Jornada de Fonoaudiologia debate saúde na velhice
Especialistas discutem alterações que afetam a autonomia e a convivência social, além da importância da prevenção e do atendimento integrado
Dificuldades para engolir, alterações na memória e perda auditiva podem comprometer a alimentação, a comunicação e a convivência social de pessoas idosas. Embora sejam frequentemente associadas ao avanço da idade, essas condições precisam de avaliação profissional e, em muitos casos, de intervenção especializada. O tema está em discussão na 16ª Jornada de Fonoaudiologia da Unoeste, que começou nesta quarta-feira (14) e segue até esta sexta-feira (16), com atividades voltadas aos desafios do envelhecimento e ao cuidado integral à pessoa idosa.
A programação reúne profissionais de diferentes áreas da saúde em três rodas de conversa, no Teatro César Cava. Os encontros têm o objetivo de aproximar conhecimentos e experiências sobre situações presentes na rotina de atendimento à população idosa. O tema do primeiro dia foi “Envelhecimento, Linguagem e Deglutição: um Olhar Interdisciplinar sobre o Cuidado à Pessoa Idosa”.
Para a coordenadora do curso de Fonoaudiologia, professora doutora Sandra Silva Lustosa Dearo, a atenção especializada é fundamental porque duas necessidades básicas podem ser diretamente afetadas pelo envelhecimento: comunicar-se e alimentar-se.
“Cuidar da saúde fonoaudiológica do idoso não é apenas tratar uma alteração física, mas garantir a manutenção da sua dignidade, autonomia e qualidade de vida ao longo do processo de envelhecimento”, afirma.
Alterações que exigem atenção
Entre as principais demandas da Fonoaudiologia está a disfagia, caracterizada pela dificuldade de engolir. Segundo Sandra, o problema pode provocar complicações graves, como desnutrição, desidratação e pneumonias aspirativas. O acompanhamento profissional busca tornar a alimentação mais segura e reduzir riscos à saúde.
A coordenadora chama a atenção para a necessidade de não naturalizar esses sinais. “Um dos principais desafios é conscientizar a população de que dificuldades de fala, memória, audição ou deglutição não devem ser consideradas apenas consequências naturais do envelhecimento. Essas alterações precisam ser avaliadas de forma adequada por profissionais de saúde”, ressalta.
A prevenção, a intervenção precoce e a orientação a familiares e cuidadores fazem parte desse cuidado. O acompanhamento também considera a história de cada pessoa e os efeitos que as alterações podem provocar na rotina, nas relações e na independência.
Comunicação, alimentação e autonomia
A saúde auditiva tem papel importante na conexão com familiares e outras pessoas. Quando a perda auditiva dificulta a compreensão das conversas, o idoso pode se afastar do convívio social. A reabilitação busca favorecer a comunicação e a participação nas atividades cotidianas.
A linguagem também está relacionada à autonomia, pois compreender informações e expressar vontades permite participar de decisões sobre a própria vida. Na alimentação, a reabilitação da deglutição procura oferecer mais segurança sem desconsiderar o prazer e o significado afetivo das refeições.
Nos cuidados paliativos, a atuação fonoaudiológica se volta ao conforto, ao alívio do sofrimento e à preservação da dignidade. O acompanhamento pode ajudar a manter formas funcionais de comunicação entre paciente, família e equipe de saúde, além de adaptar a alimentação de acordo com as condições e os desejos da pessoa atendida.
“Buscamos manter vias de comunicação funcionais entre o paciente, a família e a equipe, além de proporcionar prazer alimentar de forma segura e adaptada enquanto for possível, respeitando sempre os desejos e limites de cada pessoa”, explica Sandra.
Trabalho em equipe no cuidado à pessoa idosa
A programação da Jornada de Fonoaudiologia propõe a discussão conjunta de diferentes especialidades para mostrar como as necessidades da pessoa idosa se relacionam. Uma alteração na deglutição, por exemplo, pode exigir acompanhamento fonoaudiológico, avaliação médica e orientação nutricional, considerando também possíveis efeitos dos medicamentos utilizados.
Para Sandra, essa integração ajuda a evitar um atendimento fragmentado e favorece decisões mais completas. Na formação acadêmica, o contato com profissionais de diferentes áreas amplia a compreensão dos estudantes sobre o trabalho colaborativo, tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto no setor privado.
A coordenadora espera que o encontro contribua para uma atuação técnica e humanizada, baseada em evidências científicas e no respeito à trajetória de cada paciente. A proposta também é ampliar a compreensão de que envelhecer não significa necessariamente perder qualidade de vida ou aceitar limitações sem buscar avaliação e acompanhamento.
Programação
As rodas de conversa são realizadas das 19h às 22h, no Teatro César Cava. Cada encontro aborda uma dimensão do cuidado à pessoa idosa:
15 de outubro: “Saúde Auditiva da Pessoa Idosa: uma Abordagem Interdisciplinar”.
16 de outubro: “Cuidar Além da Cura: Cuidados Paliativos e Interdisciplinaridade na Pessoa Idosa”.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste