Atenção primária fortalece saúde pública no Brasil
Base do Sistema Único de Saúde, cuidado próximo e integrado melhora indicadores e amplia acesso
Celebrado em 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde reforça, um dos pilares mais estratégicos dos sistemas públicos: a Atenção Primária à Saúde (APS). Porta de entrada do Sistema Único de Saúde, a APS é responsável por promover prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo.
Mais do que o primeiro contato com o paciente, a atenção primária organiza o cuidado em rede e integra diferentes áreas do conhecimento. Na prática, isso significa que médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas e agentes comunitários atuam de forma articulada, olhando o indivíduo de maneira completa.
O tema ganhou destaque em um simpósio realizado na Unoeste Guarujá, que reuniu profissionais e estudantes para discutir, na prática, os desafios da rede pública e o papel da atuação interdisciplinar no cuidado em saúde.
Papel da prevenção
Para o médico, biomédico e docente da Unoeste Guarujá, Walace Rocha, a atenção primária é também um reflexo das desigualdades sociais e um ponto estratégico para transformação desse cenário.
Segundo ele, diferentes realidades convivem dentro do mesmo município, o que impacta diretamente o acesso aos serviços e a qualidade do atendimento. Indicadores como a mortalidade materna e infantil, nesse contexto, funcionam como um retrato fiel dessas desigualdades.
“A mortalidade materno-infantil é a cara da saúde de uma população. Quando esses índices são altos, há falhas importantes no cuidado. E é justamente na atenção primária que conseguimos mudar esse cenário, com pré-natal de qualidade e acompanhamento contínuo”.
Ele explica que é justamente na atenção primária que esses indicadores podem ser revertidos. Um pré-natal bem estruturado, com acompanhamento contínuo e vínculo com a equipe de saúde, reduz riscos, evita complicações e melhora o desenvolvimento da criança desde os primeiros anos de vida.
“Promoção da saúde e prevenção de doenças começam no território, perto das pessoas. É ali que conseguimos transformar realidades de forma concreta”, completa.
Território e escuta qualificada
A psicóloga Patrícia Almeida destaca que o cuidado na atenção primária começa pelo conhecimento do território e das famílias atendidas. Nas Unidades de Saúde da Família (Usafas), os agentes comunitários desempenham papel fundamental ao conectar a equipe com a realidade da população.
Segundo ela, esse vínculo permite compreender melhor as demandas e direcionar o atendimento com mais efetividade. No caso da saúde mental, o modelo também se adapta à alta demanda da rede pública, priorizando acolhimento e escuta qualificada.
“Muitas vezes, é a primeira vez que aquele paciente é realmente ouvido. A gente acolhe, orienta e trabalha com o que ele traz naquele momento, e isso já tem um impacto muito significativo na vida daquela pessoa”, explica.
Além dos atendimentos individuais, ações coletivas ampliam o cuidado. Grupos de gestantes e de saúde mental, por exemplo, permitem trabalhar demandas comuns, fortalecer vínculos e promover saúde de forma mais abrangente, quase sempre com a participação de outros profissionais da equipe.
Interdisciplinaridade
A fisioterapeuta Ana Renata Braga, especialista em neurologia funcional, reforça que a integração entre diferentes áreas é essencial para a qualidade do atendimento no sistema público.
Segundo ela, o cuidado em saúde não pode ser fragmentado, especialmente em casos que envolvam reabilitação. “A reabilitação envolve diferentes especialidades, e o cuidado só acontece de forma completa quando há articulação entre esses profissionais”, destaca.
Ela também explica que a atenção primária tem papel estratégico ao organizar o fluxo dentro do sistema. É nesse nível que o paciente inicia seu percurso, entende suas necessidades e recebe os primeiros encaminhamentos.
Quando essa base funciona bem, os impactos são amplos. “A atenção primária bem estruturada reduz a sobrecarga dos serviços mais complexos, melhora o fluxo e garante mais qualidade no atendimento para todos”, afirma.
Cuidado integral
Para a enfermeira e secretária adjunta de Saúde de Guarujá, Alessandra Taveira Fernandes, o maior desafio da saúde pública é compreender o paciente em toda a sua complexidade.
“O indivíduo é complexo, então o cuidado também precisa ser. Não é só uma área, não é só um profissional, é o conjunto trabalhando de forma integrada”, afirma.
Ela ressalta que a escuta ativa é parte essencial desse processo, pois permite entender as reais necessidades de cada paciente e construir um cuidado mais efetivo.
Além disso, destaca que a atuação na saúde exige atualização constante. “O SUS é dinâmico, exige formação permanente. Quem trabalha na área precisa estar sempre aprendendo para acompanhar as mudanças e oferecer um atendimento de qualidade”, explica.
Outro ponto central é o impacto da prevenção na sustentabilidade do sistema. Quando a atenção primária falha, os casos chegam mais graves aos níveis de maior complexidade. “Isso aumenta os custos, sobrecarrega os serviços e dificulta a organização do sistema. Por isso, fortalecer a atenção primária é essencial”, conclui.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste