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40 anos de Chernobyl


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A cidade modelo de Pripyat tinha uma média etária jovem, com ruas e avenidas planejadas, hospitais e escolas de ponta, cinemas e até um parque de diversões. Uma grande roda gigante futurista foi construída. No seu ponto mais alto, era possível ver uma ponte sobre uma linha férrea que funcionava sem parar.

No Dia do Trabalho de 1986, a roda gigante seria inaugurada, finalizando um projeto e um desejo de anos. Crianças e até mesmo adultos esperavam por esse dia que nunca chegou.

Na madrugada do dia 26 de abril, para ser mais preciso, à uma hora, vinte e três minutos e quarenta segundos, a tranquila noite de sono da população foi interrompida por um enorme estrondo. Curiosos e assustados abriram suas janelas ou saíram de casa. Visualizaram um incêndio que, antagonicamente, emanava uma luz azul bonita.

Muitos foram para a ponte para melhorar a visão e sanar a curiosidade. Parecia que algo estranho havia acontecido na usina próxima. Era Chernobyl.

A explosão do reator 4 foi algo inimaginável e de proporções nunca vistas. Países da Europa detectaram radiação no ar pouco tempo depois. Nem mesmo os especialistas da área estavam entendendo a situação, que demorou a ser assumida pela União Soviética.

Mas por que o reator explodiu? Todo acidente envolve falhas consecutivas, mas vamos destacar algumas: um teste sobre o funcionamento do reator em caso de queda de energia e o tempo de ativação do gerador precisava ser realizado, com resultados rápidos. O teste já havia sido iniciado, mas foi interrompido algumas vezes, aumentando a pressão pela entrega.

Ao reduzir a potência do reator e desligar sistemas de segurança, o núcleo de urânio ficou instável. O teste deveria ser interrompido, mas isso geraria mais atraso. A pressão sobre os funcionários era tão grande quanto a do reator. Explodiu.

A liberação de radiação foi cinco vezes maior do que a da bomba de Hiroshima, mas a situação era pior do que uma guerra. Não foi uma explosão como as do Japão. Foi pior. Porque não terminou. O teto do reator foi arrancado, e a radiação continuava se espalhando, contaminando o ar, a água e atingindo a população ao lado.

A única chance era se afastar, mas a cidade continuou vivendo como se o perigo tivesse endereço conhecido. A população precisava ser evacuada. E foi. Porém, 36 horas depois. Nesse tempo, a cidade funcionou normalmente. Pessoas foram trabalhar, crianças foram para a escola e muitos continuaram na ponte. Mil ônibus foram mobilizados, e a população foi obrigada a deixar suas casas, sob ameaça de rifles, com a promessa de retorno em poucos dias.

Trinta pessoas morreram por síndrome aguda da radiação. Essa exposição causa falência da medula óssea, destruição do DNA gerando hemorragias. A OMS estima que mais de 30 mil pessoas foram afetadas, devido ao aumento de câncer, malformações e impactos psicológicos.

A cidade de Pripyat segue como modelo, mas de cidade fantasma, retratando um momento que parou no tempo e sendo usada como exemplo por um professor para prender a atenção de sua sala.

A ambição por desempenho e a pressão por resultados levaram ao maior acidente nuclear da história. A roda gigante nunca girou, mas virou o mundo de ponta cabeça.

Fernando Alvieri é mestre em Biotecnologia, biomédico e professor de Física das Radiações e Imagenologia – Unoeste.

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