Estudo relaciona desreguladores endócrinos ao envelhecimento
Estudante de Medicina da Unoeste realiza etapa de pesquisa na UEL e aprofunda estudos sobre estresse oxidativo e saúde prostática
A colaboração entre a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e a Universidade Estadual de Londrina (UEL) tem ampliado o conhecimento científico sobre os efeitos dos desreguladores endócrinos na saúde prostática. A parceria integra um projeto de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e desenvolvido na Unoeste, em Presidente Prudente, com a participação da estudante de Medicina Tainá Bahia Ricardo.
A pesquisa de Iniciação Científica é conduzida sob orientação do professor doutor Leonardo de Oliveira Mendes e investiga os efeitos da exposição a desreguladores endócrinos sob a perspectiva do conceito Developmental Origins of Health and Disease (DOHaD), que estuda como exposições ocorridas em períodos críticos do desenvolvimento podem influenciar a saúde ao longo da vida.
Segundo a aluna do 8º termo, a oportunidade de integrar a pesquisa surgiu por meio do orientador e ganhou uma dimensão ainda maior com a parceria estabelecida entre as instituições.
“A oportunidade surgiu por meio do meu orientador, o professor Leonardo que coordena o projeto desenvolvido na Unoeste com apoio da Fapesp. Como parte de uma etapa do estudo, foi realizada uma parceria com a UEL, no laboratório coordenado pela Dra. Glaura Scantamburlo Alves Fernandes”, relata.
O estudo utiliza um modelo experimental com ratos para compreender as alterações provocadas pela exposição precoce a desreguladores endócrinos, substâncias presentes no cotidiano que podem interferir no funcionamento hormonal, e seus possíveis impactos durante o envelhecimento.
De acordo com o Dr. Leonardo, a pesquisa busca reproduzir situações semelhantes às exposições ambientais enfrentadas pela população ao longo da vida.
“Trabalhamos com uma mistura de desreguladores endócrinos, que são substâncias dispersas no meio ambiente, como plastificantes, agrotóxicos e filtros presentes em protetores solares. Utilizamos essa mistura para simular a exposição humana aos diversos compostos químicos presentes no ambiente ao longo da vida”, explica.
Ainda segundo o pesquisador, a administração da mistura ocorre em períodos considerados sensíveis do desenvolvimento.
“Realizamos a administração dessa mistura durante a gestação e a lactação e avaliamos os efeitos dessa exposição durante o envelhecimento, especialmente em órgãos como a próstata, que é o foco da pesquisa da aluna”, destaca.
Experiência científica na UEL
Como parte das atividades do projeto, Tainá realizou, durante o mês de julho, uma etapa de pesquisa no laboratório da UEL. Durante o período, ela acompanhou a doutoranda Karen Gabriela Favaro de Souza em análises relacionadas ao estresse oxidativo.
A experiência permitiu à estudante aprofundar conhecimentos em técnicas laboratoriais específicas e contribuir para uma etapa importante da investigação.
“A experiência foi fundamental, pois permitiu a realização de análises específicas de estresse oxidativo que complementam a pesquisa desenvolvida na Unoeste”, afirma.
Durante a estadia na universidade paranaense, a acadêmica acompanhou análises de marcadores de estresse oxidativo, incluindo a avaliação da atividade da superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT), glutationa reduzida (GSH) e os níveis de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS). Também participou de etapas de processamento das amostras, execução dos ensaios e interpretação dos resultados.
Segundo o orientador, essa etapa foi essencial para verificar se a exposição aos desreguladores endócrinos é capaz de desencadear processos biológicos associados a danos celulares.
“A professora Glaura trabalha com estresse oxidativo, que ocorre quando determinadas substâncias estimulam a produção de espécies reativas de oxigênio capazes de causar danos ao organismo. Nosso objetivo é verificar se essa exposição é capaz de induzir estresse oxidativo na próstata e se esse processo pode contribuir para o desenvolvimento de alterações e doenças nesse órgão”, explica.
Formação científica e medicina baseada em evidências
Para Tainá, a participação em uma pesquisa financiada pela Fapesp representa uma oportunidade de crescimento acadêmico e profissional.
“Participar de um projeto financiado pela Fapesp tem sido uma experiência única. A pesquisa estimula constantemente o pensamento crítico e a capacidade de interpretar evidências. Tudo isso complementa ainda mais a minha formação como futura médica, me aproximando da prática da medicina baseada em evidências”, ressalta.
Além do avanço científico, a estudante destaca o valor das parcerias entre instituições de ensino e pesquisa para a formação de novos pesquisadores.
“Parcerias como essa são importantes porque unem diferentes áreas, infraestruturas e experiências, tornando as pesquisas mais completas. Além disso, permitem que o estudante experimente diferentes ambientes de pesquisa. A colaboração entre instituições também fortalece a ciência brasileira e favorece a formação de novos pesquisadores”, avalia.
Para o professor Leonardo, iniciativas como a colaboração entre Unoeste e UEL ampliam as possibilidades de desenvolvimento científico e fortalecem a formação acadêmica em diferentes níveis.
“Esse tipo de parceria interinstitucional é extremamente importante para estimular a colaboração científica, aprimorar metodologias e elevar a qualidade das pesquisas desenvolvidas. Além disso, fortalece a formação acadêmica tanto na graduação quanto na pós-graduação, promovendo uma cooperação enriquecedora entre as universidades”, conclui.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste