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Por que a juventude está adoecendo tão cedo?


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A geração que cresceu conectada nunca esteve tão desconectada de si mesma. Antes mesmo de conquistar o primeiro emprego, milhares de jovens já apresentam sinais de ansiedade, exaustão e dificuldade de concentração. O fenômeno não é isolado; é resultado direto de uma vida mediada por telas, marcada pela comparação constante, pela hiperprodutividade e pela sensação permanente de insuficiência.

Vivemos em uma era de “ilusão de proximidade”, conectados vinte e quatro horas por dia, mas emocionalmente distantes, sem vínculos verdadeiros e duradouros. Ao mesmo tempo que as redes sociais aproximam, elas também expõem; ao unir, também comparam, oferecem acolhimento, mas cobram popularidade. Como construir uma identidade sob tantos holofotes? 

A modernidade líquida, livro publicado por Zygmunt Bauman em 2000, já previa o que estamos vivendo hoje com mais intensidade. A modernidade transformou as relações em vínculos frágeis e imediatos. Ser aprovado em cada postagem, curtida ou visualização tornou-se um recurso escasso, no qual vale tudo para conseguir mais um clique. Ao mesmo tempo que estamos tão juntos com milhares de seguidores espalhados pelo mundo, nunca nos sentimos tão sozinhos tendo, como companhia apenas o aparelho de celular. Essa solidão digital tem levado os jovens a desenvolverem ainda mais a ansiedade permanente, permeada pelo medo, medo de ficar para trás, de ser esquecido e de não ser bom o bastante para os seus milhares de seguidores. 

O tempo acelerado transformou o “estar sempre disponível” em virtude. Aplicativos de produtividade prometem eficiência, mas produzem jovens exaustos, sobrecarregados e emocionalmente drenados. O medo de errar consome toda a energia, e a procrastinação cresce não por preguiça, mas por sobrecarga. 

O resultado é uma geração que chega ao mercado de trabalho sem energia emocional. Falta foco, falta paciência e sobra comparação. Empresas notam jovens talentosos, porém ansiosos, com dificuldade de conviver em ambientes presenciais e de sustentar relações de trabalho saudáveis. 

Por isso, a tecnologia deve ser utilizada com intenção, limites e propósito. Pausas regulares, rotinas sem celular e cultivo de vínculos reais podem reduzir significativamente a ansiedade e esgotamento. A tecnologia não é o vilão, é o espelho. A geração da ansiedade não está adoecendo por fraqueza, mas por excesso de estímulos, de comparações, de pressão. O que resta? Encontrar o equilíbrio!

Valdecir Cahoni Rodrigues, Mestre em Administração, professor da Business School Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), graduando em Psicologia, autor de livros e consultor em Recursos Humanos.

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