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A comunicação também é medicamento


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Imagine entrar em uma farmácia com uma dúvida sobre um medicamento. Antes mesmo de receber qualquer orientação, a forma como você é recebido já influencia a sua experiência. Um "bom dia", uma escuta paciente e uma explicação clara podem reduzir inseguranças e transmitir confiança. Em um ambiente onde as pessoas muitas vezes chegam fragilizadas, a comunicação deixa de ser apenas um detalhe e passa a fazer parte do cuidado.

Essa cena poderia acontecer em um supermercado, em uma escola, em um banco ou em qualquer outro lugar onde existam pessoas. Afinal, comunicar não é apenas transmitir informações. É criar conexões, gerar segurança e entendimento mútuo.

Vivemos um tempo de comunicação rápida, mas nem sempre tão eficiente. Estamos cercados por mensagens, notificações e respostas instantâneas. Ainda assim, compreender e ser compreendido continua sendo um desafio. Muitas vezes, o problema não está na falta de informação, mas na forma como ela é transmitida.

Comunicar vai além do falar, é uma troca de via dupla. Um atendimento de qualidade não acontece apenas quando alguém sabe responder uma pergunta, mas quando consegue entender a necessidade que existe por trás dela. 

Costumamos acreditar que o cuidado está apenas nos procedimentos, nas tecnologias ou nos produtos oferecidos. Eles são fundamentais, mas não suficientes. A forma como uma informação é compartilhada, uma orientação é explicada ou uma pessoa é ouvida também faz diferença. A comunicação talvez não venha em uma embalagem nem tenha bula. Ainda assim, quando utilizada com empatia, clareza e responsabilidade, ela pode aliviar inseguranças, fortalecer relações e transformar experiências. 

Se cuidar da saúde significa olhar para o ser humano de forma integral, comunicar-se bem também deveria ser reconhecido como parte desse cuidado. Por isso, talvez possamos enxergar a comunicação como um medicamento que não substitui nenhum tratamento, mas potencializa todos eles.

As pessoas raramente se lembram exatamente do que foi dito. Elas se lembram de como foram tratadas enquanto ouviam aquilo. A comunicação não cura doenças, não resolve problemas sozinha e não substitui conhecimento técnico. Mas ela potencializa o cuidado, fortalece a confiança e aproxima pessoas. Talvez por isso valha a pena tratá-la como um medicamento indispensável: quanto mais empatia, clareza e responsabilidade houver em cada palavra, maiores são as chances de produzir o efeito que toda boa comunicação deveria ter, o de fazer o outro sentir que foi ouvido, compreendido e respeitado.

Seja na saúde, na educação, nos serviços ou no ambiente de trabalho, precisamos reconhecer que a comunicação nunca é apenas um detalhe.

Jéssica Cristina Corte é professora mestra em Comunicação. Docente dos Cursos Técnicos da Universidade do Oeste Paulista.

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