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Trajetória de tecnólogo a doutorando inclui estudo na Itália

Egresso de duas graduações e de mestrado na Unoeste está fazendo parte de sua pesquisa na Universidade de Bolonha


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Foto: Cedida Trajetória de tecnólogo a doutorando inclui estudo na Itália
Erick Malheiro Rampazo, Dra. Paola Mattarelli, Dr. Lorenzo Barbanti e a pesquisadora Elena Fuerler

Com expectativa de expressiva contribuição na melhoria da produção de cana-de-açúcar, pesquisa que utiliza sensoriamento remoto para identificação de nematoides (parasitas de raízes) tem parte do estudo sendo feita na Itália.

Além da internacionalização, o estudo que busca contribuir com a solução para um problema do setor sucroalcooleiro contempla o caráter interinstitucional envolvendo duas universidades brasileiras e uma italiana.

O autor da pesquisa, o tecnólogo em produção sucroalcooleira e engenheiro agrônomo Erick Malheiros Rampazo faz doutorado em Agronomia na Unoeste e a parte de tecnologia da pesquisa tem parceria com o campus da Unesp em Presidente Prudente.

Com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), pelo Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior (PSDE), outra parte da pesquisa, no exterior, é feita na histórica Universidade de Bolonha (Unibo), que tem 938 anos.

A riqueza alcançada pelo estudo, do ponto de vista acadêmico e científico, inclui outra agência de fomento em concessão de bolsas e recursos que é a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no projeto junto à Unesp.

Critérios da Capes

Todas estas condições estão inseridas em critérios de avaliação da Capes, enquanto fundação vinculada ao Ministério da Educação (MEC) que avalia, acompanha, fomenta e apoia cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Erick é orientado pelo Dr. Fábio Fernando de Araújo que explica a parceria com a Unesp, que em Prudente mantém a Faculdade de Ciências e Tecnologia: “Pelo projeto temático Fapesp, a gente entra com a parte agronômica”, pontua.

Nessa parte são feitas análises de solo, nematoide e planta. “Eles [Unesp] fazem avaliação em sensoriamento remoto", explica e conta que na Itália estão sendo feitas algumas análises de solo, microbiologia e de nematoides.

“Mas, a parte de plantas e sensoriamento está sendo feita no Brasil, com experimento instalado na Usina Atena, aqui na região”, diz o orientador. É uma usina que fica no município de Martinópolis, a 27 km de Prudente.

Sobre a relevância de fazer parte da pesquisa no exterior, de janeiro a maio deste ano, Erick afirma que representa um marco acadêmico e pessoal; com explicações em relação aos pontos de vista técnico e da experiência internacional.

Tecnologias avançadas

“Do ponto de vista técnico, possibilita o domínio de novas técnicas em microbiologia agrícola e o acesso a tecnologias avançadas, como RMN [Ressonância Magnética Nucleart] e PCR [Reação em Cadeia da Polimerase] quantitativo”, conta.

“Essa experiência internacional complementa perfeitamente o enfoque computacional da minha pesquisa no Brasil, permitindo uma formação profissional mais global e especializada”, comenta em relação à pesquisa de doutorado. 

A parte da pesquisa na Itália tem o seguinte título: “Análise Espectral e Inteligência Artificial para Avaliação da Atividade Microbiana do Solo Associada a Bacillus Subtilis e à Ocorrência de Fitonematoides em Cana-de-Açúcar”.

A rotina de Erick na Universidade de Bolonha, uma das mais antigas do mundo e que faz parte da elite mundial de instituições de ensino superior, foi estruturada para integrar a prática laboratorial de alta tecnologia à análise avançada de dados. 

O início da semana é focado na execução de metodologias como PCR quantitativo e RMN, enquanto e o encerramento é dedicado ao processamento estatístico e à produção intelectual. 

História na Unoeste

“Essa organização garante que a revisão bibliográfica e a redação do artigo científico avancem em paralelo com os resultados experimentais obtidos no intercâmbio na Itália e no Brasil”, explica.

A bela história de Erick funde a sua vida com a da Unoeste, onde trabalhou por 14 anos como funcionário e professor; e estudou bom bolsas concedidas pelos fundadores Professor Agripino Lima (1931-2028) e Professora Dona Ana (1930-2022).

Natural de Presidente Prudente e residente em Alfredo Marcondes, filho de Pedro Costa Rampazo e Iraide Malheiros Rampazo, Erick concluiu o ensino médio na Escola Estadual Filomena Scatena Christófano, em Marcondes. 

Com admiração e eterna gratidão aos fundadores da Unoeste, sua primeira formação foi no curso de Tecnologia em Produção Sucroalcooleira, onde adquiriu base sólida em manejo de cana-de-açúcar, processos industriais e controle de qualidade.

“Nessa etapa, desenvolvi o trabalho final ´Produtividade de sete cultivares de cana-de-açúcar influenciado pelo florescimento´, que consolidou meu interesse pelo estudo dos fatores agronômicos e fisiológicos que interferem no desempenho das variedades de cana-de-açúcar”, diz.

Foto: Cedida Erick Malheiro Rampazo fez estágio supervisionado na Itália, onde hoje faz parte do estudo de doutorado
Erick Malheiro Rampazo fez estágio supervisionado na Itália, onde hoje faz parte do estudo de doutorado

Prática agrícola e ensino

O trabalho de conclusão de curso também despertou o gosto pela pesquisa científica aplicada ao campo. A segunda formação foi a complementação da licenciatura em química, pela Unimes; conquistando habilitação para exercer o magistério.

A formação pedagógica permitiu que unisse a prática agrícola ao ensino de disciplinas como química geral, técnicas analíticas e controle de qualidade, como professor e orientador de trabalhos na Unoeste, Fatec e Colégio Agrícola.

“Essa experiência docente fortaleceu minha capacidade de articular teoria e prática e consolidou o compromisso com a difusão do conhecimento científico”, conta para dizer sobre o ingresso no mestrado na Unoeste, na área de produção vegetal.

Junto ao Programa de Pós-graduação em Agronomia – pelo qual é ofertado mestrado, doutorado e pós-doutorado – desenvolveu o estudo “Atividade de enzimas oxidativas em caldo de cana-de-açúcar em função do sistema de plantio”.

O estudo da influência de diferentes métodos de plantio sobre o metabolismo da cana-de-açúcar, com foco na atividade enzimática e na qualidade tecnológica do caldo. Etapa em que ampliou seu domínio sobre análises bioquímicas e fisiológicas.

Engenheiro agrônomo 

Erik entende que esse período de mestrado foi de consolidação da base teórica que sustenta a sua atuação em microbiologia e fisiologia vegetal. Logo após, cursou Agronomia e formou-se engenheiro agrônomo pela Unoeste.

Conta que os estudos em engenharia agronômica foi uma oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre fertilidade do solo, manejo de culturas e relações planta-solo. Durante o curso, realizou o estágio supervisionado na Itália, em 2016.

“Experiência que marcou minha formação internacional e me permitiu vivenciar práticas agrícolas sustentáveis e sistemas de manejo de precisão utilizados na agricultura europeia”, lembra.

“Essa vivência ampliou minha visão científica e reforçou o desejo de consolidar colaborações acadêmicas entre Brasil e Itália. Nessa etapa, elaborei o trabalho Posição de polímero no solo (profundidade) versus biometria na fase inicial da cana-de-açúcar”, conta.

No estudo desenvolvido no doutorado o título é “Análise espectral e inteligência artificial na detecção de atividade microbiana no solo e ocorrência de fitonematoides em cana-de-açúcar”.

Agricultura digital

“Essa pesquisa busca correlacionar dados espectrais obtidos por sensoriamento remoto com indicadores biológicos do solo, avaliando a presença de fitonematoides e o efeito da microbiota na fisiologia das plantas”, explica. 

“O estudo combina imagens multiespectrais, índices de vegetação e aprendizado de máquina para criar modelos preditivos de detecção e monitoramento, representando uma abordagem inovadora que une agricultura digital, microbiologia e sustentabilidade”, diz.

Sobre a etapa internacional, comenta que a pesquisa permitirá compreender, por meio de análises genéticas e metabolômicas, como a inoculação de Bacillus subtilis influencia a resposta metabólica e a resistência das plantas em condições de estresse causado por nematoides. 

Erik comenta que a experiência internacional no doutorado-sanduíche reforça sua dedicação à produção de conhecimento aplicado e à internacionalização da pesquisa agrícola brasileira, nas áreas de biotecnologia, sensoriamento remoto e inteligência artificial.

Na Universidade de Bolonha, conta que foi bem recebido pelos supervisores de sua pesquisa, a Dra. Paola Mattarelli e o Dr. Lorenzo Barbanti. Destaca a orientação do Dr. Fábio a o apoio do Dr. Antonio Maria Garcia Tommaselli, da Unesp.

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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