Modelo educativo cubano reflete problemas vividos pelo país
Vários fatores afetam as universidades enquanto centros de pesquisa e de construção do conhecimento
Os problemas históricos vividos por Cuba, especialmente os econômicos decorrentes de embargos de outros países pela adoção do sistema socialista, refletem no seu modelo educativo que é público, laico e gratuito para todos os níveis de ensino. As universidades são estatais e, por isso, comprometidas com a ideologia do país. Esse é um dos vários fatores que as afetam como centros de pesquisa e de construção do conhecimento. São fatos que foram expostos na segunda de três conferências do 1º Congresso Internacional de Educação da Unoeste, pela pesquisadora cubana Maria Glória Fabrejat Rodriguez, da Universidade de Cienfuegos, que discorreu sobre o sistema de educação em seu país e o atual modelo educativo relacionado aos desafios em temas ambientais, econômico e de políticas públicas.
Na conferência realizada nesta quinta-feira (19), no auditório Azaleia, campus II da universidade, a Dra. Maria Glória fez uma introdução geral, apresentou o perfil socioeconômico de Cuba, abordou o ensino no seu país e pontuou legados pedagógicos extraídos das construções científicas do brasileiro Paulo Freire, do cubano José Martí e do francês Edgar Morin; e de recente manifestação do argentino Papa Francisco, numa oração durante visita à Cuba, em maio deste ano. A fala da geógrafa foi iniciada com oferta de uma visão sobre o mundo após os anos 70 e o novo saber, responsável pela ruptura com o modernismo que vinha desde o século 15.
Falou ainda sobre o ambiente holístico, a epistemologia crítica, a hermenêutica e a sociedade do conhecimento centrada no determinismo tecnológico. Pontuou sobre a ocorrência de grande confusão entre sociedade do conhecimento e sociedade da informação, para dizer que o conhecimento busca compreender dimensões muito mais densas; inclusive como bem público que deve estar à disposição de todos. Classificou o conhecimento como relevante para a vida contemporânea; plenamente vinculado à investigação científica e com importância socioeconômica no contexto de inovações e de igualdade entre os países e sociedades.
Sobre a produção do conhecimento nas universidades, fez uma divisão em dois módulos. O primeiro, identificado pela pesquisa tradicional, de caráter disciplinar, homogêneo e hierárquico. O segundo, transdisciplinar, heterogêneo e que rejeita padrões de verdades pré-estabelecidas; comprometido com o entorno social e comunitário; e com as transferências de conhecimento e de tecnologias. O cenário atual cubano apresenta modelo pedagógico que propõe a evolução da universidade. Embora o país tenha estruturas administrativa e política centralizadas, prega-se a participação cidadã na promoção de políticas públicas e para a solução de problemas como os da legislação desatualizada e da deficiente fiscalização.
Um problema muito sério é o da situação demográfica, com alto índice de envelhecimento e estagnação populacional. Além da mortalidade, a taxa de natalidade é muito baixa. A população prevista para 2025 é de 11 milhões, a mesma desde 2005. Mesmo com estímulo estatal para a reprodução, que oferece licença remunerada aos sete meses da gestação até a criança completar 1 ano de vida, as mulheres não querem ter filhos. Existe ainda o alto índice de migração dos jovens, sem oportunidade e esperança, que buscam outros países. Os estudos são obrigatórios em dois níveis: primário, dos 6 aos 11 anos, e secundário básico, dos 12 aos 14 anos, que possui vinculação com atividade agrícola. A pré-escolar, do zero aos 6 anos, não tem caráter obrigatório. O jovem cubano faz a pré-universidade dos 15 aos 18 anos.
Também são ofertados cursos de formação técnica profissional, especial, para adultos e de formação pedagógica. Os cursos da área de saúde estão vinculados à tradição da medicina preventiva. No geral, o modelo pedagógico vigente contempla a economia solidária e a educação ambiental. Ao final da conferência, mediada pelo Dr. Marcos Vinícius Francisco, a Dra. Maria Glória esteve aberta às perguntas. No agradecimento final, a Dra. Fátima Salum disse que a conferencista ofereceu muitas informações, análises e conhecimento, com abordagem em educação, tecnologia e meio ambiente; contribuindo em muito para os debates do congresso aberto na quarta-feira (18) à noite e que prossegue até esta sexta-feira (20).
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste