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Decorar ciência ou pensar cientificamente?


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Por muito tempo, a avaliação do processo de ensino-aprendizagem esteve pautada em uma única habilidade: a capacidade de memorizar fatos, nomes e fórmulas. Não que este tenha sido o objetivo deliberado dos professores, mas era exatamente isso que a estrutura tradicional das avaliações cobrava dos estudantes. Acontece que o mundo mudou radicalmente. Com o avanço da tecnologia e o acesso instantâneo à informação, a necessidade de memorizar conteúdos brutos reduziu-se drasticamente. Hoje, mal lembramos as senhas dos nossos próprios aplicativos. Por que, então, continuarmos cobrando que os jovens decorem tabelas e conceitos descontextualizados?

A permanência dessa prática ultrapassada gera uma desconexão profunda entre a sala de aula e a vida real. Esse é um dos principais fatores que levam os estudantes a questionarem a utilidade da escola e, pior, a perderem o interesse pelas disciplinas. Como professor de Ciências e Biologia no ensino básico, além de também atuar no ensino superior, me deparo com esse desafio diariamente. A resistência é ainda maior entre aqueles alunos que já decidiram que não pretendem seguir carreiras nas áreas que possuem ligação com essas disciplinas. Eles frequentemente se perguntam: "Por que preciso saber disso se não vou usar na minha profissão?".

A resposta para essa pergunta não está no acúmulo de conteúdos, mas no desenvolvimento de competências. Meu objetivo como educador não é formar futuros biólogos a cada ano letivo, mas ajudar a formar cidadãos capazes de exercer o pensar científico.

Pensar cientificamente não significa decorar as etapas da fotossíntese ou a classificação sistemática dos seres vivos. Significa aprender a formular perguntas relevantes, analisar dados, testar hipóteses, identificar fake news e tomar decisões pautadas em evidências. Em vez de pedir que decorem a estrutura de uma bactéria, a verdadeira ciência acontece quando propomos um problema: "Como provar qual marca de sabão é mais eficiente na remoção de germes da nossa mão?". A partir dessa inquietação, o aluno sai da postura de mero espectador e passa a ser o protagonista da sua aprendizagem.

Ensinar a pensar exige muito mais do professor. Além do domínio técnico, é preciso ter a sensibilidade de transformar o conteúdo em provocação. Quando trocamos a resposta pronta pelo questionamento, a mágica acontece. A sala de aula ganha vida, o engajamento surge de forma natural e o conhecimento deixa de ser um fardo acumulado para a prova do dia seguinte. Formar indivíduos analíticos e curiosos é a maior contribuição que a escola pode oferecer para a sociedade contemporânea.

William Hiroshi Suekane Takata é biólogo com doutorado em fisiologia e bioquímica de plantas. É professor dos cursos de Agronomia, Ciências Biológicas e Administração na Unoeste.

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