Geração G e geração IAG
big techs
O Google, que é hoje uma das maiores do planeta, nasceu em 1998 como uma ferramenta de busca na internet, que então começava a ser utilizada mais amplamente no Brasil. Em poucos anos “dar um Google” se tornou um termo familiar para quem usava a internet e buscava informações, empresas etc, em sites diversos.
Na medida em que os sites e conteúdos na internet aumentavam exponencialmente e também se popularizava a internet entre os estudantes, estes foram descobrindo que poderiam passar a dispensar algumas idas à biblioteca para as pesquisas de trabalhos escolares e acadêmicos no livros e revistas físicos. Bastava “dar um Google” com o tema do trabalho que deviam fazer e obter várias opções de sites e conteúdos, que podiam usar para elaborar o trabalho ou, simplesmente, fazer o copia-e-cola e imprimir com o nome.
“Dar um Google” ainda é bastante comum, além do uso das várias ferramentas que essa big tech oferece. Nas primeiras duas décadas deste milênio, as gerações X (nascidos entre 1965 e 1980) e Y (entre 1981 e 1996) se tornaram bastante dependentes da internet, dos sites e dos buscadores, especialmente, o Google, por isso, podem ser consideradas a “geração G”, de Google.
Como a tecnologia evolui na velocidade de corrida e a sociedade tenta acompanhar, o lançamento do ChatGPT no final de 2022 representou uma nova disrupção. A inteligência artificial não era novidade para os profissionais da computação, mas não havia se popularizado até então, apesar de alguns serviços, filmes etc. Quem se lembra da Skynet do filme Exterminador do Futuro?
O ChatGPT deu o passo inicial na inteligência artificial generativa, que passou a ser acessível aos usuários comuns da internet. Em seguida vieram Gemini do Google, Copilot da Microsoft e vários outros, bem como a incorporação dessas ferramentas em sistemas que já existiam, como o e-mail, WhatsApp, redes sociais etc.
A geração Z (entre 1997 e 2010), crescida num mundo digital, e a geração alfa (entre 2010 e 2024), que é dos nativos digitais (usuários desde a infância), podem ser considerados da nova “geração IAG”, de inteligência artificial generativa. Usam naturalmente e o tempo todo a internet, os app de comunicação (não apenas WhatsApp), app de vídeos, redes sociais, app de entregas, transporte e serviços diversos. Essa “geração IAG” tem a inteligência artificial generativa incluída como ferramenta indispensável para a criação de textos, mensagens, postagens, imagens, figuras etc.
Não se discute os benefícios da inteligência artificial generativa para o cumprimento de tarefas repetitivas e automatizáveis, economia de tempo, maior eficiência e produtividade acadêmica e profissional. Mas assim como nós humanos, ela também pode falhar. Para um estudante universitário que está em formação, usar a inteligência artificial generativa o tempo todo, lendo e analisando “o mínimo indispensável”, pode não ser a melhor atitude e estratégia para obter os conhecimentos básicos, específicos, as habilidade e competências indispensáveis para sua atuação profissional, a não ser que sua profissão futura seja, “desenvolvedor/gestor de IA”.
Jair R. Garcia Júnior é fisiologista (ICB-USP) e professor da Unoeste. jgjunior@unoeste.br | Instagram: @jairgarciajr.prof