Trajetórias inspiram debate sobre empreendedorismo em saúde
Profissionais compartilharam experiências marcadas por desafios, liderança feminina e criação de iniciativas com impacto social
Empreender na área da saúde exige visão e capacidade de transformar desafios em oportunidades. Histórias marcadas por superação, inovação e impacto social foram compartilhadas durante um encontro realizado na Unoeste Guarujá, que reuniu profissionais para falar sobre os caminhos possíveis para quem deseja construir projetos na área.
Segundo a professora Rosineide Maria de Oliveira, a proposta foi ampliar o olhar dos estudantes sobre as possibilidades de atuação profissional na área.
“Quando falamos em empreendedorismo na saúde, muitas pessoas pensam apenas na abertura de clínicas ou consultórios. Mas existem muitas outras possibilidades, como iniciativas voltadas à transformação social, criação de serviços especializados e a construção de redes multidisciplinares de atendimento”, destacou.
Da reinvenção pessoal ao impacto social
A biomédica Tatiana Brito contou que sua trajetória profissional começou após anos dedicados à família.
“Ser dona de casa é um trabalho muito cansativo. Muitas vezes, a mulher tem dois turnos: dentro e fora de casa. Foi um período difícil, em que eu sentia necessidade de me reencontrar profissionalmente”, relata.
Foi por meio da arte que Tatiana iniciou esse processo de transformação. Ela começou a desenhar, vender ilustrações e chegou a escrever dois livros ilustrados por ela mesma. Ainda assim, sentia vontade de construir uma carreira.
Além de ingressar na área da estética e da biomedicina, ela também encontrou um propósito que ultrapassava o trabalho tradicional: a reconstrução de aréola para mulheres que passaram por mastectomia após o câncer de mama.
“Quando você vê a emoção dessas mulheres ao se olharem no espelho novamente, percebe que o seu trabalho vai muito além de um procedimento. É sobre autoestima, dignidade e recomeço”, afirma.
Desafios pessoais que se transformaram em negócio
A psicóloga Gabriela Simões também compartilhou sua trajetória marcada por desafios desde muito cedo. Ela engravidou aos 16 anos, ainda no ensino médio, e precisou interromper os estudos por um período para cuidar da filha.
“Meu primeiro objetivo sempre foi construir minha família. Quando voltei a estudar, percebi que tinha potencial e comecei a enxergar novas possibilidades”, conta.
No começo, os atendimentos aconteciam em salas alugadas por hora, muitas vezes em outras cidades.
“Eu atendia onde fosse possível. Se alguém indicava um paciente em Santos, eu alugava uma sala por hora e ia. O importante era começar”, lembra.
A experiência revelou uma necessidade do próprio mercado local: a falta de espaços estruturados para profissionais da saúde atenderem. A partir disso, ela ajudou a criar um dos primeiros espaços de coworking profissional em Guarujá e, posteriormente, fundou sua própria clínica.
Hoje, Gabriela lidera a Clínica Solo, que reúne uma equipe multidisciplinar com profissionais de áreas como psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia, terapia ocupacional e fisioterapia.
“Empreender na saúde também é construir uma rede de profissionais em quem você confia. Muitas vezes você domina a técnica, mas precisa aprender a gerir pessoas, estruturar um negócio e criar oportunidades para outros profissionais”, destaca.
Comunicação e empreendedorismo social
A empreendedora social Cleusa Amuratti trouxe ao encontro uma perspectiva diferente do empreendedorismo: a atuação voltada à transformação social.
Com passagem pela área de comunicação e jornalismo, onde atuou por mais de uma década entrevistando grandes personalidades do país em programas de rádio, ela conta que a experiência a aproximou de diferentes realidades brasileiras.
Foi justamente durante viagens e coberturas em regiões vulneráveis que surgiu o desejo de atuar mais diretamente em projetos sociais.
“Quando você conhece realidades tão diferentes, percebe que pode usar sua experiência para ajudar a transformar histórias. O empreendedorismo social nasce muito desse olhar para o outro”, explica.
Hoje, Cleusa participa de projetos e iniciativas voltadas ao apoio de comunidades em situação de vulnerabilidade, incluindo ações desenvolvidas no Guarujá.
Bibliotecário na gestão da informação
Durante o evento, também houve um momento dedicado ao Dia da Bibliotecário, celebrado em 12 de março. A iniciativa buscou reconhecer a importância desses profissionais no acesso ao conhecimento, especialmente em um cenário marcado pelo grande volume de informações disponíveis.
Na ocasião, a bibliotecária da universidade, Angelina dos Santos Silva, destacou o papel estratégico da profissão na organização e disseminação de conteúdos confiáveis.
“Quem é o bibliotecário? É o agente da informação, o gestor do conhecimento. É o profissional capacitado para organizar e estruturar a informação em fontes confiáveis. Em meio ao excesso de informações que temos hoje, o bibliotecário tem a função de tratar esse conteúdo e disseminá-lo, transformando informação em conhecimento e avançando para a sabedoria”, explicou.
Segundo ela, esse trabalho é fundamental para apoiar estudantes, pesquisadores e profissionais na busca por conteúdos qualificados e no desenvolvimento do pensamento crítico.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste