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Sistema prisional: um alerta sobre infecção por tuberculose

Pesquisa demonstra frequência elevada entre servidores e reforça a importância de medidas, incluindo a prevenção


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Foto: Homéro Ferreira Lyvia Rafaella Takahara Vincoletto: tem dissertação aprovada para receber o título de mestre em Ciências da Saúde, pela Unoeste
Lyvia Rafaella Takahara Vincoletto: aprovada para receber o título de mestre em Ciências da Saúde

Recente defesa pública de dissertação resultante de pesquisa sobre a infecção latente por tuberculose (ILTB) em um grupo de servidores do sistema penitenciário, deixa o alerta ao demonstrar frequência elevada. Fato que reforça importância de medidas de prevenção, rastreamento e acompanhamento desses profissionais.

O estudo foi desenvolvido por Lyvia Rafaella Takahara Vincoletto, com o título “Variações genéticas do AIM2, perfil inflamatório e saúde mental em indivíduos com ILTB: influência da toxoplasmose latente”, orientada pela professora doutora Eliana Peresi Lordelo. 

A infecção latente ocorre quando uma pessoa entra em contato com a bactéria causadora da tuberculose, mas seu sistema de defesa consegue mantê-la sob controle. Assim, a pessoa não apresenta a doença, não tem sintomas de tuberculose e não transmite a bactéria, embora ela possa permanecer no organismo.

Em determinadas situações, a infecção pode evoluir para a forma ativa da doença e desenvolver os sintomas. Os servidores penitenciários constituem uma população importante para esse tipo de investigação, por trabalharem em um ambiente no qual pode haver maior exposição à tuberculose.

“Além de identificar a presença da infecção latente, a pesquisa procurou compreender alguns fatores que poderiam estar relacionados à maneira como o organismo responde a essa infecção”, diz a orientadora da pesquisa desenvolvida junto ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde, na Unoeste. 

Depressão, ansiedade e estresse

Diante do que, o estudo conduzido pela biomédica Lyvia investigou características genéticas e da resposta inflamatória, a presença de toxoplasmose latente, outra infecção bastante comum na população, e sintomas relacionados à depressão, ansiedade e estresse.

A pesquisa identificou que 36,25% dos servidores avaliados apresentavam infecção latente por tuberculose, ou seja, mais de um em cada três participantes havia tido contato com a bactéria e apresentava evidências da infecção, mesmo sem estar com tuberculose ativa.

“Também foi observada uma frequência elevada de toxoplasmose latente, presente em 60% dos participantes. A toxoplasmose esteve relacionada a diferenças em um marcador da resposta inflamatória do organismo chamado IL-1ß”, conta a orientadora para anunciar outro resultado.

Outro resultado interessante foi a identificação de que uma variação genética relacionada ao AIM2, componente do sistema de defesa que participa do reconhecimento de microrganismos e da ativação da inflamação, pode influenciar essa resposta inflamatória”, diz.

A variação genética estudada não determinou quem apresentava ou não a infecção latente por tuberculose, mas esteve relacionada a diferenças na resposta inflamatória em determinadas situações. Resultados que, conforme o estudo, ajudam a compreender que a resposta do organismo às infecções pode ser influenciada por diferentes fatores.

Foto: Homéro Ferreira Avaliadora presencial Dra. Thais Batista de Carvalho e a orientadora Dra. Eliana Peresi Lordelo
Avaliadora presencial Dra. Thais Batista de Carvalho e a orientadora Dra. Eliana Peresi Lordelo

Infeção latente em ?

Dentre os fatores estão características individuais e a presença simultânea de outras infecções. São resultados que reforçam a importância de ações de vigilância, prevenção e acompanhamento da tuberculose entre profissionais que trabalham no sistema penitenciário, uma vez que mais de ? dos servidores avaliados apresentou infecção latente.

“Identificar pessoas com infecção latente é importante porque permite que elas sejam avaliadas e acompanhadas de acordo com as recomendações de saúde, contribuindo para a prevenção da evolução para a tuberculose ativa”, conforme exposto pela Dra. Eliana que destaca a necessidade de outros estudos. Algo comum na produção científica.

“Os resultados relacionados à genética e à resposta inflamatória ainda precisam ser confirmados em estudos maiores antes de terem aplicação direta na assistência à saúde. Entretanto, a pesquisa contribui para ampliar o conhecimento sobre os fatores que podem interferir na resposta do organismo à infecção”, pontua.

Além do que, a pesquisa abre caminho para futuras investigações que busquem identificar pessoas com diferentes perfis de resposta imunológica. O estudo deixa o entendimento de que um dos principais benefícios é dar visibilidade à saúde dos trabalhadores do sistema penitenciário.

Trata-se de uma população profissional que pode estar mais exposta à tuberculose em razão das características do ambiente de trabalho. Além da prevenção, rastreamento e acompanhamento, a pesquisa compreende melhor como o sistema de defesa, as características genéticas individuais e outras infecções podem interferir na resposta à bactéria da tuberculose, além de contribuir para o avanço do conhecimento científico.

Estratégias mais direcionadas

“No futuro, estudos nessa área poderão auxiliar na identificação de marcadores capazes de indicar diferentes perfis de resposta à infecção e contribuir para estratégias de prevenção e acompanhamento cada vez mais direcionadas”; diz a orientadora, evidenciando o valor social do estudo desenvolvido por Lyvia.

“Dessa forma, a pesquisa une saúde do trabalhador, prevenção da tuberculose e investigação científica, produzindo conhecimentos que podem contribuir tanto para a proteção de profissionais expostos quanto para o aprimoramento das estratégias de controle da tuberculose”, afirma.

A avaliação da dissertação foi feita pelas professoras doutoras Thais Batista de Carvalho, da Unoeste, e Amanda Aparecida Silva de Aguiar, da Escola Técnica (Etec) Deputado Francisco Franco, que o Centro Paula Souza mantém na cidade de Rancharia, no oeste paulista.

Lyvia foi aprovada para receber o titulo de mestre em Ciências das Saúde, com realce à qualidade do estudo e relevância do tema cuja pesquisa teve 80 servidores participantes, sendo 57 homens e 23 mulheres que responderam a questionário socioeconômico e dos quais foram coletadas amostras de sangue para as análises. 

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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