Infoeste aproxima alunos do mercado de tecnologia
CEO do iFood defende aprendizado contínuo e capacidade de adaptação; evento reuniu cerca de mil pessoas na abertura da programação
A velocidade das transformações tecnológicas exige profissionais capazes de aprender continuamente, questionar práticas consolidadas e experimentar novas soluções. Esse foi um dos pontos centrais da abertura da Infoeste 2026, realizada na segunda-feira (26), no Salão do Limoeiro, no campus 2 da Unoeste, em Presidente Prudente, com a palestra “O jeito iFood”, ministrada pelo CEO da empresa, Diego Barreto.
A palestra contagiou o público, e cerca de mil pessoas compareceram ao evento. A abertura contou com a presença do pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da Unoeste, Adilson Eduardo Guelfi. Após a apresentação, o público acompanhou uma performance do grupo de taiko Dantai Fênix, de Presidente Prudente.
Com 1.070 inscritos, a 38ª Semana de Computação e Informática da Faculdade de Informática de Presidente Prudente (Fipp) reúne sete eventos integrados entre os dias 26 e 30 de outubro. A programação aproxima estudantes de profissionais atuantes no mercado e apresenta experiências que ajudam a compreender como a tecnologia é aplicada no cotidiano das organizações.
À frente do iFood e também Head Latam do ecossistema Prosus, Barreto compartilhou aprendizados sobre cultura organizacional, inovação e gestão de equipes. Há dez anos no grupo, a maior parte desse período no iFood, ele defende que as empresas precisam conciliar resultados imediatos com a construção do futuro.
“Essas coisas tendem a ser vistas como excludentes, quando, na verdade, não são”, afirma. Para o executivo, uma organização precisa executar bem suas atividades atuais sem deixar de desenvolver novas possibilidades de negócio.
Inovar sem abandonar a operação
Barreto associa esse equilíbrio ao conceito de ambidestria corporativa, que envolve a capacidade de manter a eficiência operacional enquanto se investe em inovação. Segundo ele, um dos erros das empresas é separar essas funções em áreas distintas, como se apenas determinados profissionais fossem responsáveis por inovar. “Se você tem uma cultura de inovação, todas as pessoas da sua organização deveriam ter essa capacidade”, afirma.
Na avaliação de Barreto, o comportamento diante das mudanças será determinante para a trajetória profissional. A transformação tecnológica exige disposição para rever conhecimentos e abandonar métodos que já não respondem às necessidades atuais.
“O que vai ser indispensável, sem sombra de dúvidas, é a sua capacidade de ter um aprendizado constante, desconstruindo e modificando completamente o que você aprendeu antes e a forma como você executava as coisas”, afirma.
Alunos veem oportunidade de conhecer novas áreas
Para os estudantes, a Infoeste é uma oportunidade de explorar diferentes caminhos profissionais, ampliar a rede de contatos e descobrir áreas de interesse antes de escolher uma especialização.
Raul Garcia Maldonado, do 4º termo de Ciência da Computação, participa da programação para aprofundar conhecimentos e conhecer possibilidades de atuação. Ele também vê a semana como uma oportunidade de trocar experiências com estudantes de outros cursos e encontrar referências para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
A presença do CEO do iFood tornou a experiência ainda mais significativa para o estudante. Por se tratar de uma plataforma que faz parte do cotidiano de milhões de pessoas, ouvir diretamente um dos responsáveis pela empresa é uma oportunidade de compreender como uma grande organização funciona. “O cara é CEO de algo que está no meu celular desde antes de 2018, praticamente, e está aqui fazendo palestra para a gente no interior de São Paulo. Acaba sendo uma referência e inspiração”, afirma Raul.
O estudante destaca ainda a importância de ter contato presencial com o executivo. Para ele, a palestra permite aproveitar conhecimentos que podem contribuir para a formação e até abrir possibilidades profissionais no futuro. “É uma oportunidade gigantesca para pegar esse conhecimento e melhorar nossas ideias futuras. Quem sabe a gente não trabalhe para ele um dia?”, comenta.
Maria Fernanda Nogueira, do 3º termo de Sistemas de Informação, também considera importante conhecer diferentes áreas antes de definir uma especialização. Segundo ela, a cada edição da Infoeste surgem novos interesses e possibilidades de atuação. “Eu entrei na faculdade querendo uma área específica e, a cada Infoeste que faço, mudo e quero conhecer coisas novas. É muito bom conhecer a área antes de se especializar, para não perder tempo com algo de que você não vai gostar e descobrir outras possibilidades para o futuro”, diz.
Para Maria Fernanda, acompanhar a palestra de Barreto é uma experiência diferenciada. “É uma plataforma que explodiu e tem muito a ensinar, principalmente com ele. É uma referência de aplicativo, uma referência de empreendedor. É uma experiência única”, afirma.
Tecnologia aproxima universidade e poder público
A contribuição da Infoeste também ultrapassa os limites da formação acadêmica. Para o secretário municipal de Tecnologia da Informação, Helton Molina Sapia, a presença do público e a tradição da semana evidenciam a relevância da Unoeste para o desenvolvimento tecnológico de Presidente Prudente e região.
“É nítida a importância da Unoeste e da Faculdade de Informática para o setor de computação aqui em Presidente Prudente e região. Esta já é a 38ª edição da Infoeste, que sempre traz profissionais e empresas de fora para apresentar as novidades que estão acontecendo no mundo”, afirma.
Na avaliação do secretário, a formação oferecida pela Fipp contribui para preparar profissionais para um mercado que não se limita às fronteiras regionais. Ele também destaca o potencial de parcerias entre o poder público e a universidade para desenvolver pesquisas e aprimorar serviços.
Sapia explica que a administração municipal utiliza a tecnologia para tornar as atividades mais rápidas, econômicas e eficientes. Nesse cenário, a formação de profissionais qualificados e a colaboração com instituições de ensino são estratégicas. “Cursos como os da Unoeste são muito importantes para o fornecimento de mão-de-obra de qualidade, bem como as parcerias que o poder público estabelece com a faculdade na elaboração de pesquisas para ajudar ainda mais no que fazemos no dia a dia do Executivo”, afirma.
Questionado sobre o papel de Presidente Prudente no setor, o secretário é direto: “Prudente é, sem sombra de dúvidas, um polo de tecnologia”.
Formação conectada aos desafios profissionais
A discussão sobre o mercado de trabalho também está no centro da programação. Para Barreto, as empresas tendem a valorizar profissionais que consigam entregar resultados no presente e, ao mesmo tempo, testar alternativas que contribuam para o futuro. “É menos sobre uma questão técnica e mais sobre uma questão comportamental”, diz o CEO, ao destacar a importância da abertura para mudanças.
A experiência do iFood ajuda a aproximar esse debate da realidade dos estudantes. Para Emerson Silas Dória, coordenador do curso de Ciência da Computação, a presença de um executivo com experiência em uma empresa de grande alcance permite discutir tecnologias a partir de aplicações conhecidas pelo público. “É um momento de reciclagem, de conexão, de parceria”, afirma o professor. Ele destaca que o contato com profissionais do mercado pode despertar nos alunos a necessidade de aprofundar conhecimentos e acompanhar ferramentas utilizadas pelas empresas.
Emerson explica que a Infoeste também favorece o contato com egressos da instituição. Ao retornarem para ministrar cursos e palestras, esses profissionais compartilham experiências sobre suas carreiras, as tecnologias com que trabalham e os desafios encontrados no ambiente profissional.
O coordenador do curso de Sistemas de Informação, Haroldo Cesar Alessi, ressalta que a semana acadêmica complementa os conteúdos trabalhados em sala de aula e amplia o repertório dos estudantes. A troca com profissionais que atuam em grandes centros permite conhecer diferentes realidades de trabalho e identificar caminhos para a carreira.
A programação ainda contempla estudantes de Escolas Técnicas Estaduais (Etecs), que participam de atividades para conhecer os cursos, os laboratórios e a estrutura da faculdade. A proposta é aproximar esses jovens do ambiente universitário e apresentar possibilidades de continuidade dos estudos na área de tecnologia.
Uma semana com sete eventos integrados
A dimensão da Infoeste exige planejamento e articulação entre docentes e coordenações dos cursos presenciais da Fipp. Segundo o diretor da faculdade, Moacir Del Trejo, a organização envolve uma comissão que reúne coordenadores e professores.
A programação, segundo ele, é voltada principalmente aos graduandos, mas também envolve estudantes, docentes, instituições e empresários da região. “A proposta é manter a tradição do evento e promover o intercâmbio de conhecimento entre a comunidade acadêmica e o setor de tecnologia”, pontua.
A programação inclui o 38º Ciclo de Cursos e Palestras, com 31 cursos e oito palestras; a 20ª Festa Linux, com 120 participantes; a 20ª Maratona de Programação, com 25 equipes; e o 16º Festival Cultural, dedicado à arte, à música e à integração.
Também fazem parte da semana o 12º Fippetec, com seis cursos e 220 participantes; o 4º DevFest Presidente Prudente, com quatro cursos e duas palestras; e o 3º WTM Meetup Prudente, com uma palestra.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste