Pesquisadora conquista prêmio global por saúde inclusiva
Entrega do iADH Fellowship ocorre na Irlanda e confere o mérito de trajetória profissional com contribuições em diferentes domínios
Entre os muitos candidatos das Américas, apenas cinco receberam este ano o prêmio iADH Fellowship, sigla da International Association for Disability and Oral Health, autora do reconhecimento. A entrega ocorreu no sábado (22) em Dublin, capital da Irlanda. Considerando todos continentes, foram cerca de 20 selecionados por critérios rigorosos.
O prêmio reconhece a trajetória de profissionais que atuam na saúde bucal de pessoas com deficiência; o que exige um olhar para além do diagnóstico. A única mulher brasileira premiada é egressa e professora no curso de Odontologia da Unoeste, em Presidente Prudente: Dra. Cristhiane Olivia Ferreira do Amaral.
O iADH Fellowship decorre do mérito profissional, tem o significado de título, com oferta de diploma. A entrega aconteceu no auditório Dargan, da Trinity Business School, uma das 24 escolas acadêmicas do Trinity College Dublin; universidade irlandesa com mais de 400 anos de história.
O Congresso Internacional da iADH, com ampla programação, ocorreu de 19 a 22 de agosto. Teve como tema "Saúde Inclusiva: Priorizando a Diversidade, a Equidade e a Saúde Oral"; voltada à inclusão de pessoas que vivenciam múltiplos fatores de risco sobrepostos para problemas de saúde, incluindo pobreza, violência e traumas complexos.
O reconhecimento com o prêmioiADH Fellowship 2026 resulta de rigoroso processo internacional de seleção promovido pela iADH, a principal entidade mundial dedicada à promoção da saúde bucal das pessoas com deficiência e ao desenvolvimento da Special Care in Dentistry (Cuidados Especiais em Odontologia).
Trajetória construída na Unoeste
A trajetória apresentada por Cristhiane foi construída ao longo de décadas e conta que está profundamente ligada à Unoeste. “Instituição onde me formei em odontologia e onde há 30 anos desenvolvo minha atuação na docência, pesquisa, extensão e assistência”, pontua.
“Diferentemente das premiações acadêmicas voltadas a trabalhos ou apresentações específicas, o iADH Fellowship reconhece a carreira e a trajetória do profissional de forma abrangente e profunda, avaliando suas contribuições em diferentes domínios ao longo de toda a sua vida profissional”, explica.
Os critérios para o prêmio passaram por avaliações dos seguintes domínios: participação e atuação na própria iADH, educação e docência, pesquisa e produção científica, experiência clínica e profissional, contribuição social, defesa de direitos e inclusão, além de apresentações científicas, palestras e outras ações relevantes para a área.
“Foi uma submissão extensa e exaustiva, com necessidade de comprovação de uma atuação consistente em todas essas frentes”, comenta a Dra. Cristhiane e conta que profissionais de diferentes países e continentes participaram do processo, mas poucos foram selecionados.
“Ter uma vida profissional inteira analisada em tantas dimensões e reconhecida internacionalmente tornou essa conquista ainda mais especial”, comemora sobre uma das mais importantes distinções concedidas pela iADH, associação que reúne profissionais e pesquisadores comprometidos com a saúde bucal de pessoas com deficiências.
Nome da odontologia brasileira
“Receber essa distinção diante de profissionais de diferentes partes do mundo, levando comigo o nome da odontologia brasileira e da Unoeste, foi um momento de enorme emoção e orgulho”, comenta e conta que nesta edição foram premiados dois brasileiros, incluindo um professor de Brasília.
“Profissionalmente, o iADH Fellowship representa o reconhecimento internacional de uma área à qual dediquei a minha vida principalmente. Foram anos de estudo, docência, pesquisa e assistência, mas, acima de tudo, anos cuidando de pessoas que muitas vezes precisam que a odontologia aprenda a olhar além de um diagnóstico”, diz.
“Pessoalmente, talvez seja impossível separar essa conquista das pessoas que deram sentido à minha trajetória. Por trás de cada pesquisa, publicação ou aula, existem pacientes e suas famílias que confiaram em mim, alunos que passaram pela minha vida, professores e colegas que caminharam comigo”, pontua.
“Receber esse reconhecimento foi como olhar para toda essa história e perceber que cada esforço teve um propósito. Mais do que reconhecer aquilo que já fiz, o iADH Fellowship aumenta minha responsabilidade com aquilo que ainda posso fazer”, garante.
“Quero continuar contribuindo para uma odontologia que tenha excelência científica, mas que nunca perca a capacidade de acolher, respeitar as diferenças e enxergar, antes da deficiência, da síndrome, da doença rara ou de qualquer diagnóstico, a pessoa que está diante de nós”, comenta.
Dimensão mais especial
Questionada sobre a relevância para o curso de Odontologia e para a Unoeste, assegura que o prêmio talvez seja a dimensão mais especial dessa conquista do ponto de vista pessoal, “porque minha história profissional se confunde com a própria história que construí dentro da Unoeste”, onde se formou e onde atua há 30 anos.
Classifica como privilégio ensinar, pesquisar, atender e aprender. “Por isso, sinceramente, não considero esse reconhecimento somente meu. Ele também pertence à universidade que me formou, acreditou no meu trabalho e me deu espaço para construir a profissional que sou”.
Há 23 anos, por meio da disciplina dedicada ao atendimento de pacientes com necessidades especiais, trabalha para que os alunos compreendam que atender às diferenças exige muito mais do que domínio técnico. “Procuramos formar profissionais capazes de acolher o diferente com conhecimento, segurança, respeito e humanidade”, diz.
Conta ser a visão presente nas suas pesquisas, muitas delas voltadas às síndromes, às doenças raras, às deficiências e às necessidades específicas de cada paciente. Um dos legados de que mais se orgulha dentro da Faculdade de Odontologia da Unoeste é o de contribuir para formar cirurgiões-dentistas que saibam tratar uma condição clínica sem deixar de enxergar o ser humano que existe por inteiro diante deles.
“Por isso, levar o nome da Unoeste a um reconhecimento internacional dessa dimensão teve um significado enorme para mim. Tenho orgulho e uma gratidão muito profunda por esta Universidade. A Unoeste não está apenas no meu currículo; ela está na minha formação, na minha história e em muito daquilo em que acredito como professora e como cirurgiã-dentista. Poder representá-la internacionalmente foi uma das maiores honras dessa conquista”, afirma.
Universidade de Edimburgo
Após os compromissos científicos em Dublin, a Dra. Cristhiane Amaral está nesta semana na University of Edinburgh, na Escócia, com a oportunidade de conhecer de perto a estrutura da universidade, seus espaços, sua organização e, principalmente, vivenciar o ambiente acadêmico de uma instituição de referência internacional.
“Esse período também coincide com uma fase muito importante da minha atuação internacional, em que participo, junto a pesquisadores da iADH de diferentes países, de trabalhos científicos em processo de submissão e do projeto de tradução e adaptação para o português do iADH Case Mix Tool.
O instrumento internacional que está sendo adaptado é utilizado para avaliar a complexidade do atendimento odontológico de pessoas com necessidades especiais e o nível de adaptação necessário para que cada paciente receba um cuidado adequado e equitativo.
“Estar inserida no ambiente de uma universidade como Edimburgo amplia essa experiência, aproxima diferentes realidades acadêmicas e traz novas referências para a pesquisa, para a docência e para os projetos que desenvolvo no Brasil”, conta a pesquisadora reconhecida internacionalmente com o iADH Fellowship 2026.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste