Smart Farming Day impulsiona agricultura inteligente
1ª edição do Smart Farming Day apresentou tecnologias, pesquisas e sistemas produtivos para ampliar a competitividade do agronegócio regional
A combinação entre ciência, inovação e desenvolvimento regional ganhou destaque na 1ª edição do Smart Farming Day, realizada na Fazenda Experimental da Unoeste, em Presidente Prudente. O evento reuniu produtores rurais, pesquisadores, professores, estudantes de graduação e pós-graduação, além de representantes de empresas e instituições parceiras, em torno de um objetivo comum: construir uma agricultura mais eficiente, sustentável e conectada às novas tecnologias.
O encontro integra o projeto Smart Farm, desenvolvido pela Unoeste em parceria com a Associação Paulista dos Produtores de Algodão (Appa), que recebeu investimentos de aproximadamente R$ 3 milhões em máquinas, equipamentos e robôs agrícolas. A iniciativa terá duração de três anos e contempla pesquisas com algodão, soja, amendoim e milho.
Segundo o professor doutor Fábio Rafael Echer, coordenador do projeto, o propósito é aproximar o conhecimento científico da realidade do produtor.
“O Smart Farming Day foi criado para mostrar as potencialidades e os trabalhos que estamos desenvolvendo na construção de sistemas produtivos associados ao uso das novas tecnologias. Tudo isso com um único propósito, aumentar a sustentabilidade financeira e produtiva, garantindo a permanência dos produtores na atividade”, explica.
Durante a programação, especialistas apresentaram temas ligados à agricultura digital, melhoramento genético, cenários econômicos e novos sistemas produtivos desenvolvidos pela universidade.
Agricultura digital e novos sistemas produtivos
Entre os destaques do evento esteve a palestra do pesquisador Murilo Maeda, da Basf, que mostrou como ferramentas de agricultura digital, sensoriamento remoto, drones e robôs vêm sendo utilizados no melhoramento do algodão e no manejo das lavouras.
Na sequência, Dr. Fábio apresentou os resultados de uma década de pesquisas realizadas pela Unoeste. Depois do lançamento do sistema Amendoeste, que integra amendoim e algodão, a universidade apresentou o novo sistema ASA (Aveia, Soja e Algodão), desenvolvido para sucessão de culturas em áreas irrigadas.
“O sistema intensificado permite maior planejamento e segurança para o produtor. Hoje, pelos custos elevados e pelos riscos climáticos, não recomendamos mais o cultivo do algodão em sequeiro no oeste paulista. O caminho é a irrigação e a adoção de sistemas mais eficientes”, afirma o pesquisador.
Ele lembra que o custo de produção do algodão varia entre R$ 14 mil e R$ 15 mil por hectare e que os riscos precisam ser minimizados.
“É melhor testar os limites e as novas tecnologias em escala experimental do que na lavoura do produtor. Essa é uma das funções da universidade”.
Formação de profissionais é o principal legado
Além dos resultados científicos, Dr. Fábio destaca que o maior patrimônio construído ao longo dos dez anos de pesquisas é a formação de pessoas.
“A pesquisa é apenas o objeto. O protagonista é o aluno que está sendo formado. Hoje temos mais de 30 egressos atuando na região, levando conhecimento e auxiliando os produtores. Esse é o maior ganho para o desenvolvimento regional”.
As pesquisas são conduzidas por diferentes grupos, como o GEA, o Gpagro, o Ladai e o Amendoeste, coordenado pelo professor Carlos Felipe Cordeiro, integrando conhecimento em recomendações práticas para o setor produtivo.
Retomada da cultura do algodão
Representando a reitora Ana Cristina de Oliveira Lima, o pró-reitor Acadêmico da Unoeste, Dr. José Eduardo Creste, destacou que a parceria entre universidade e Appa vem promovendo uma verdadeira retomada da cultura do algodão na região.
“Quando cheguei a Presidente Prudente, há mais de 20 anos, a cultura do algodão estava em declínio por falta de tecnologia. Hoje vivemos um novo momento. A Fazenda Experimental se reposiciona como Smart Farming, conectada ao digital e à inovação. As pesquisas realizadas aqui extrapolam fronteiras e chegam ao Mato Grosso e ao sul do Estado de São Paulo”, afirmou.
Dr. Creste ressaltou ainda o papel da instituição na integração entre ensino, pesquisa e extensão. “A Fazenda Experimental da Unoeste está de portas abertas para todos. Nosso objetivo é levar tecnologia ao produtor e contribuir para o desenvolvimento regional”.
O diretor da Faculdade de Ciências Agrárias e coordenador do curso de Agronomia, professor doutor Carlos Sérgio Tiritan, definiu o projeto como um marco para o oeste paulista.
“Estou há 32 anos na universidade e sempre acreditei no potencial de transformação desta região. O Smart Farming representa uma grande mudança e pode colocar o oeste paulista no espaço de destaque que merece em São Paulo e no Brasil”.
Para ele, todos os participantes são agentes dessa transformação. “Há muita coisa interessante sendo construída aqui. Precisamos divulgar e mostrar ao Brasil aquilo que estamos fazendo”.
Conhecimento que ultrapassa os muros da universidade
O coordenador do Programa de Pós-graduação em Agronomia da Unoeste, professor doutor Edgar Henrique Costa Silva, reforçou a importância da aproximação entre universidade e setor produtivo.
“Formamos mestres e doutores altamente qualificados, mas também temos a missão de contribuir com o desenvolvimento regional. Os resultados produzidos aqui precisam ultrapassar os muros da universidade, e eventos como este fortalecem essa interação”.
O presidente da Appa, Petrus Daffara Veldt, destacou a longa parceria com a Unoeste e o potencial do Smart Farming. “Este projeto representa mais um degrau que estamos subindo. Está apenas começando, mas tem tudo para se tornar uma referência nacional e internacional em pesquisa e em parceria entre associação e universidade”.
Segundo ele, além do fortalecimento da cotonicultura, a iniciativa contribuirá para a formação de profissionais para todo o país. “Precisaremos dessas pessoas não apenas na nossa região, mas em todo o Brasil”.
Já o ex-presidente da Appa, Thomas Derks, ressaltou a satisfação em acompanhar a evolução dos trabalhos. “Os resultados começam a aparecer, e é gratificante saber que estamos contribuindo para desenvolver pessoas, pesquisas e a própria região. Isso mostra que estamos no caminho certo”.
Investimento e desenvolvimento regional
Entre os parceiros do projeto estão Appa, Basf, Stara, Bayer e Vista Alegre, além da Fundação do Oeste Paulista de Inovação (Fopi) e diversas empresas que contribuem para o financiamento das pesquisas.
Para Dr. Fábio Echer, a união entre tecnologia, irrigação e conhecimento é fundamental para elevar os índices de produtividade e impulsionar a economia regional.
“A agropecuária e a saúde são dois pilares econômicos da nossa região. Temos condições de enfrentar a pobreza por meio da tecnologia, do conhecimento e da educação. Tudo isso está inserido neste projeto. É algo grandioso”.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste