Mostra científica destaca impacto social em Guarujá
Pesquisas e projetos extensionistas apontam caminhos para enfrentar desafios da saúde pública e ampliar o acesso ao cuidado
A I Mostra de Trabalhos Científicos da Unoeste Guarujá reuniu estudos desenvolvidos por alunos e professores com foco em temas como saúde materno-infantil, prevenção de doenças, qualidade de vida e humanização do cuidado, reforçando a conexão entre universidade e comunidade.
Com dados que refletem a realidade local e propostas aplicáveis, os trabalhos evidenciam como a produção científica pode contribuir para a compreensão de problemas sociais e para o desenvolvimento de soluções que impactam diretamente a população de Guarujá.
De acordo com a professora doutora Fernanda Machado Rodrigues, responsável pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão, a mostra vai além da apresentação de resultados acadêmicos.
“É um espaço dedicado à divulgação das pesquisas originais e das ações extensivas desenvolvidas na universidade, promovendo o diálogo com os setores parceiros do município e estimulando reflexões que podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida”, destaca.
Ciência aplicada à prática
Os trabalhos apresentados refletem uma forte conexão com os desafios da saúde pública na Baixada Santista, abordando desde intervenções clínicas até fatores sociais que impactam diretamente a população.
A programação incluiu pesquisas que analisam fatores ambientais e sociais, como os impactos da poluição na saúde de idosos e estudos sobre mortalidade neonatal com base em análise espacial. Os dados reforçam a influência das desigualdades territoriais e das condições socioeconômicas nos indicadores de saúde.
Entre os destaques, pesquisas voltadas à saúde materno-infantil chamaram atenção pela relevância dos dados e pelo potencial de impacto. Estudos epidemiológicos apontaram, por exemplo, prevalências significativas de sífilis gestacional e congênita no município, associadas a vulnerabilidades sociais e com impacto direto em desfechos neonatais, como o aumento do risco de óbito fetal e neonatal.
Uma das pesquisas indicou que, embora o número de consultas seja um indicador tradicional de acompanhamento, ele não se mostrou suficiente para prever desfechos como prematuridade e baixo peso ao nascer, reforçando a necessidade de avaliar a qualidade da assistência oferecida às gestantes.
Ainda no campo materno-infantil, estudos analisaram hábitos de vida durante a gestação e sua influência no aleitamento materno, evidenciando que fatores como consumo de álcool podem impactar negativamente esse processo, enquanto o acompanhamento pré-natal adequado e o suporte familiar contribuem positivamente.
Humanização e inovação
A mostra também trouxe abordagens inovadoras voltadas à humanização do atendimento. Um dos trabalhos avaliou o impacto de intervenções artísticas em pacientes hospitalizados, demonstrando melhora significativa no bem-estar subjetivo após atividades como música, teatro e poesia. A iniciativa reforça a importância de estratégias que vão além do tratamento clínico tradicional.
Outro destaque foi a capacitação de gestantes com foco no desenvolvimento infantil, baseada em práticas acessíveis e de baixo custo. A ação evidenciou o potencial de intervenções educativas na atenção primária, promovendo vínculo e ampliando o conhecimento das futuras mães.
Extensão universitária
As ações extensionistas também tiveram papel central na mostra, evidenciando o compromisso social da universidade. Projetos como atendimentos comunitários e iniciativas voltadas a populações vulneráveis demonstraram resultados expressivos, com milhares de atendimentos realizados e serviços que vão desde assistência básica até ações de promoção social.
Além disso, iniciativas de formação de lideranças comunitárias mostraram que a capacitação em saúde pode ampliar o alcance das informações e contribuir para a prevenção de agravos, embora os estudos apontem desafios na manutenção do conhecimento a longo prazo.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste