Extensão transforma o discurso em ação e isso faz diferença
Como parte das várias atividades do 11º Encontro Anual de Extensão (Enaext), que acontece nesta quinta-feira (24), no enceramento do Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão (Enepe), que começou na segunda-feira (21), ocorreu durante a manhã a última de três etapas do 6º Fórum Regional de Meio Ambiente da Unoeste. Esteve em debate o tema “Identidade profissional, interdisciplinaridade e desenvolvimento sustentável”. O ponto mais comum entre as falas dos palestrantes foi o de que a extensão transforma o discurso em ação, com a aplicabilidade da produção de conhecimento, e que isso faz a diferença.
No auditório Azaleia, as palestras foram do coordenador do mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Unoeste, Dr. Gustavo Maia Souza, e do diretor da Macal Consultoria Empresarial, Antônio Benedito Ângelo. Falas precedidas pela apresentação da síntese do fórum, feita pela Dra. Maria Helena Pereira que retomou a edição do ano passado para dizer dos compromissos assumidos e dos resultados alcançados com as atividades na graduação e pesquisa na pós-graduação. Sinalizou para o fórum de 2014 a inserção no debate sobre o fim dos lixões, em razão da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Biólogo e doutor em biologia vegetal, Maia abriu a palestra dizendo que a produção do conhecimento deve ser levada para a prática cotidiana e que a extensão é o canal no cumprimento desse papel da universidade. Falou sobre a formação de cidadãos comprometidos com as responsabilidades social e ambiental. Disse que o contexto dos problemas de meio ambiente é altamente complexo e que vai além dos recursos naturais, citando questões culturais, políticas, econômicas, sociais, tecnológicas e biológicas. “A verdade é que todas as dimensões que se pode imaginar estão no contexto ambiental”, pontuou.
Para Maia, a perspectiva ambiental naturalista é apenas parte do problema e os estudos exigem uma abordagem transdisciplinar. “Para começar a resolver um problema ambiental é preciso mudar o foco: do pensar para o praticar. É vazio o discurso que não gera solução ao problema. Os seres humanos precisam abandonar o reducionismo e adotar o pensamento sistêmico. O maior desafio está em criar uma totalidade efetiva não discursiva. O universo está altamente conectado. Para mudar a forma de pensar é preciso estabelecer o diálogo transdisciplinar, onde todos falam e agem”, comentou para dizer que as práticas ambientais devem ser vistas como missão.
Nesse aspecto, iniciou sua fala citando a missão da Unoeste que aponta a contribuição da universidade para a formação de profissionais cidadãos comprometidos com a responsabilidade social e ambiental. No âmbito geral do em ensino superior, enumerou três missões: 1- superar e limitação do ensino da formatação para a formação, 2- superar as limitações da pesquisa reducionista e descontextualizada e 3- superar as limitações da extensão assistencialista. Seu entendimento sugere romper paradigmas a partir de que o conhecimento não está restrito à sala de aula.
Modelo – O consultor dono da Macau é defensor da agroecologia como modelo agrícola do futuro, no conceito de matriz ecologicamente correta que contempla adubação orgânica e sistemas agricultura-floresta e agrosilvopastoril. Ângelo fala com a experiência de ter atuado em muitos projetos como o Itamarati, o maior assentamento de reforma agrária no Brasil com cerca de 10 mil famílias; realizações no semiárido nordestino e na Amazônia; atividades com populações indígenas na Venezuela e no Equador; consultoria na Organização das Nações Unidas (ONU) e há quatro anos está envolvido num projeto africano de produção de alimentos em Moçambique.
Classifica essa região da África como o último reduto da miséria absoluta no planeta terra, onde se produz pouco alimento e para isso são utilizadas ferramentas rudimentares. Não bastasse, os povos são acometidos de doenças graves como a malária, a tuberculose e a Aids. Lamenta que 854 milhões de pessoas no mundo passem fome, quando se poderia produzir em abundância, desde que respeitada a natureza. Sobre os maus tratos ao meio ambiente, exemplificou que numa terra intocada 1 grama tem 600 mil microrganismos, porém se houver queimada a redução varia entre 280 mil e 350 mil.
Sua compreensão sobre o profissional do futuro é de que seja alguém preocupado para que as pessoas vivam com dignidade, que esteja comprometido com a sustentabilidade do planeta e que para isso exercite as capacidades de ouvir, unir, construir, administrar, atualizar e facilitar. “As mudanças globais exigem interdisciplinaridade, pois não dá para pensar isoladamente as soluções para os diferentes problemas. E mais: é preciso sair da gramática e ir para a prática”, disse num apelo em defesa do desenvolvimento sustentável, com projetos socialmente justos, economicamente viáveis e ambientalmente corretos.
O debate estava reservado com as participações do coordenador do Programa de Mestrado e Doutorado em Agronomia da Unoeste, Dr. Fábio Fernando de Araújo, juntamente com os professores da graduação e pós-graduação na área, Dr. Edemar Moro e Neimar Rotta Nagano, o engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), Roberto Yassuo Shirasaki e o analista de desenvolvimento agrário da área ambiental da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), Jair Francisco Machado Filho. A pró-reitora de Extensão e Ação Comunitária, Angelita Lima, achou por bem fazer uma consulta pública e suspender em razão do adiantado da hora, com os nomes dos convidados anunciados pelo cerimonial conduzido pelo Dr. Antonio Fluminhan Júnior e com a logística de Cidinha Martines, Graziella Orosco e Juliene Orosco.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste