Arquitetura acompanha novas formas de viver e usar espaços
Evento discute a influência do comportamento, do bem-estar e da funcionalidade na arquitetura de casas, empresas e escolas
A casa deixou de ser apenas lugar de descanso. Em muitos casos, tornou-se escritório, sala de aula, espaço de lazer e ambiente de convivência — tudo ao mesmo tempo. Essa mudança na rotina das pessoas também está transformando a maneira de pensar e projetar os ambientes.
É justamente essa relação entre novos hábitos e arquitetura que está no centro da 14ª Jornada Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo da Unoeste. Com o tema “Ambientação e Mobiliário”, o evento discute como os espaços podem responder às necessidades contemporâneas, considerando não apenas estética, mas também conforto, ergonomia, funcionalidade e bem-estar.
A Jornada começou na terça-feira e encerrou nesta sexta-feira, na Torre de Cristal, no campus 2, em Presidente Prudente, com palestras, oficina e mesas-redondas conduzidas por profissionais e especialistas.
Para a coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unoeste, professora doutora Mayara Pissutti Albano, a transformação dos espaços acompanha diretamente as mudanças no comportamento da sociedade. “Hoje, os ambientes precisam responder a diferentes atividades e formas de uso, incorporando questões como flexibilidade, conforto, ergonomia e bem-estar”, explica.
Segundo a professora, o fenômeno pode ser percebido tanto nas residências quanto em espaços corporativos e educacionais, que também vêm sendo adaptados para novas formas de utilização.
Mais do que um ambiente bonito
Se os hábitos mudaram, também mudou a maneira de pensar o projeto. A arquitetura contemporânea passou a considerar cada vez mais a experiência de quem ocupa determinado espaço. Iluminação, cores, materiais, ergonomia, organização e presença da natureza, por exemplo, podem interferir na percepção e na relação das pessoas com o ambiente. “Esses elementos não são apenas escolhas estéticas: eles interferem no conforto, na percepção e no modo como as pessoas se relacionam com os ambientes”, afirma Mayara.
Esse conceito está presente na programação da Jornada, que aborda arquitetura sensorial, biofilia, psicologia ambiental, ergonomia, iluminação e materialidade.
Tendência não substitui funcionalidade
Outro aspecto que ganha importância é a relação entre arquitetura, comportamento do consumidor e tendências de interiores. Para Mayara, o profissional não deve simplesmente reproduzir aquilo que está em alta. Um projeto de qualidade precisa compreender quem utilizará o espaço e quais são suas necessidades.
“Mais do que seguir tendências, um bom projeto de interiores e mobiliário deve responder às necessidades de quem vai utilizar o espaço”, destaca.
Funcionalidade, conforto, ergonomia, durabilidade, qualidade dos materiais e qualidade de vida, segundo ela, devem estar acima da busca por uma estética passageira. “As mudanças nos hábitos e nas formas de morar e trabalhar influenciam os projetos, mas elas devem ser compreendidas de maneira crítica. Em arquitetura, a tendência passa; um projeto bem elaborado permanece”, pontua.
O arquiteto que o mercado procura
As transformações dos ambientes também impõem novos desafios aos profissionais. A tecnologia, as mudanças sociais e as questões ambientais exigem um arquiteto capaz de transitar por diferentes áreas do conhecimento. “O mercado exige um profissional cada vez mais preparado para atuar de forma interdisciplinar e compreender o projeto em toda a sua complexidade”, afirma a coordenadora.
Além do conhecimento técnico, ela considera fundamental que o profissional consiga transformar informações e novas tecnologias em soluções que tenham qualidade, responsabilidade e impacto positivo na vida das pessoas.
É nesse ponto que a aproximação entre universidade e mercado ganha importância. Para Mayara, o contato dos estudantes com profissionais e diferentes realidades da área ajuda a aproximar o conhecimento acadêmico da prática.
Ao mesmo tempo, a universidade oferece espaço para reflexão, experimentação e construção de conhecimento — uma combinação que contribui para formar profissionais tecnicamente preparados e conscientes de seu papel social.
Arquitetura também é responsabilidade
Entre os desafios para a nova geração de arquitetos está justamente o equilíbrio entre inovação e responsabilidade. A coordenadora considera urgente formar profissionais capazes de acompanhar as transformações contemporâneas sem perder de vista os impactos sociais e ambientais de suas decisões. “O arquiteto precisa compreender que suas decisões têm impacto direto na qualidade de vida das pessoas e no ambiente em que vivemos”, ressalta.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste