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Setembro amarelo – vidas importam


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No mês de setembro as atenções são voltadas à valorização da vida por meio de atividades, campanhas, palestras para conscientização, acolhimento, ajuda e prevenção ao risco à saúde mental. Essas iniciativas são importantes ferramentas e fortes aliadas ao enfrentamento ao suicídio, por isso devem ser intensificadas por meio de ações que envolvam órgãos, entidades públicas e setor privado, porém o tema deve ser abordado de forma séria e científica, sem alarmismo e sem a disseminação de tabus.

Em 2017, o Ministério da Saúde publicou a agenda de ações estratégicas para vigilância e prevenção a esse tipo de morte e promoção da saúde no Brasil, com ênfase nas ações e atividades de prevenção, promoção da saúde mental, articulação inter e intrasetorial e comunicação. 

O Ministério da Saúde também destacou a necessidade de divulgação da prevenção durante o ano todo, com ênfase maior no mês de setembro, na vigência da campanha do Setembro Amarelo, por meio de debates, inserções de materiais e orientações à população, profissionais de saúde e da mídia em geral.

Em relação aos profissionais da mídia, o Ministério da Saúde apontou a necessidade de mobilização, sensibilização e qualificação, pois se trata de um grupo de formadores de opinião que podem ajudar na desconstrução e desmistificação do estigma relacionado aos casos e consequentemente podem contribuir para a prevenção. Porém, a mídia em geral pode funcionar como fator de propagação, pois algumas reportagens descrevem detalhes, locais e envolvidos e podem favorecer a ideação suicida.

Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que a publicidade aos casos deste tipo de morte, que dá ao indivíduo um curto momento de celebridade, é um fator que pode influenciar na decisão pelo suicídio, principalmente àqueles que apresentam um grau de vulnerabilidade.

No ambiente acadêmico, muitas instituições promovem a campanha, através de abordagens, treinamentos, acolhimento e acompanhamento aos que apresentarem predisposição ao comportamento suicida, no entanto, tais atividades não podem ficar restritas somente ao mês de setembro, mas sim devem perdurar durante o ano letivo e devem envolver profissionais, professores, de forma a conscientizarem e motivarem para saberem agir quando for necessário.

Dessa forma, é importante que ocorram ações, palestras, pesquisas internas sobre satisfação e insatisfação dos estudantes e que sejam criadas rodas de conversas e grupos de apoio que abordem os fatores de risco e de proteção. 

Por fim, as instituições devem promover essas campanhas de conscientização e prevenção, porém não podem ficar presas somente ao Setembro Amarelo, sendo necessário aproveitar outras datas importantes para demonstrar o cuidado à saúde mental dos estudantes, tais como o Dia da Mulher, o Outubro Rosa e o Novembro Azul.

Já no âmbito familiar é imprescindível que ocorra o bom relacionamento entre os familiares, para que, assim, os laços sejam estreitados, pois desta forma este ambiente acabará se tornando a rede de apoio ideal para a produção da sensação de segurança, conforto e confiança, primordiais para esse enfrentamento.

Talita Cristina Marques Franco Silva é doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo- Unifesp e docente da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).

 

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