IA se torna aliada nos estudos e transforma aprendizado
Uso da tecnologia cresce entre universitários e abre novas possibilidades para aprender, pesquisar e se preparar para os desafios do mercado de trabalho
A inteligência artificial (IA) já faz parte do dia a dia de milhões de pessoas e, cada vez mais, tem sido utilizada como uma ferramenta de apoio aos estudos. Seja para esclarecer dúvidas, organizar conteúdos ou auxiliar na produção de trabalhos acadêmicos, a tecnologia vem transformando a forma como estudantes aprendem e se preparam para o futuro profissional.
Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), em parceria com a Educa Insights, revela que sete em cada dez estudantes universitários utilizam ferramentas de inteligência artificial em sua rotina de estudos.
Entre os principais motivos apontados pelos entrevistados estão a economia de tempo, a melhoria da qualidade dos trabalhos acadêmicos, a explicação de conceitos complexos, a produção de resumos de artigos científicos e a geração de ideias para pesquisas.
A estudante de Medicina da Unoeste, Rafaella Gomes, está entre os universitários que incorporaram a tecnologia à rotina acadêmica. Segundo ela, a inteligência artificial se tornou uma importante aliada para otimizar pesquisas e direcionar a busca por informações confiáveis.
“Eu utilizo a IA para filtrar informações e direcionar as buscas para fontes reconhecidas, como sociedades médicas, Ministério da Saúde, FDA, American Heart, PubMed e SciELO. Ela me apresenta os links e eu faço a conferência das informações. Com isso, consigo poupar bastante tempo durante as pesquisas”, relata.
Ferramenta para potencializar o aprendizado
Além de auxiliar na busca por conteúdos científicos, Rafaella passou a utilizar a tecnologia para criar questões inspiradas em provas de residência médica e no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).
“Eu informo qual assunto estou estudando e a inteligência artificial gera questões dentro daquele tema. Isso me ajuda a testar conhecimentos e identificar pontos que precisam de mais atenção”, explica.
De acordo com a estudante, a adoção dessas ferramentas trouxe ganhos significativos para seu desempenho acadêmico. “Antes eu passava muito tempo procurando bons materiais para estudar. Hoje consigo chegar mais rapidamente ao conteúdo que preciso, o que melhora meu rendimento e torna o estudo mais eficiente”, afirma.
A acadêmica também recorda uma situação em que a inteligência artificial foi decisiva para compreender um conteúdo complexo. “Eu estava com dificuldade para relacionar dois processos fisiológicos. Enviei uma imagem do material de estudo e a ferramenta apresentou uma explicação passo a passo, com referências. Aquilo me ajudou a enxergar o conteúdo por outro ângulo e finalmente compreender o assunto”.
Tecnologia amplia possibilidades, mas exige adaptação
Embora a tecnologia tenha se consolidado como uma importante aliada do aprendizado, especialistas destacam que seu uso deve ser consciente e complementar ao desenvolvimento das habilidades humanas.
Para a coordenadora do curso de Psicologia, professora doutora Camélia Santino Murgo, a inteligência artificial já vem provocando mudanças significativas na forma como as pessoas se relacionam com o trabalho e com a produção de conhecimento.
“A IA tem automatizado tarefas rotineiras e repetitivas, permitindo que as pessoas dediquem mais tempo a atividades que exigem criatividade, análise e tomada de decisão. Além disso, contribui para modelos de trabalho mais flexíveis e para o acesso rápido à informação”, explica.
Por outro lado, a professora ressalta que o avanço da tecnologia também gera desafios. Entre eles, o aumento da ansiedade e das incertezas relacionadas ao futuro profissional, especialmente diante do receio de que algumas funções sejam substituídas por sistemas automatizados.
Para Rafaella, a inteligência artificial pode ser uma excelente ferramenta de apoio, desde que não substitua o protagonismo do estudante no processo de aprendizagem. “A IA pode complementar os estudos, porque a capacidade de processamento atual é enorme. Mas o aprendizado precisa ser da pessoa. Quando o estudante passa a utilizá-la de forma passiva, apenas reproduzindo respostas, corre o risco de não desenvolver o raciocínio crítico e até repetir informações incorretas”, alerta.
O que a tecnologia não substitui
Apesar dos avanços da inteligência artificial, algumas características continuam sendo exclusivamente humanas. A criatividade, a intuição, a capacidade de criar vínculos e a tomada de decisões são exemplos de competências que permanecem essenciais.
“Os vínculos afetivos, a gratidão, o entusiasmo e a capacidade de compreender as emoções das pessoas fazem parte da experiência humana. A tecnologia pode apoiar processos e oferecer soluções, mas não consegue reproduzir a autenticidade das relações humanas e a subjetividade”, destaca Camélia.
Outro ponto importante, segundo Rafaella, é a necessidade de verificar sempre as informações apresentadas pelas plataformas. “Existe o fenômeno conhecido como ‘alucinação da IA’, quando a ferramenta cria respostas que parecem convincentes, mas são falsas ou inventadas. Por isso, é fundamental conferir as fontes e não depender exclusivamente dessas tecnologias”, orienta.
Para a professora Camélia, o futuro não está na substituição das pessoas pelas máquinas, mas na capacidade de utilizar os recursos tecnológicos de forma ética, crítica e responsável.
Inscrições abertas para o Vestibular
Na Unoeste, a formação acompanha as transformações da sociedade e do mercado de trabalho, preparando os estudantes para utilizar novas tecnologias de forma estratégica e responsável.
Os interessados em ingressar no ensino superior podem conhecer as oportunidades oferecidas pela universidade por meio do Vestibular 2026.2. Também é possível utilizar a nota do Enem como forma de ingresso em diversos cursos de graduação.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste