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Congresso de Odontologia debate evidências nos tratamentos

Programação reúne pesquisadores e profissionais em temas que vão das tecnologias digitais ao atendimento de pessoas com deficiência e pacientes oncológicos


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Foto: Ector Gervasoni Participantes do Congresso de Odontologia acompanham atividades no Teatro Cesar Cava, em Presidente Prudente
Congresso de Odontologia reúne estudantes, professores e especialistas para discutir ciência, inovação, tecnologias digitais e decisões clínicas

Em meio à circulação de informações sobre saúde nas redes sociais, saber diferenciar uma novidade de um tratamento com respaldo científico tornou-se um desafio também para a odontologia. A escolha de técnicas, materiais e procedimentos exige análise crítica das pesquisas disponíveis e consideração das necessidades de cada paciente. Esse é o eixo do 26º Congresso de Odontologia, que ocorre de 26 a 30 de outubro, na Unoeste, em Presidente Prudente.

Com o tema “Odontologia baseada em evidências: inovação, tecnologia e prática clínica”, o evento reúne estudantes, professores, pesquisadores e profissionais para discutir como transformar o conhecimento científico em decisões clínicas mais seguras. A programação inclui apresentações de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) e palestras sobre diferentes especialidades, tecnologias e desafios do atendimento odontológico.

Para a diretora do curso de Odontologia, professora Claudia Oliveira Lima Coelho, o congresso tem papel importante na formação dos estudantes, especialmente diante da grande quantidade de conteúdos sobre saúde disponíveis na internet.

“Hoje em dia, nós temos uma exposição de conhecimentos em redes sociais, que às vezes não tem uma fundamentação científica. Esses eventos, trazendo professores e pesquisadores, fazem com que os alunos realmente tenham acesso a uma informação mais fidedigna e comprometida com as evidências científicas”, afirma.

Ciência orienta a escolha dos tratamentos

A adoção de uma nova tecnologia ou técnica não significa, necessariamente, que ela seja a melhor opção para todos os pacientes. A decisão clínica depende da qualidade das pesquisas que sustentam o procedimento, da experiência do profissional e das características individuais de quem receberá o tratamento.

Esse é um dos pontos destacados pelo professor doutor Victor Eduardo de Souza Batista, presidente do congresso. Segundo ele, a odontologia baseada em evidências integra resultados científicos, conhecimento clínico e preferências dos pacientes para orientar condutas mais responsáveis.

“Em um cenário de constante evolução tecnológica e de novas opções terapêuticas, é essencial saber não apenas o que há de novo, mas principalmente o que realmente apresenta respaldo científico para beneficiar o paciente”, explica.

A abordagem permite comparar alternativas, avaliar possíveis riscos e benefícios e estabelecer expectativas mais realistas sobre os resultados. Também ajuda o profissional a analisar criticamente informações divulgadas em diferentes canais, sem tomar a popularidade de uma técnica como prova de sua eficácia.

Para o professor, esse raciocínio precisa ser desenvolvido desde a graduação. O contato com pesquisas e especialistas permite que os futuros cirurgiões-dentistas aprendam a interpretar estudos, questionar afirmações e reconhecer os limites do conhecimento disponível. “Nem toda novidade representa necessariamente um avanço comprovado”, ressalta.

Impressão 3D e tecnologias digitais na clínica

A programação do congresso acompanha transformações que já fazem parte da odontologia contemporânea. Entre os temas estão a impressão 3D na prática clínica, a prótese fixa na era digital, os biomateriais, a reabilitação de dentes tratados endodonticamente e os tecidos moles ao redor de implantes.

Foto: Ector Gervasoni Palestrante compartilha conhecimentos sobre odontologia baseada em evidências e tecnologias que contribuem para decisões clínicas mais seguras
Palestrante compartilha conhecimentos sobre odontologia baseada em evidências e tecnologias que contribuem para decisões clínicas mais seguras
As palestras também abordam a relação entre endodontia e saúde sistêmica, além de técnicas para a reabilitação de maxilas atróficas, incluindo a abordagem All-on-four. Os assuntos permitem discutir indicações, limites e aplicações das diferentes alternativas terapêuticas.

O objetivo, segundo o presidente do congresso, é aproximar ciência, inovação e rotina profissional, estimulando os participantes a avaliar criticamente os recursos disponíveis antes de incorporá-los ao atendimento. “Nosso principal diferencial é a integração entre ciência, inovação, tecnologia e prática clínica, sempre com foco na odontologia baseada em evidências”, afirma Dr. Victor.

Atendimento individualizado e inclusão

O congresso também dedica espaço a pacientes cujas condições exigem planejamento específico. Síndromes, doenças raras, deficiências e tratamentos oncológicos podem trazer particularidades clínicas que precisam ser consideradas antes e durante o atendimento odontológico.

Entre os temas estão as diretrizes para o cuidado de pessoas com síndromes, doenças raras e necessidades específicas; a adaptação de materiais restauradores para pacientes com deficiência; a odontologia oncológica integrada; e a reabilitação oral após o tratamento contra o câncer.

Para o presidente do Congresso, a preparação desses profissionais exige mais do que domínio técnico. É necessário compreender as particularidades de cada caso, identificar riscos, adaptar procedimentos e, quando necessário, atuar em conjunto com outras áreas da saúde. “Também é fundamental desenvolver empatia, comunicação adequada e respeito à individualidade, à autonomia e às necessidades de cada pessoa”, destaca.

A formação humanizada, segundo o professor, deve considerar tanto a segurança clínica quanto a acessibilidade do cuidado. Pacientes com deficiência, síndromes, doenças raras ou em tratamento oncológico podem apresentar demandas que precisam ser incorporadas ao planejamento, respeitando suas condições e necessidades.

Pesquisa e formação profissional

O contato com pesquisadores e especialistas durante a graduação também ajuda os estudantes a desenvolver autonomia para avaliar informações e acompanhar mudanças na profissão. Para o presidente do congresso, essa experiência estimula o interesse pela iniciação científica e pela educação continuada. “É importante que o estudante aprenda a interpretar estudos científicos, questionar informações e compreender os limites das evidências disponíveis”, afirma Batista.

O congresso começou com as apresentações de TCC, realizadas nos dias 26 e 27 de outubro, no Teatro César Cava. A partir desta quarta-feira (28), a programação passou a reunir palestras sobre diferentes áreas da odontologia, com atividades distribuídas ao longo do dia.

Nesta quarta-feira (28), os temas incluem a relação entre endodontia e saúde sistêmica, a reabilitação de dentes tratados endodonticamente, os tecidos moles peri-implantares e a prótese fixa na era digital.

Na quinta-feira (29), a programação contempla impressão 3D, atendimento a pacientes com síndromes, doenças raras e necessidades específicas, além de reabilitação de maxilas atróficas. Já na sexta-feira (30), as discussões envolvem odontologia oncológica, materiais restauradores adaptados ao atendimento de pessoas com deficiência e reabilitação oral após o tratamento oncológico.

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Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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