Pré-Comeg promove simulação inédita de resgate na praia
Neste último sábado (29), uma simulação inédita de resgate e atendimento a vítimas de afogamento foi realizada durante o Pré-Comeg, atividade preparatória da Unoeste para o Congresso Médico Estudantil de Guarujá (Comeg). Sob comando do professor Gabriel Trindade, a ação reuniu 30 estudantes na Praia da Enseada e chamou a atenção de populares.
A iniciativa ganha relevância diante do cenário regional. Entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2026, Guarujá registrou 11 mortes por afogamento, enquanto a Baixada Santista concentrou 64 dos 79 óbitos registrados no litoral paulista, segundo levantamento do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar).
A simulação reproduziu a sequência de uma ocorrência, desde o resgate e a retirada da vítima do mar até a chegada ao atendimento especializado. A equipe médica do Samu também participou da atividade, aguardando a vítima e demonstrando aos estudantes como ocorre o recebimento e a continuidade do atendimento. A dinâmica contou ainda com atores reais na representação dos casos, dando mais veracidade às situações apresentadas e às discussões realizadas com os acadêmicos.
Na praia, os estudantes acompanharam a atuação dos bombeiros e, na sequência, participaram de procedimentos relacionados à reanimação, manejo de via aérea e oxigenação. A experiência permitiu observar, de forma integrada, as diferentes etapas do atendimento à vítima de afogamento.
Preparo e tomada de decisão
Responsável por coordenar as atividades de resgate, o sargento Lívio, do Corpo de Bombeiros, destaca a importância da integração entre os profissionais do salvamento e a equipe médica.
“Acho importante esse tipo de integração do serviço, da parte do guarda-vidas com o corpo médico. É importante também o pessoal entender o nosso trabalho quanto ao atendimento do suporte básico de vida. Não trabalhamos com equipamentos para fazer acesso, intubação ou nenhum tipo de procedimento invasivo”, explica.
Durante a atividade, os bombeiros demonstraram procedimentos de análise primária, reanimação cardiopulmonar (RCP), retirada e deslocamento da vítima. A experiência também mostrou aos estudantes como o profissional precisa tomar decisões rápidas após um salvamento, considerando as condições do paciente e o próprio desgaste físico provocado pelo resgate.
Para o sargento, o contato entre as equipes contribui para que os futuros médicos compreendam o que acontece antes da vítima chegar ao atendimento especializado.
“A mensagem é de um aprendizado mútuo”, afirma.
Prática fora da sala de aula
Para Yasmin Rocha, estudante do 7º termo de Medicina, a atividade aproximou os acadêmicos de uma situação que pode fazer parte da realidade profissional na região.
“Foi muito interessante ver isso na prática, porque as duas equipes sempre vão atuar em conjunto, especialmente morando no litoral”, afirma.
Segundo a estudante, vale a pena estudar Medicina desta maneira pois, o manejo de vítimas de afogamento nem sempre é vivenciado de forma prática durante a graduação.
No início da graduação, a experiência também trouxe desafios para Renzo Silva Pinto, estudante do 1º termo de Medicina. Ele conta que a estrutura da atividade superou suas expectativas e que ficou ansioso durante a simulação.
Ao realizar a intubação do manequim, o acadêmico teve dificuldade inicialmente, mas recebeu orientação da professora que o acompanhava e conseguiu completar o procedimento.
“A gente fica um pouco ansioso, não sabe por onde fazer. Eu errei no começo, porque não estava sabendo identificar, mas depois ela conseguiu explicar, e entendi como é que fazia”, relata.
Da praia ao atendimento médico
Professor de Clínica Cirúrgica, o Dr. Diego Garcia ressalta que o contato com situações de afogamento é importante para estudantes que serão médicos em uma cidade litorânea.
“Os nossos futuros médicos precisam ter contato com essa entidade do afogado. Eles precisam conhecer esse paciente, entender as particularidades, as dificuldades, os riscos e os desafios que existem nesse atendimento”, afirma.
Segundo o professor, embora seja uma ocorrência recorrente em regiões litorâneas, o tema pode passar despercebido na formação médica. A simulação permite que os estudantes compreendam o que acontece depois do resgate e estejam mais preparados para receber a vítima.
“Se algum dia eles forem atender um afogado depois desse tipo de treinamento, eu garanto para você que o atendimento vai ser muito mais preciso”, avalia.
A participação do Samu completou essa etapa da experiência, permitindo que os acadêmicos acompanhassem também a chegada da vítima e a continuidade do atendimento pré-hospitalar.
Atividade aproxima teoria e prática
Responsável pelo projeto, a professora doutora Fernanda Rodrigues explica que a proposta é integrar as diferentes etapas da assistência à vítima de afogamento, desde as primeiras medidas realizadas no local da ocorrência até a continuidade do atendimento.
“O atendimento à vítima de afogamento constitui uma situação de urgência e emergência que exige atuação rápida, segura e integrada, desde as primeiras medidas realizadas no local da ocorrência até o atendimento pré-hospitalar especializado e a continuidade da assistência no ambiente hospitalar”, afirma.
Após a etapa realizada na praia, os estudantes retornaram à faculdade no período da tarde para a continuidade das atividades em ambiente de simulação. Os casos, foram posteriormente discutidos com os acadêmicos, permitindo relacionar a experiência prática aos conhecimentos trabalhados durante a formação.
A atividade mostrou, assim, todo o percurso de um resgate de afogamento, aproximando os estudantes da realidade de uma ocorrência e do trabalho integrado entre bombeiros, Samu e equipe médica.
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Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste