Estudo sugere avaliar fragilidade antes da operação cardíaca
Produção do estudo tem a justificativa de que fragilidade exige mais recursos assistenciais e custos hospitalares; um desafio ao sistema de saúde
Produção de pesquisa que resultou na dissertação “Avaliação da fragilidade em fatores associados no pré-operatório de pacientes submetidos à cirurgia cardíaca eletiva” sugere que hospitais estabeleçam avaliação para mensurar a condição de pré-frágil ou frágil visando elaboração de planos terapêuticos mais eficazes.
“A avaliação no pré-paciente frágil aumenta muito a chance de não ter nenhum evento colateral”, diz a autora do estudo, a enfermeira especialista em terapia intensiva Ana Ana Carolina Gregório Raposo. Sua orientadora, Dra. Elaine Cristina Negri, entende ser importante estabelecer a avaliação da fragilidade no pré-operário do paciente cardíaco.
Na defesa pública do trabalho, na tarde de segunda-feira (3), o avaliador externo (on-line) Dr. externo Dr. Rodrigo Guimarães dos Santos Almeida, da Universidade de São Paulo (USP), enalteceu a relevância e a qualidade do que foi pesquisado e produzido, fez apontamentos científicos e conjecturou sobre a implementação.
“Há um tempo entre a pesquisa e a implementação”, disse no sentido de que gestores de saúde, geralmente, demoram para entender a oportunidade e a importância. “Quanto mais o paciente frágil fica no hospital, mais alto é o custo para o sistema de saúde”, pontuou, para dizer que o setor privado pode ser mais aberto para isso.
O avaliador interno Dr. Dr. Gabriel Mendes Plantier fez apontamentos e manifestou o entendimento de que trabalho deve ter sido muito difícil, por ter estado inserido em projeto guarda-chuva; o que significa diferentes estudos sobre o mesmo tema, com vários participantes e a complexidade de muitas variáveis; “com o risco de se perder”.
Região oeste paulista
A condução da avaliação passou por questões como melhora de procedimentos, redução do tempo de internação, menos custos e contribuição para políticas públicas. Por fim, o avaliador interno parabenizou a autora pela qualidade do estudo orientado pela Dra. Elaine e co-orientado pelo Dr. Ismael Forte Freitas Jr, da Unesp em Prudente.
Todos com condições clínicas e cognitivas adequadas para participar das avalições. Um universo de 57% do sexo masculino e 43% feminino; dos quais 67% avaliados como frágeis. As coletas de dados ocorreram 24h antes da cirurgia, incluindo dados sociodemográficos e clínicos, por meio de entrevista.
Também foram aplicados testes físicos para avaliação dos componentes dos fenótipos de fragilidade. Foram utilizados critérios propostos pela geriatra norte-americana Linda Fried, que são perda de peso não intencional, exaustão avaliada por autorrelato de fadiga, diminuição da força de preensão manual, redução da velocidade da marcha e baixo nível de atividade física.
O estudo criterioso e minucioso, desenvolvido na Unoeste, esteve centrado no objetivo de analisar a associação entre as variáveis clínicas, comportamentais, laboratoriais e perioperatórias de acordo com o grau de fragilidade em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca eletiva; que é programada e, portanto, não considerada de urgência.
Recursos e custos
A metodologia aplicada por Patrícia foi a de estudo observacional analítico transversal. A justificativa esteve centrada no fato de que a fragilidade aumenta o consumo de recursos assistenciais e custos hospitalares. Também em razão da existência de lacunas na literatura científica sobre o assunto.
Todas as variáveis são consideradas importantes, mas quanto às comorbidades – doenças, condição ou estado físico e mental potencializadores de riscos à saúde – os pacientes são mais frágeis. Quando os fatores de riscos são modificáveis, a exemplo de hipertensão e obesidade, o trabalho deve ocorrer na atenção primária.
Para a Dra. Elaine o estudo tem ainda a relevância de oferecer uma realidade regional (oeste paulista), com a maioria dos participantes da pesquisa submetidos a cirurgia cardíaca avaliados como frágeis. A orientadora destacou a dedicação da orientanda Ana Carolina que foi aprovada para receber o título de mestre em Ciências da Saúde, junto à Pro-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (PRPPG).
Comprometimento observado quando aluna da graduação, egressa do curso de Enfermagem da Unoeste; no tempo em que trabalhou no Hospital Regional (HR) “Dr. Domingos Leonardo Cerávolo”; e pela conquista de estar ingressando no corpo docente da Faculdade de Medicina de Presidente Prudente (Famepp).
Por solicitação da banca, quando da qualificação, Ana Carolina citou sua participação em eventos científicos com apresentações de artigos, tais como o Encontro Nacional de Ensino Pesquisa e Extensão (Enepe) e o Congresso Internacional de Fisiologia do Exercício, Nutrição e Reabilitação; na Universidade Federal do Piaui.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste