Motivar o professor é ponto de partida para melhorar ensino
É o que aponta autor de pesquisa realizada em escolas estaduais que atendem clientela de diferentes perfis
Para melhorar a qualidade do ensino básico no Brasil o primeiro passo é motivar o professor, até por ser o mais próximo a ser alcançado numa perspectiva de curto prazo. É o que pensa o administrador que atuou em grandes empresas e atualmente se dedica à docência, o consultor Willian Soares Silveira. Seu pensamento é solidificado numa pesquisa realizada em escolas estaduais e com o resultado apresentado em banca de defesa pública da dissertação “Motivação do Professor como Ferramenta Alavancadora da Qualidade do Ensino”, junto ao Programa de Mestrado em Educação, pela qual foi aprovada na manhã desta quinta-feira (6) na Unoeste.
Foram eleitas duas escolas de perfis diferentes. Uma na região central de Presidente Prudente, cuja clientela é formada por alunos predominantemente de famílias de classe média. Outra na periferia, onde a estratificação social é inferior, econômica e socialmente. Professores, coordenadores e diretores foram entrevistados. Os questionamentos estiveram voltados para saber como ofertar melhor qualidade de ensino, através da apuração de fatores de satisfação e de motivação, incluindo sugestões de metas desafiadoras coletivas e individuais.
Em síntese, depurou-se que os professores não são motivados por fase de carreira, que mais da metade escolheu a profissão por vocação, que todos conhecem as leis sobre seus direitos e obrigações e que a valorização da profissão e a remuneração estão interligadas. Os problemas, de forma geral, são os mesmos de recente pesquisa nacional do Ibope: profissionais mal pagos e desmotivados, falta de segurança nas escolas e grande número de escolas com falta de professores. Enfim, o Estado é colocado como mau gestor.
Outra questão é o distanciamento da família não só da escola, mas também das tarefas dos filhos. Pais manifestam mais preocupação com a segurança do que com a educação. Resultados de avaliações nacionais, pontuam algumas cidades brasileiras onde o ensino vai bem. Para o que, Silveira se sustenta em opiniões de estudiosos da educação, e diz que o país é muito grande para viver de exceções. Também faz eco às críticas ao Plano Nacional de Educação (PNE), pela morosa discussão no Congresso Nacional e sem participação popular.
“O PNE ficou 18 meses em discussão no Congresso, sem participação popular. Sua proposta eleva o PIB da educação de 5% para 10% e estabelece a meta de erradicar o analfabetismo absoluto. Porém, lá no meio da lei está escrito que são dez anos para atingir a meta. Também precisamos levar em conta que não é considerado analfabeto quem lê e escreve, ainda que seja com dificuldades”, comentou. São situações que reforçam o pensamento sobre a necessidade de investir no professor em primeiro lugar, para se buscar resultados num curto prazo.
A pesquisa bibliográfica para elaboração da dissertação passou por autores de renome internacional sobre motivação humana individual e no trabalho e sobre motivação do professor ao longo da carreira. Ao final, apresentou sugestão de plano de ação para melhorar a qualidade do ensino básico no Brasil, que começa com a elevação para 20% do PIB na educação, considerando que em países de primeiro mundo são 25%. Fala ainda em gestão profissional centralizada e plano de carreira a longo prazo.
Entende que o início de reversão deve ser em pequenos municípios. Defende lei que garanta a manutenção dos objetivos por no mínimo 25 anos. Propõe a formação de grupos de trabalho regionais e um nacional, eleito por colégio de educadores reconhecidos, para formular propostas. Outros três tópicos são: despolitização da educação; aprovação do plano de metas e compromisso de longo prazo, com recompensas e punições; e a participação da família na educação dos seus filhos, com obrigação estipulada por lei.
Silveira é graduado pela Universidade de São Paulo (USP), onde também fez MBA internacional e atuou em atividades de extensão nos Estados Unidos, na Inglaterra e na França. Ocupou cargos de direção na Votorantim, Sonoco e Ripasa Papel e Celulose, atuando em diferentes regiões do Brasil. Encontra-se há quatro anos em Prudente, devido ao casamento com a advogada Claudete Ruiz. Leciona e coordena curso no Senac, razão que o motivou a fazer o mestrado no programa junto à Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Unoeste.
Orientado pelo doutor José Camilo dos Santos Filho, Silveira foi avaliado pela doutora Ivone Tambelli Schmidt, da própria instituição, e pelo convidado externo junto à Faculdade de Ciência e Tecnologia (FCT), o campus da Unesp em Prudente, doutor Cristiano Amaral Garbboggini Di Giorgi que apresentou alguns contrapontos à dissertação, por discordar de pensamentos de alguns autores citados na pesquisa, inclusive os com aceitação nos Estados Unidos “que têm as melhores universidades do mundo e estão longe de terem o melhor ensino básico do mundo”.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste