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Estudo com bergamota conquista prêmio científico em Prudente

Experimento conduzido com ratos aponta potencial terapêutico do fruto; pesquisadora e professor da universidade conquistam o primeiro e o segundo lugares da premiação


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Foto: Cedida Rafaela da Cunha Pirolla recebe o prêmio durante evento, em Presidente Prudente
Rafaela conquistou o primeiro lugar com pesquisa que investiga os efeitos do extrato de bergamota sobre danos renais associados à obesidade

Uma pesquisa experimental que investiga os efeitos do extrato de bergamota sobre os danos renais associados à obesidade conquistou o primeiro lugar no Prêmio Científico Marlene Spir 2026, realizado em Presidente Prudente. O trabalho é da estudante de Medicina, Rafaela da Cunha Pirolla, desenvolvido na Unoeste, e aponta potencial terapêutico do fruto para futuras investigações sobre doenças renais.

O reconhecimento foi entregue na última sexta-feira (16), durante cerimônia na Associação Paulista de Medicina (APM) – Regional Presidente Prudente. A pesquisa ficou à frente de outros trabalhos da área da Saúde, em uma edição que, segundo a pesquisadora, recebeu 11 estudos concorrentes. O professor doutor Vamilton Alvares Santarém, da Medicina Veterinária da Unoeste, conquistou o segundo lugar com uma investigação sobre a presença de Toxocara spp. em uma comunidade indígena.

O estudo vencedor parte de uma questão relevante para a saúde pública: a obesidade pode provocar alterações em diferentes órgãos, inclusive nos rins, e contribuir para o desenvolvimento de doença renal crônica. Diante desse cenário, os pesquisadores investigaram se o extrato de Citrus bergamia, conhecido como bergamota, poderia reduzir os danos associados à condição. “Consideramos a Citrus bergamia como uma possibilidade de tratamento e uma alternativa viável para reduzir os danos renais associados à obesidade”, explica Rafaela.

Resultados apontam potencial terapêutico

A investigação foi realizada com ratos no Departamento de Patologia da Unoeste, sob orientação da professora doutora Gisele Alborghetti Nai. O trabalho também conta com a colaboração da professora doutora Camila Renata Correia, do Departamento de Patologia e da Unidade de Pesquisa Experimental da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A escolha do fruto está relacionada as propriedades já exploradas pela indústria farmacêutica. A bergamota apresenta compostos associados a efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e redutores de lipídeos. No entanto, os efeitos específicos do extrato sobre os rins ainda precisavam ser investigados de forma mais aprofundada. “Não existiam pesquisas aprofundadas sobre os efeitos do extrato de bergamota nos rins. Por isso, iniciamos uma investigação mais detalhada sobre seus benefícios”, relata a estudante.

Foto: Cedida Premiados: Rafaela Pirolla, da Unoeste, em 1º lugar; Vamilton Santarém (à direita), em 2º; e Davi de Mattos Ribeiro Lima, da Unifesp, em 3º
Premiados: Rafaela Pirolla, da Unoeste, em 1º lugar; Vamilton Santarém (à direita), em 2º; e Davi de Mattos Ribeiro Lima, da Unifesp, em 3º
Durante o experimento, foram avaliados os danos renais funcionais e histológicos provocados pela obesidade, os efeitos do extrato sobre essas alterações e a possibilidade de efeitos prejudiciais em animais não obesos. Os resultados indicaram potencial terapêutico nos animais que já apresentavam comprometimento renal.

Um dos achados chamou a atenção da equipe: os efeitos observados estavam presentes apenas nos animais com danos renais, o que sugere que o extrato pode não apresentar os mesmos benefícios quando utilizado preventivamente. A constatação reforça a importância de compreender em quais condições a substância pode atuar e quais são seus limites.

“Essa pesquisa foi importante para observarmos, na prática, a ação do extrato de bergamota nos rins e constatarmos que ele realmente apresenta potencial para o tratamento de doenças renais causadas pela obesidade, surgindo como uma alternativa para futuros tratamentos”, afirma Rafaela.

Os resultados, entretanto, não permitem concluir que o extrato seja eficaz ou seguro para tratar pessoas. Por se tratar de um estudo experimental com animais, são necessárias novas investigações para aprofundar os mecanismos envolvidos, avaliar outros parâmetros e verificar se os efeitos podem ser reproduzidos em outras etapas de pesquisa.

A equipe pretende dar continuidade à investigação. “O estudo também nos mostrou a importância de realizar mais pesquisas que investiguem outros parâmetros. Por isso, pretendemos continuar investigando esses efeitos”, acrescenta.

Pesquisa sobre saúde indígena fica em segundo lugar

Já em relação ao segundo lugar que ficou para o professor doutor Vamilton Alvares Santarém, o trabalho aborda a soroprevalência de Toxocara spp. em uma comunidade indígena localizada na região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, sob a perspectiva de Saúde Única.

O conceito integra a saúde humana, animal e ambiental para compreender problemas sanitários que ultrapassam as fronteiras entre essas áreas. Nesse contexto, a investigação sobre a presença de anticorpos contra parasitas do gênero Toxocara contribui para ampliar o conhecimento sobre questões epidemiológicas e de saúde em populações específicas.

O terceiro lugar foi conquistado por Davi de Mattos Ribeiro Lima, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Escola Paulista de Medicina. O trabalho investiga a determinação de uma assinatura molecular renal de regeneração após terapêutica com células estromais mesenquimais multipotentes, tema relacionado à compreensão dos mecanismos de recuperação dos tecidos renais.

Prêmio incentiva pesquisa científica desde 1994

Criado pelo Laboratório de Análises Clínicas Marlene Spir, em 1994, o prêmio tem como objetivo incentivar a produção científica de qualidade na área da Saúde humana. A iniciativa conta com a parceria da APM – Regional Presidente Prudente, da MedRad e do Instituto de Radiologia de Presidente Prudente.

Conforme explica Rafaela, os trabalhos são encaminhados à regional da APM e, posteriormente, enviados à associação estadual, onde passam pela avaliação de docentes vinculados a instituições como Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A premiação também contempla valores em dinheiro: R$ 10 mil para o primeiro lugar, R$ 7 mil para o segundo e R$ 5 mil para o terceiro. Durante a cerimônia deste ano, houve ainda uma homenagem a Marlene Spir, em reconhecimento à sua trajetória e contribuição à Ciência e à Saúde.

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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