Uma oportunidade pode mudar uma história inteira
Certas escolhas que fazemos na vida começam muito antes de termos consciência de onde elas nos levarão. Minha história com a universidade começou na infância, em Rinópolis, no oeste paulista, a partir de inquietações que eu nem sabia explicar. Cresci observando o trabalho de minha mãe, que durante 20 anos foi monitora de crianças em uma creche da cidade.
Ao mesmo tempo, convivi com pessoas com deficiência intelectual em minha família e testemunhei situações de exclusão social e educacional que me incomodavam profundamente.
Foi dessa realidade que, aos 17 anos, decidi buscar respostas ingressando no curso de Licenciatura em Pedagogia, em Presidente Prudente. Deixei minha família, meus amigos e minha cidade natal. Trouxe comigo poucos pertences, mas muitos sonhos, entre eles o desejo de contribuir para uma educação mais inclusiva, capaz de reconhecer as diferenças e ampliar as oportunidades de cada pessoa.
Na universidade, descobri que o ensino superior poderia ser muito mais do que assistir às aulas, realizar provas e conquistar um diploma. Descobri um espaço de possibilidades. Durante a graduação, participei de projetos de extensão e desenvolvi pesquisa de iniciação científica sobre tecnologias digitais e inclusão de pessoas com deficiência.
Com apoio da Fapesp, essa experiência me aproximou da ciência. É por isso que, quando penso em iniciativas como o Concurso de Bolsas da Unoeste, não consigo enxergá-las apenas como uma oportunidade de reduzir o investimento necessário para cursar uma graduação. Uma bolsa pode significar muito mais: a possibilidade concreta de um jovem ingressar no ensino superior, permanecer nele e descobrir caminhos que talvez ainda nem imagine.
Na Unoeste, o estudante pode encontrar oportunidades de estágio, aproximando-se da realidade profissional e experimentando, na prática, aquilo que aprende em sala de aula. Pode participar de projetos de iniciação científica, aprender a investigar e produzir conhecimento. Pode integrar projetos de extensão, colocando seus conhecimentos a serviço da comunidade e aprendendo também com diferentes pessoas e realidades.
No meu caso, a universidade foi determinante para que uma inquietação nascida na infância se transformasse em uma trajetória acadêmica que continua até hoje. A Pedagogia me levou à pesquisa; a pesquisa, a novas perguntas; e essas perguntas me conduziram ao mestrado e ao doutorado. Por isso, falar sobre bolsas de estudo é falar também sobre democratização de oportunidades. Uma bolsa pode ser o primeiro passo para uma experiência profissional, um projeto de pesquisa, uma atividade de extensão, a construção de uma carreira e, principalmente, a realização de um projeto de vida.
Hoje, olhando para trás, percebo que aquela jovem de 17 anos que deixou Rinópolis para estudar em Presidente Prudente não tinha todas as respostas. Tinha muitas perguntas. E talvez essa seja uma das maiores riquezas da universidade: ela não entrega respostas prontas; oferece condições para fazermos novas perguntas e buscarmos caminhos para respondê-las.
É nesse sentido que vejo o Concurso de Bolsas da Unoeste como uma oportunidade que pode ultrapassar os limites de uma seleção ou de um benefício financeiro. Para muitos estudantes, pode representar a chance de iniciar uma história que ainda não foi escrita.
Talvez exista hoje um jovem ou adulto cheio de dúvidas, sonhos e perguntas sobre o próprio futuro. Talvez ainda não saiba exatamente qual caminho seguir. Mas, se tiver a oportunidade de chegar à universidade, poderá descobrir que seu futuro pode ser muito maior do que imaginava. Porque, muitas vezes, uma oportunidade não muda apenas o percurso acadêmico de uma pessoa. Ela pode mudar a história inteira.
Danielle Santos é coordenadora dos cursos de Pedagogia presencial e Semipresencial e docente do Programa de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) da Unoeste.