Fatores climáticos interferem na qualidade do sêmen bovino
Pesquisa com foco em proteínas constata quadro espermático superior em época de seca, em relação à de chuva
A qualidade do sêmen bovino oscila dependendo da época do ano, devido aos efeitos dos fatores climáticos. A médica veterinária Aline Aparecida Silva quis saber como isso ocorre na região de Presidente Prudente, comparando períodos secos e chuvosos. Ao desenvolver pesquisa com foco em proteínas, um dos componentes da gama de substâncias encontradas no sêmen, constatou quadro espermático superior em período de estiagem.
Os estudos foram desenvolvidos em 2010 na fazenda Santa Cecília e os resultados apresentados nesta quinta-feira (19) em banca de defesa pública do mestrado em Ciência Animal, programa vinculado à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da Unoeste. A pesquisadora analisou sêmens de dez nelores mochos PO (Pura Origem), com idade média de 24 meses, em pastagem extensiva e com sal mineral disponível.
Foram coletadas seis amostras de cada, em cada um de dois bimestres. Portanto, 60 no período seco e 60 no período chuvoso, formando um universo de 120 que foram minuciosamente analisadas nos laboratórios de Reprodução e de Biologia Molecular, na Unoeste, e no de Endocrinologia, no campus da Unesp em Botucatu.
Os registros pluviométricos da ocasião apresentaram 10,2 milímetros em agosto e setembro, quando da primeira etapa de coletas. Respectivamente, as temperaturas médias foram de 22,8 e 24,6 graus. Na segunda etapa, em outubro e novembro foram 58 milímetros, com temperaturas médias de 23,4 e 24,5 graus. Dados reveladores de que ficaram bem caraterizados os distintos períodos de interesse da pesquisa.
As constatações apresentaram diferenças significativas, com quadro espermático superior durante a seca, especialmente quanto à motilidade e concentração. Na seca a proteína no sêmen apresentou-se superior, numa proporção de 80% para 60%. Sobre os hormônios testosterona e cortisol as variações não foram significantes. “Embora o quadro espermático da seca seja superior, em ambas as estações o gado está apto à reprodução”, diz a pesquisadora aprovada para receber o título de mestre em Ciência Animal.
Para o orientador doutor Marcelo George Mungai Chacur a adaptação dos animais a fatores climáticos pode fazer com que alguns expressem melhores características no quadro seminal, resultando no aumento ou queda dos índices reprodutivos em um rebanho.
Todavia, explica que o resultado da pesquisa não é como receita de bolo e aconselha o criador que utilize de serviço médico veterinário para emissão de laudo técnico que pode variar de uma propriedade para outra, de um rebanho para outro. Diz que a gama de substâncias do sêmen devem estar em equilíbrio, entre as quais as proteínas, vitaminas, microelementos e tampões.
Compuseram a banca com o doutor Chacur, o diretor do curso de Medicina Veterinária da Unoeste, doutor Luiz Carlos Vianna, e o professor convidado junto às Faculdades Integradas Adamantinenses (FAI), Alexandre Wolf, que elogiou a pesquisa desenvolvida na Unoeste, evidenciando o valor do trabalho feito a campo e o fato de ter resultado na produção de dois artigos científicos.
Durante o anúncio do resultado de avaliação da banca esteve presente o coordenador do Mestrado em Ciência Animal, doutor Vamilton Álvares Santarém. Aline Silva é de Guarapuava/PR, formada médica veterinária pela Universidade Estadual do Centro Oeste do Paraná e fez na Unoeste a residência em reprodução animal. Ela leciona na Uniguaçu, em União da Vitória, na divisa do Paraná com Santa Catarina.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste