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Redes sociais na Medicina exigem responsabilidade ética

Especialistas discutiram regras para a divulgação profissional, a exposição de pacientes e os limites éticos e legais da comunicação médica no ambiente digital


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Foto: Alexsandra Izar Da esquerda para direita: Arnaldo T. Haddad, Denys Baltaduonis e Arnaldo T. Haddad Filho, debateram ética médica na Unoeste
Da esquerda para direita: Arnaldo T. Haddad, Denys Baltaduonis e Arnaldo T. Haddad Filho, debateram ética médica

O uso das redes sociais na Medicina exige atenção aos limites éticos e legais da divulgação profissional. Esse foi o tema da mesa-redonda “Aspectos éticos e legais do uso das redes sociais nas práticas médicas”, realizada em 21 de outubro, no Auditório Ana Cardoso da Unoeste Guarujá, como parte da programação do Enepe 2026. A discussão abordou temas pertinentes à ética médica como publicidade, exposição de pacientes e atuação de médicos como influenciadores digitais.

A conversa foi aberta e mediada por Paula Carpes Victorio, professora do curso de Medicina e advogada. A mesa reuniu os profissionais Arnaldo Tebecherane Haddad, médico e advogado; Arnaldo Tebecherane Haddad Filho, advogado com atuação em Direito Médico e na defesa de médicos em processos disciplinares; e Denys Chippnik Baltaduonis, especialista em Direito Médico, da Saúde e Suplementar e assessor jurídico da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP).

Publicidade médica tem regras específicas

Durante a mesa-redonda, Arnaldo Tebecherane Haddad Filho explicou aspectos da Resolução CFM nº 2.336/2023, que regulamenta a publicidade e a propaganda médicas. Entre os pontos abordados estão as restrições à autopromoção, ao sensacionalismo, à concorrência desleal e à divulgação de informações que não correspondam às práticas reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina.

Ao chamar a atenção dos estudantes para a necessidade de conhecer as normas, o advogado observou que seguir o comportamento de outros profissionais não garante que uma publicação esteja adequada às regras.

“O médico normalmente, quando faz uma publicidade, ele não observa o que a norma fala, ele faz o que o colega faz”, afirmou.

O palestrante também destacou a importância de identificar corretamente o profissional e sua qualificação, além de observar as exigências aplicáveis à divulgação de serviços médicos. O descumprimento das regras pode resultar em apuração ética nos conselhos profissionais.

Exposição de pacientes exige cuidados

A divulgação de imagens de antes e depois de procedimentos médicos foi outro ponto discutido por Haddad Filho.

“O conteúdo tem que ter o objetivo educativo e apresentar as limitações e riscos. Você tem que mostrar que pode ter resultados insatisfatórios e complicações”, explicou.

O advogado também chamou a atenção para a necessidade de preservar a privacidade dos pacientes. A publicação de imagens e informações deve respeitar as normas aplicáveis, incluindo as exigências relativas à identificação e à autorização para uso da imagem. A divulgação de conteúdo médico nas redes sociais também pode envolver questões de proteção de dados e responsabilidade civil.

Proteção do paciente orienta as regras

Ao complementar a abordagem técnica, Denys Chippnik Baltaduonis explicou que as regras para a publicidade médica têm como finalidade contribuir para que a escolha de um profissional seja baseada em critérios confiáveis, e não apenas na popularidade nas redes sociais.

“Tudo isso existe por uma única razão: quem está sendo protegido aqui é o paciente”, afirmou.

O especialista destacou que a relação entre médico e paciente envolve confiança e que a divulgação profissional precisa respeitar essa característica. Para os futuros médicos, a presença nas redes sociais pode ser uma ferramenta de comunicação, mas exige atenção às normas e à responsabilidade sobre o conteúdo publicado.

Experiência médica reforça a importância da humildade

A contribuição de Arnaldo Tebecherane Haddad, médico e cirurgião, trouxe a perspectiva de quem acumulou experiência na profissão. Ao recordar o início de sua formação em Medicina, ele compartilhou com os estudantes uma mensagem sobre propósito profissional, humildade e cuidado com o paciente.

“Antes da vaidade, antes do poder, o médico tem poder com a vida na mão dele. Esse paciente é mais importante que você. Porque esse cara, como vocês, tem mãe, tem filho, ou sofre com quem está doente”, aconselhou.

A fala reforçou a dimensão humana da profissão e a importância de colocar o bem-estar do paciente acima do reconhecimento pessoal. Para o médico, a formação e a atuação profissional devem ser acompanhadas da consciência sobre a responsabilidade envolvida no cuidado com a vida.

Premiação reconhece médicos que inspiram estudantes

Ao final da mesa-redonda, os estudantes também participaram de uma homenagem em alusão ao Dia do Médico, intitulada “Celebrando Quem Inspira, Cuida e Ensina – Dia do Médico 2026”. A iniciativa reconheceu profissionais em três categorias, com escolhas feitas pelos próprios alunos.

O Prêmio Referência Médica, voltado a profissionais que servem de exemplo pela competência, ética e postura, foi concedido a Ana Keila Piva Mantovani Silva. Ela também recebeu o Prêmio Mestre que Marca, destinado a médicos que contribuem para a formação acadêmica e profissional dos estudantes. Já o Prêmio Cuidado que Faz a Diferença, que valoriza a empatia e a atenção aos pacientes, foi entregue a Giuliana Forte.

Outros docentes também foram reconhecidos durante a premiação, entre eles Diego Ferreira de Andrade Garcia, Guilherme de Calasans Marques e José Luiz Amuratti Gonçalves.

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Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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