Manejo adequado eleva qualidade da produção de batata-doce
Universidade apresenta pesquisas aplicadas durante a Batatec e reforça seu papel no desenvolvimento da principal cadeia produtiva da Alta Sorocabana
Quando o assunto é batata-doce, produzir mais não depende apenas de boas condições climáticas. A escolha das mudas, o preparo do solo, a irrigação, a adubação e o manejo fitossanitário são decisões que determinam diretamente a produtividade, a qualidade das raízes e a rentabilidade da lavoura. É justamente sobre esse conjunto de boas práticas que o professor doutor Edgard Henrique Costa Silva, da Unoeste, falou durante a Batatec 2026, maior feira tecnológica da cadeia produtiva da batata-doce no Brasil.
A palestra "Boas práticas de manejo na cultura da batata-doce" foi realizada nesta sexta-feira (24) e apresentou aos produtores resultados de pesquisas desenvolvidas pela universidade, além de orientações práticas para reduzir custos, aumentar a produtividade e tornar o cultivo mais eficiente e sustentável.
Segundo o professor, que atua em cursos de Ciências Agrárias na universidade, um dos maiores equívocos é acreditar que existe uma fórmula única para todas as propriedades. "Muita coisa influencia a produtividade e a qualidade da batata-doce. É um conjunto de ações e decisões que o produtor toma. Preparo do solo, época de plantio, adubação, irrigação e manejo de pragas e doenças são fatores que fazem toda a diferença", pontua.
Outro ponto que merece atenção, segundo ele, é a adoção de um manejo específico para cada realidade. "O manejo não pode ser generalista. Cada solo é diferente, cada cultivar responde de uma forma e cada época do ano exige estratégias distintas. O produtor precisa entender essas diferenças para explorar todo o potencial da cultura", destaca.
Pesquisa aplicada às necessidades do campo
As recomendações apresentadas pelo professor são resultado de pesquisas que vêm sendo conduzidas na Unoeste por docentes e estudantes da graduação, mestrado e doutorado. Edgard coordena os estudos relacionados à cultura da batata-doce, mas destaca que existe um grupo de pesquisadores atuando em diferentes frentes, como manejo, irrigação, adubação, fertilidade do solo, propagação in vitro, clima e melhoramento genético.
"O que buscamos é trabalhar sempre com as dores do produtor. Primeiro identificamos quais são os problemas enfrentados no campo e, a partir disso, estruturamos pesquisas para encontrar soluções que realmente possam ser aplicadas nas propriedades", esclarece.
Além da produção científica, o professor participa da organização de simpósios nacionais e internacionais sobre a cultura e integra o comitê gestor responsável pelo processo de Indicação Geográfica da batata-doce da região de Presidente Prudente.
Pequenas decisões, grandes resultados
Entre os principais erros observados nas propriedades está a utilização de mudas sem qualidade adequada.
Segundo o pesquisador, esse fator compromete toda a lavoura. "A muda influencia completamente a sanidade, a ocorrência de pragas e doenças e o potencial produtivo. Por isso, é fundamental selecionar um bom material propagativo e fazer sua renovação periodicamente", explica.
Ele explica que um manejo técnico adequado também representa economia para o produtor. "Quando sabemos exatamente quanto e quando irrigar, reduzimos custos, evitamos desperdício de água, diminuímos perdas na pós-colheita e aumentamos a produtividade. O mesmo vale para a adubação e para a correção do solo", norteia o professor.
Batata-doce movimenta a economia regional
A discussão ganha ainda mais importância porque Presidente Prudente lidera a produção paulista de batata-doce e figura entre os principais polos nacionais da cultura.
Segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), São Paulo produziu mais de 158 mil toneladas em 2023, em uma área superior a 10 mil hectares. A Alta Sorocabana concentra grande parte dessa produção e se destaca pela adoção de tecnologias como drones, mecanização e cultivares biofortificadas.
A qualidade da produção também impulsiona as exportações para países como Holanda, Canadá, Uruguai e Argentina, enquanto o processo de Indicação Geográfica (IG) entra na fase final e deve agregar ainda mais valor ao produto regional.
Batatec reúne inovação e tecnologia
Realizada entre os dias 23 e 26 de julho, no Centro de Eventos do IBC, a Batatec chega à sétima edição consolidada como a maior feira tecnológica da batata-doce do Brasil. O evento reúne produtores, pesquisadores, empresas, estudantes e profissionais do agronegócio para discutir inovação, sustentabilidade e novas tecnologias para a cadeia produtiva.
A expectativa da organização é receber cerca de 80 mil visitantes, além de apresentar novos produtos, soluções para o campo e tecnologias que conectam pesquisa e produção.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste