Jornada de Nutrição da Unoeste debate ciência e saúde
Evento reúne especialistas para discutir temas atuais, novas evidências científicas e desafios da atuação do nutricionista
A ciência da Nutrição está em constante transformação. Novas pesquisas, descobertas e desafios ampliam continuamente o campo de atuação dos profissionais e reforçam a importância da atualização permanente. Com o propósito de aproximar estudantes, pesquisadores e especialistas das principais discussões da área, a Unoeste promove a 35ª Jornada Científica de Nutrição.
Realizado entre os dias 31 de agosto e 2 de setembro, o evento reúne acadêmicos e profissionais para uma programação voltada à troca de conhecimentos, atualização técnico-científica, integração e networking. A Jornada conta com palestras e atividades que abordam temas contemporâneos e relevantes para diferentes áreas de atuação do nutricionista.
Para a coordenadora do curso de Nutrição da Unoeste, Marilda Moreira, o evento representa uma oportunidade de ampliar os conhecimentos construídos ao longo da formação acadêmica e aproximar os estudantes das transformações que acontecem na profissão.
“A Jornada é um momento para aproximar os estudantes das transformações e dos desafios que estão acontecendo na área. Ao reunir profissionais renomados e especialistas para discutir temas atuais, ampliamos o conhecimento construído em sala de aula e proporcionamos contato com diferentes perspectivas, experiências e possibilidades de atuação profissional”, destaca.
Ciência, pesquisa e pensamento crítico
Além da atualização profissional, a participação em eventos científicos também contribui para fortalecer a relação dos futuros nutricionistas com a pesquisa e as evidências que orientam a prática profissional.
Segundo Marilda, encontros como a Jornada funcionam como uma ponte entre o conhecimento produzido nas universidades e centros de pesquisa e os desafios encontrados no cotidiano da profissão.
“O estudante passa a perceber que a Nutrição é uma área dinâmica, em constante evolução, e que a prática profissional precisa estar fundamentada nas melhores evidências disponíveis”, afirma.
A coordenadora ressalta ainda que essa vivência contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico. “A Jornada ajuda a formar profissionais mais preparados para avaliar informações, diferenciar evidências científicas de opiniões e tendências sem fundamentação e tomar decisões mais seguras e responsáveis”.
A programação desta edição contempla discussões sobre temas que estão em evidência tanto no campo científico quanto na prática profissional, entre eles a abordagem nutricional e psicológica no Transtorno do Espectro Autista (TEA), o manejo da caquexia oncológica, a aplicação dos micronutrientes na prática clínica, a microbiota e a saúde da mulher e a dietoterapia sustentável.
“São temas que permitem ao estudante enxergar a Nutrição de forma ampla, interdisciplinar e conectada às demandas contemporâneas da sociedade”, explica Marilda.
Microbiota e saúde da mulher
Entre os assuntos em destaque está a palestra “Microbiota e Saúde da Mulher”, ministrada pela nutricionista Ilanna Marques. O tema aborda a influência desse complexo ecossistema de microrganismos em diferentes processos do organismo feminino.
Segundo a palestrante, a microbiota participa de funções importantes relacionadas ao metabolismo, à imunidade, à inflamação e também ao metabolismo de hormônios, como os estrogênios.
“Alterações nesse ecossistema podem se relacionar a diferentes aspectos da saúde feminina. O tema ganhou destaque justamente por mostrar que a saúde intestinal pode dialogar com diferentes fases e condições da vida da mulher”, explica.
A alimentação é um dos principais fatores capazes de influenciar a composição da microbiota intestinal. Para Ilanna, uma alimentação diversificada e baseada em alimentos in natura ou minimamente processados pode favorecer uma maior diversidade microbiana e a produção de metabólitos benéficos ao organismo.
“Uma dieta rica em fibras, frutas, verduras, legumes, grãos integrais e compostos bioativos tende a favorecer uma microbiota mais diversa. Essas escolhas continuam importantes em todas as fases da vida, embora as necessidades nutricionais possam mudar ao longo do tempo”, afirma.
Momentos como a gestação, o ciclo menstrual e a menopausa também merecem atenção especial. Isso porque essas fases são marcadas por mudanças hormonais e metabólicas que podem repercutir sobre a microbiota intestinal e também do trato genital.
“Na menopausa, por exemplo, a redução dos estrogênios está associada a mudanças metabólicas e microbianas que tornam essa relação especialmente interessante”, comenta.
Hábitos que fazem diferença
A manutenção de uma microbiota saudável não depende de uma solução isolada. Para a palestrante, o conjunto dos hábitos adotados ao longo da vida exerce um papel fundamental na saúde.
“Uma alimentação variada, com boa presença de alimentos vegetais e fibras, é uma das principais estratégias. A atividade física regular, o sono adequado, o manejo do estresse e o uso criterioso de medicamentos, especialmente antibióticos, também são importantes”, orienta.
Ela alerta ainda para o grande volume de informações compartilhadas nas redes sociais sobre saúde intestinal, probióticos e suplementos. Nesse cenário, o papel do nutricionista é essencial para diferenciar o que possui respaldo científico de promessas comerciais e tendências sem comprovação.
“É fundamental diferenciar evidência científica de promessas comerciais. Probióticos, prebióticos e outros suplementos podem ter indicações específicas, mas não devem ser prescritos de forma generalizada ou apenas com o objetivo de ‘equilibrar a microbiota’. O nutricionista precisa avaliar o paciente individualmente e basear suas condutas em evidências, evitando simplificações e modismos”, ressalta Ilanna.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste