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IA pode ampliar recursos de aprendizagem na universidade


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Foto: Alexsandra Izar Participante assiste ao workshop sobre IA na educação pelo notebook, durante a programação do 31° Enepe
Participante acompanha on-line o workshop sobre construção de artefatos educacionais com IA

A inteligência artificial (IA) pode ajudar professores e estudantes a criar imagens, jogos, quizzes, simuladores e outros recursos para facilitar o ensino e a aprendizagem. Mas, para que essas ferramentas cumpram sua finalidade educacional, é necessário que estimulem o raciocínio e tenham objetivos pedagógicos claros. 

Essa foi uma das reflexões apresentadas pelo professor José Ermeson Silva Carmo durante o workshop “Construção de Artefatos Educacionais com Inteligência Artificial”, realizado na manhã desta terça-feira (20), na programação do 31º Encontro Nacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (Enepe), promovido pela Unoeste. O palestrante foi recebido pela professora Dra. Luli Hata.

Ao longo da atividade, Carmo apresentou exemplos de aplicações desenvolvidas com auxílio da inteligência artificial e discutiu como professores e estudantes podem utilizar essas tecnologias para construir recursos voltados a necessidades específicas de aprendizagem.

“Uma coisa inegociável é que os artefatos precisam ser desenhados por vocês. Alunos, criem seus artefatos. Identifique a maneira que você gosta de aprender. Mas pense uma coisa antes de criar: ele só funciona, cumpre seu papel quando exige que o estudante pense”, afirmou.

Inteligência artificial como ferramenta de aprendizagem

O professor destacou que a discussão sobre inteligência artificial na educação precisa avançar para além da decisão de permitir ou não seu uso. Para ele, o desafio está em compreender como incorporar essas ferramentas ao processo de ensino e aprendizagem, considerando suas possibilidades e limitações.

“No contexto educacional, a questão não é mais usar ou não. Essa questão já é passado. A questão é como incorporar no processo”, explicou.

A proposta do workshop foi mostrar como transformar uma necessidade educacional em um recurso prático, sem exigir, necessariamente, conhecimentos avançados de programação ou design. Entre os exemplos apresentados estavam jogos de perguntas e respostas, simulados, atividades interativas e aplicativos de apoio à pesquisa científica.

Um dos projetos demonstrados foi um recurso para organizar informações de revisões científicas em um fluxograma. Nesse caso, a inteligência artificial auxilia na elaboração visual do material, enquanto as decisões metodológicas, como a escolha das bases de dados e dos critérios de inclusão e exclusão, permanecem sob responsabilidade dos pesquisadores.

O palestrante também apresentou uma atividade de anatomia em que estudantes produzem desenhos de estruturas do corpo humano e utilizam a inteligência artificial como apoio para identificar aspectos que precisam ser revistos. A proposta exemplifica como a tecnologia pode contribuir para o processo de aprendizagem, desde que o estudante participe ativamente da atividade.

Uso responsável exige avaliação e critérios

Outro ponto abordado foi a necessidade de verificar as informações produzidas pelas ferramentas de inteligência artificial. Segundo Carmo, embora esses sistemas possam gerar conteúdos com rapidez, a seleção e a validação das informações exigem atenção, especialmente no ambiente acadêmico.

“A IA é muito boa de produzir, mas ela não é muito boa de curar, de selecionar. Nós estamos, por vezes, confiando no material que as IAs estão nos fornecendo, mas não estamos nos perguntando aonde ela está olhando aquilo”, observou.

Nesse contexto, o professor ressaltou a importância de estabelecer mecanismos de salvaguarda para orientar o uso das ferramentas. Entre os aspectos destacados estão a aprendizagem ativa, a curadoria dos conteúdos, a adaptação dos recursos aos objetivos educacionais e o controle dos resultados gerados.

Para construir um artefato educacional, a orientação apresentada foi começar pela identificação de uma dificuldade concreta de aprendizagem. A partir dela, é possível definir o objetivo do recurso, explorar soluções com auxílio da inteligência artificial, desenvolver uma proposta e testar seu funcionamento.

A ideia é evitar a criação de aplicações apenas pela novidade tecnológica. O recurso precisa ter relevância pedagógica e contribuir para que o estudante compreenda melhor determinado conteúdo.

31º Enepe debate a formação universitária

O workshop integra a programação do 31º Enepe, realizado pela Unoeste de 19 a 22 de outubro, com o tema “Formação universitária para um mundo em transformação”. O encontro reúne estudantes, professores, profissionais e interessados em geral para compartilhar trabalhos, discutir ideias e conhecer diferentes perspectivas científicas e profissionais.

A programação contempla conferências, palestras, mesas-redondas, fóruns e apresentações de trabalhos científicos, com atividades presenciais e on-line.

Guarujá recebe palestra sobre tecnologia e formação universitária

A programação do Enepe continua nesta terça-feira (20), à noite, no campus da Unoeste em Guarujá. Das 19h30 às 21h30, o Prof. Dr. Mohamad Ali Abdul Rahim, da Universidade de São Paulo (USP), ministra a palestra “Entre algoritmos e afetos: o desafio da formação universitária contemporânea”.

A atividade será realizada no Auditório Ana Cardoso e integra a programação do encontro, que propõe reflexões sobre os desafios da formação universitária em um mundo em transformação.

Serviço

Palestra: Entre algoritmos e afetos: o desafio da formação universitária contemporânea

Palestrante: Prof. Dr. Mohamad Ali Abdul Rahim (USP)

Data: 20 de outubro de 2026

Horário: 19h30 às 21h30

Local: Auditório Ana Cardoso — campus da Unoeste em Guarujá

Confira a programação completa do XXXI ENEPE

Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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