Projeto apoia mães solo com formação e acolhimento
Iniciativa da Unoeste reúne formação profissional, assistência social e atividades para crianças, criando oportunidades para mulheres em situação de vulnerabilidade
O acesso à qualificação profissional pode representar um novo começo para mulheres que precisam conciliar a criação dos filhos com a busca por oportunidades de trabalho. Em Guarujá, o Projeto Tecendo o Afeto, desenvolvido pela Unoeste, propõe enfrentar um dos obstáculos dessa realidade: a falta de uma rede de apoio para cuidar das crianças enquanto as mães estudam. A iniciativa reúne formação, acolhimento e atividades infantis em uma programação que busca fortalecer a autonomia feminina.
Idealizado pela estudante do 4º termo da Faculdade de Psicologia da Unoeste, Maria Luiza Cyrillo Galletti Molari, em parceria com Claudiane Cristina dos Santos, assistente social da Prefeitura de Guarujá, o projeto começou a ser estruturado a partir de uma proposta elaborada por Maria Luiza. Com o apoio institucional da Unoeste, foi formada uma equipe com professores, estudantes e profissionais da assistência social para desenvolver as atividades.
“Elaborei o projeto e encaminhei à coordenação, que nos apoiou. Montamos uma equipe composta por nós estudantes e a assistência social de Guarujá. O projeto conta inicialmente com dez mães inscritas e previsão de acolhimento de aproximadamente 15 crianças”, comenta a idealizadora.
Os encontros são realizados às terças-feiras, das 17h às 19h, e seguem até 1°dezembro, com atividades organizadas em três eixos: Cuidar, Aprender e Gerar oportunidades.
Rede de apoio para mães e filhos
A proposta considera que a dificuldade de encontrar alguém para cuidar dos filhos pode limitar o acesso das mulheres à educação, à qualificação e ao mercado de trabalho. Por isso, o projeto estrutura um espaço infantil simultâneo às atividades das mães, com monitoria e participação de estudantes de Psicologia.
“Enquanto as mães solo estudam, os filhos ficam com a equipe Kids, em recreação e atividades lúdicas”, explica Maria Luiza.
A coordenadora da monitoria infantil, Bruna Melo dos Santos, também estudante do 4º termo de Psicologia, destaca que o acolhimento contempla os dois públicos. As crianças participam de brincadeiras, atividades artísticas e dinâmicas adequadas às diferentes idades, enquanto as mães podem se dedicar às oficinas.
“Muitas vezes, as mães querem muito aprender e não têm com quem deixar os filhos. Então, queremos abraçar esses dois públicos, promovendo um ambiente acolhedor para as crianças e uma rede de apoio para as mães”, afirma Bruna.
A jovem também ressalta a oportunidade de aproximar a formação acadêmica da experiência prática, com a participação dos alunos do curso no acompanhamento das atividades infantis.
Qualificação e autonomia feminina
A articulação com a rede socioassistencial do município é realizada por Claudiane, que contribuiu para identificar e encaminhar as famílias participantes. O público prioritário é formado por mães solo em situação de vulnerabilidade social, incluindo mulheres sem renda, com dificuldades de acesso à alimentação e que enfrentam outras situações de fragilidade social.
Segundo a assistente social, a falta de apoio no cuidado dos filhos é uma barreira que dificulta a participação dessas mulheres em atividades educacionais e oportunidades de desenvolvimento.
“A mãe solo, muitas vezes não acessa a educação porque não tem com quem deixar os filhos. A proposta é que elas encontrem uma rede de apoio para construir sua vida profissional a partir desse curso”, explica Claudiane.
A programação contempla oficinas de postura profissional, primeiros cuidados infantis, alimentação, higiene, prevenção de acidentes domésticos, elaboração de currículo e orientações sobre o mercado de trabalho. Também estão previstas rodas de conversa sobre maternidade, acolhimento emocional e orientação sobre os serviços socioassistenciais disponíveis no município.
As atividades são complementadas pelo Espaço Kids, que oferece desenho, pintura, brincadeiras, histórias e jogos educativos. Dessa maneira, o projeto busca integrar formação profissional, desenvolvimento infantil e fortalecimento dos vínculos comunitários.
Uma oportunidade de recomeçar
Entre as participantes está Camila Pinto, mãe de duas meninas, que está há dois anos sem trabalhar. Com experiência profissional principalmente na praia, ela vê no projeto uma oportunidade de ampliar os conhecimentos e preparar-se para novas possibilidades de atuação.
“Como estou há dois anos sem trabalhar, é muito bom para o meu currículo. Sempre trabalhei na praia, então já é um conhecimento a mais para quando eu voltar a trabalhar”, conta.
Camila também considera a participação uma oportunidade de retomar uma rotina de aprendizado. Ela relata que, antes de ter as filhas, já frequentava cursos, mas a realidade mudou depois que passou a morar sozinha com as crianças.
“Desde o primeiro dia, eu gostei muito. É muito bom ter essa oportunidade”, afirma. Sobre as perspectivas para o futuro, acrescenta: “Arriscar uma nova profissão é sempre bom”.
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Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste