão foi da Dra. Cristina Vieira e junto à mesma instituição de ensino superior portuguesa houve a contribuição em estatística da Dra. Catarina Nunes.

Avaliação em modelo híbrido

A banca avaliadora, na manhã de sexta-feira (13), atuou em modelo híbrido. O avaliador interno, Dr. Ademir Manfré, esteve presencialmente ao lado da orientadora em sala no prédio da pesquisa, pós-graduação e extensão, no campus 2 da Unoeste, em Presidente Prudente.

Os avaliadores externos foram o Dr. Denner Dias Barros, da Universidade de São Paulo (USP); Dra. Miriam Abramovay, da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais; e Dr. Márcio Rodrigo Vale Caetano, da Universidade Federal de Pelotas.

Também teve participação on-line a Dra. Cristina Vieira, diretamente de Portugal, para quem o assunto pesquisado envolve um contexto muito particular de estudantes que vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), causador da aids.

Condição que mantém os estereótipos associados à doença relacionada à sexualidade, conforme expôs a cientista portuguesa para dar ênfase ao caráter social da pesquisa que aponta falhas nas leis que regem a educação e em currículos; e na falta de ações.

O estudo teve foco no ensino médio, mas reverbera em outros níveis de ensino. Estudo voltado para responder a seguinte pergunta: “Quais regimes de verdade são produzidos sobre os corpos soropositivos no processo de escolarização?”.

Para isso, a construção da pesquisa se aprofundou sobre professores e a produção do ensino médio no estado de São Paulo; na compreensão da percepção dos estudantes e nas percepções dos soropositivos.

Pensamento pós-estrutural

A base teórica foi centralizada no pensamento pós-estrutural do filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) para quem as relações de poder, advindas das instituições como escolas, prisões, quartéis, são marcadas pela disciplina.

Conforme o filósofo, a disciplina traz consigo certo caráter punitivo e com isso as relações de poder se tornam mais evidentes. A tese de Rafael refutou essa condição de culpar a pessoa soropositiva, como punição.

O primeiro de três estudos inseridos na tese focou no currículo em relação ao HIV no estado de São Paulo; e o segundo sobre silêncios que matam, vozes que transformam e diagnósticos da desinformação.

Foto: Homéro Ferreira A orientadora Dra. Danielle Santos e o orientando Rafael dos Santos Reis
A orientadora Dra. Danielle Santos e o orientando Rafael dos Santos Reis

O terceiro, sobre narrativas para além do preconceito, foi trabalhado com o foco em questões como exame de HIV – medo, sentimento de morte e desespero; a pergunta que não deve ser feita – você é soropositivo?; e a narrativa familiar de negação.

Ainda dentro dos eixos, a falta na matriz sobre os discursos escolares; e a visão de futuro sobre como a escola deve agir na conscientização sem pânico, na educação aberta e prática e em outros aspectos.

A questão central da tese ofereceu entendimentos sobre herança histórica, dados e saberes, omissão formativa e perda da laicidade; para concluir sobre avanços na área de saúde, proteção do soropositivo e compromisso do currículo crítico da escola.

Desempenho acima da média

O desempenho de Rafael foi acima da média, em nível de excelência, que os avaliadores entenderam que foram desenvolvidas três teses, organizadas no conteúdo e na forma, que podem ser socializadas como um todo ou individualmente; conforme o Dr. Márcio.

Para o Dr. Denner, foi assertivo o olhar para a temática pouco explorada na área da educação inclusiva. Ao citar a qualidade do estudo, destacou a motivação consistente e afirmou que educação deve contemplar a perspectiva de saúde pública.

No entendimento da Dra. Miriam, o autor do trabalho mostrou muita maturidade, especialmente por considerar ser muito difícil discutir qualquer tema mais profundo nas escolas que não são abertas e, portanto, os muros não são espaços simbólicos

O Dr. Ademir disse que a tese de Rafael contempla processos mais reflexivos ao analisar situações que não são somente educacionais, por avançar em questões de saúde, social e de política.

A orientadora Dra. Danielle, em alusão ao título da tese, disse que a contribuição da tese tem a caráter de “quebrar o muro” para ensinar e dar significado para as pessoas no que elas são de fato, sem homogeneizar. Portanto, em suas individualidades.

Divulgação para consulta

Na condição de autor do estudo, Rafael afirma que sua tese representa a possibilidade da escola de propor a ser formadora da estética de existência dos estudantes. Os avaliadores entenderam a tese como documento de consulta.

Como tal deve receber ampla divulgação para chegar às autoridades da educação e aos ocupantes de cargos nos poderes Legislativo e Executivo, às instituições de formação e professores e aos próprios professores em processo de formação continuada.

Diante da defesa pública e da qualidade do conteúdo apresentado, houve a dispensa do expediente de câmara secreta – momento de conversa somente entre os avaliadores – com o anúncio imediato da aprovação para Rafael receber o título de doutor em Educação

Durante o percurso da pesquisa, o autor esteve e continua inserido no Grupo de Estudos sobre Políticas e Práticas na Educação Inclusiva, junto ao PPGE da Unoeste; com publicações e incursões em eventos científicos nacionais e internacionais

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Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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