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Homeopatia: efeito placebo?


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Essa talvez seja a pergunta mais frequente quando o assunto surge em uma conversa. A resposta, porém, está longe de ser tão simples quanto muitos imaginam. Antes de qualquer conclusão, é preciso entender o que realmente é a homeopatia, como ela funciona e por que, apesar de mais de dois séculos de história e do reconhecimento como especialidade em diferentes profissões da saúde, ainda desperta tantas dúvidas e controvérsias.

Antes de qualquer julgamento, vale um esclarecimento importante: homeopatia não é fitoterapia. A fitoterapia utiliza medicamentos obtidos exclusivamente de plantas medicinais e segue uma linha de tratamento convencional. Já a homeopatia pode empregar substâncias de origem vegetal, mineral ou animal, preparadas por um método farmacêutico próprio, rigorosamente descrito em literaturas oficiais e sujeito a normas de qualidade tão exigentes quanto as de outros medicamentos.

Outro equívoco frequente é imaginar que a homeopatia seja uma prática sem respaldo profissional. No Brasil, ela é reconhecida como especialidade médica, farmacêutica, veterinária e odontológica. Existem cursos de especialização, normas técnicas para manipulação dos medicamentos, fiscalização pelos conselhos profissionais e regulamentação pelos órgãos competentes. Isso não significa que esteja acima de questionamentos científicos, aliás, nenhuma área da saúde deveria estar, mas significa que ela não pode ser reduzida a caricaturas ou desinformação.

Seu princípio mais conhecido é o da similitude: uma substância capaz de provocar determinados sintomas em uma pessoa saudável pode, quando preparada segundo a técnica homeopática, ser utilizada para estimular a recuperação de um paciente que apresenta sintomas semelhantes. A proposta não é combater diretamente a doença, mas favorecer uma resposta do próprio organismo. Trata-se de uma lógica diferente daquela adotada pela farmacologia convencional, razão pela qual muitas vezes causa estranhamento.

Como toda forma de cuidado em saúde, a homeopatia deve ser utilizada com responsabilidade, sendo prescrita por profissionais habilitados e com indicação adequada. Ela não substitui tratamentos indispensáveis quando estes são necessários, mas pode representar uma alternativa ou um recurso complementar em diversas situações clínicas, sempre considerando as características individuais do paciente.

A ciência avança justamente porque questiona, investiga e revisa conhecimentos. Isso também acontece com a homeopatia. Existem pesquisas favoráveis, estudos inconclusivos e críticas. Esse debate faz parte do processo científico e deve ser conduzido com evidências, não com preconceitos.

Em tempos de opiniões rápidas e informações superficiais, vale a pena reservar espaço para a curiosidade e para o conhecimento. Antes de formar uma convicção sobre qualquer tema, especialmente na área da saúde, é importante buscar informações de qualidade e conhecer diferentes perspectivas. Afinal, decisões relacionadas ao cuidado com a saúde merecem diálogo, reflexão e disposição para compreender temas que, muitas vezes, são mais complexos do que parecem.

Cristoffer da Silva Santana é farmacêutico, mestre, especialista em Homeopatia e docente de cursos de graduação e pós-graduação na área da saúde na Unoeste.

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