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Grupo de pesquisa obtém nova patente de impacto tecnológico

A utilização de vinhaça como substituta de água na argamassa também tem relevância na área do meio ambiente


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Foto: Homéro Ferreira Dr. Fábio Friol e Dra. Jacqueline Tamashiro, pesquisadores do PPGMadre da Unoeste, integrantes do grupo responsável pela nova patente tecnológica.
Dr. Fábio Friol, líder da pesquisa; e Dra. Jacqueline Tamashiro, uma das integrantes do grupo de pesquisa

Grupo de pesquisa vinculado ao Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional (PPGMadre) da Unoeste, em parceria interinstitucional como a Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) campus da Unesp em Presidente Prudente, obtém em curto espaço de tempo uma segunda patente de impacto tecnológico.

A de agora é sobre a utilização de vinhaça da cana-de-açúcar, resíduo de alto potencial poluente, em substituição de 60% da água na produção de argamassa. A de novembro do ano passado com a substituição de 20% de cimento por cinza extraída de rerrefino de óleo lubrificante misturado com argila.

A obtenção de patente ocorre junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O processo foi submetido pelo Escritório de Apoio à Pesquisa e Inovação (Eapi), vinculado à Coordenadoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (CPDI).

Ambos incorporados à Pró-reitoria de Pesquia e Pós-graduação (PRPPG) da Unoeste. O grupo de pesquisa é liderado pela Dra. Ângela Mitie Otta Kinoshita. A pesquisa de patente atual foi conduzida durante do doutorado de Fábio Friol Guedes de Paiva. A anterior, foi no mestrado de Alex Ramos da Silva Bolsa, na Unesp.

Os dois são arquitetos e urbanistas. O mestrado de Alex teve a coorientação de Fábio. Outros envolvidos são a Dra. Jacqueline Roberta Tamashiro Berguerand Xavier, Dr. Silvio Rainho Teixeira, Dr. Lucas Henrique Pereira Silva e o doutorando Luís Fernando dos Santos, na Unesp. Pelo Eapi, a atuação é de Luciana Aparecida Polido Brambilla.

A parte prática da pesquisa ocorreu no Laboratório de Materiais de Construção, da Unoeste, com testes de resistência; em laboratório da Universidade de Córdoba (doutorado sanduíche), com testes de durabilidade; e no Laboratório de Caracterização em Gestão de Resíduos Sólidos, da Unesp, para analisar o processo de hidratação.

Tecnologia e sustentabilidade 

Conforme o Dr. Fábio, a patente recém conquistada é resultado de pesquisa interdisciplinar desenvolvida na área de tecnologia dos materiais e sustentabilidade. “Um dos maiores desafios quando trabalhamos com inovação é justamente encontrar lacunas ainda pouco exploradas pela ciência”, diz.

Acrescenta que isso ocorre, principalmente, quando o objetivo é gerar uma tecnologia realmente inédita e passível de proteção intelectual. Conta que o trabalho foi desenvolvido ao longo de aproximadamente três anos e meio, de 2019 a 2022. Período em que foi realizada extensa revisão da literatura.

Também aconteceram o planejamento e diversos ensaios laboratoriais, com a produção caracterizada em diferentes composições de argamassa, avaliando propriedades físicas, mecânicas e de durabilidade, até chegar à formulação que apresentou desempenho técnico satisfatório; com a vinhaça substituindo 60% da água.

O desenvolvimento do trabalho foi viabilizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio da bolsa de doutorado, que permitiu dedicação integral à pesquisa durante os estudos na Unoeste, em Presidente Prudente.

“A pesquisa coincidiu com o período da pandemia de Covid-19, o que trouxe dificuldades importantes, principalmente pela limitação de acesso aos laboratórios durante vários meses”, comenta em relação as medidas governamentais de isolamento social visando reduzir a propagação da doença.

“Mesmo assim, conseguimos dar continuidade ao projeto e, entre 2021 e 2022, tive a oportunidade de desenvolver parte desses estudos durante um período de pesquisa na Universidade de Córdoba, na Espanha, ampliando a experiência internacional e fortalecendo a qualidade científica do trabalho”, conta.

Foto: Homéro Ferreira Dra. Ângela Kinoshita, orientadora e líder do grupo de pesquisa que já gerou duas patentes
Dra. Ângela Kinoshita, orientadora e líder do grupo de pesquisa que já gerou duas patentes

Trajetória profissional

O Dr. Fábio diz que essa pesquisa teve um papel decisivo em sua trajetória profissional. “Além da produção científica e da concessão da patente, a experiência adquirida durante o doutorado, aliada ao período de pesquisa no exterior e ao apoio da Capes, consolidou minha atuação na área de inovação tecnológica”, afirma. 

Outro aspecto relevante, conforme pontua, é o de ter mostrado a importância de transformar conhecimento científico em soluções com potencial de aplicação prática. Isto posto, diz ter sido um conjunto de experiências que alavancou sua carreira como pesquisador e contribuiu diretamente com o início de sua atuação docente.

Em 2024, ingressou como professor e pesquisador no Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), no estado do Mato Grosso, onde atualmente desenvolve pesquisas nas áreas de mudanças climáticas, clima urbano e planejamento urbano sensível ao clima.

Também em inovação em materiais sustentáveis, buscando integrar diferentes áreas do conhecimento para propor soluções voltadas ao desenvolvimento sustentável. “Os resultados dessa trajetória se refletiram na captação de recursos para pesquisa e na ampliação das colaborações internacionais”, comenta.

Nos últimos anos, foi contemplado em importantes editais de fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre o que destinou R$ 117,240 mil para aquisição de equipamentos laboratoriais, bolsas de iniciação científica e participação em eventos científicos.

Mais recentemente, o Dr. Fábio foi aprovado em edital, pela mesma agência de fomento à pesquisa científica e tecnológica, que financiará um estágio de pós-doutorado de 12 meses na Espanha; a partir de setembro deste ano. Será o seu segundo pós-doutorado, sendo que o primeiro foi feito no PPGMadre. 

Construção civil

“Ambos os projetos estão voltados à descarbonização do setor da construção civil, dando continuidade às pesquisas iniciadas durante o doutorado e evidenciando como a inovação desenvolvida naquele período continua gerando novos projetos, parcerias e soluções científicas com potencial de impacto ambiental, tecnológico e social”, conta.

A Dra. Ângela explica que a substituição de água por vinhaça em percentuais crescentes foi com experimentos com variação de 20% em 20%, até 100%. . O que deu mais resistência da argamassa teste (vinhaça) e argamassa convencional foi a substituição da água no valor ideal de 60%.

O depósito do processo para obtenção de Carta Patente aconteceu em 2021. A publicação do artigo completo sobre a pesquisa se deu em 2023. O trabalho que resultou na conquista, com credencial de qualidade associado à inovação, é classificado pela líder do grupo como importante para os pesquisadores envolvidos, ao PPGMadre e à Unoeste

O desenvolvimento da inovação está entre os critérios de avaliação de programas de pós-graduação pela Capes; extremamente bem avaliado. “Inovação é dar um passo à frente do que já existe, contribuir com o avanço do conhecimento”, diz para evidenciar a relevância da obtenção de patente.

"A concessão desta segunda patente à Unoeste pelo Inpi premia mais uma vez o avanço científico do mestrado e doutorado do PPGMadre ao transformar o resíduo da vinhaça em matéria-prima para a construção civil”, comenta o pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão, Dr. Adilson Eduardo Guelfi.

“A Unoeste reafirma seu papel na vanguarda científica e tecnológica  aplicada à sustentabilidade. Esta conquista consolida nossa capacidade de gerar inovação tecnológica com impacto real e positivo para a sociedade", afirma o pró-reitor no sentido e reconhecimento ao trabalho do grupo de pesquisa.

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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