Laboratório Nexus conecta tecnologia e aprendizagem
Estudantes simulam o Congresso Nacional em projeto multidisciplinar e vivenciam desafios de conhecimento, concentração e trabalho em equipe
A aplicação de conhecimentos sob pressão, o trabalho em equipe e a capacidade de tomar decisões em tempo limitado fizeram parte da experiência de estudantes da Multiplus School, de Presidente Prudente, que participaram de um quiz educacional na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), nesta terça-feira (20). A atividade marcou a inauguração do Laboratório Nexus, ambiente tecnológico que amplia as possibilidades de aprendizagem e pode receber iniciativas de instituições parceiras da comunidade.
Alunos dos primeiros anos do ensino médio utilizaram a Arena Lab e a Sala Betha para responder a questões relacionadas a um projeto desenvolvido ao longo do ano letivo sobre a exploração de Terras Raras no Brasil. A proposta é multidisciplinar e envolve a simulação do Congresso Nacional, com turmas organizadas entre Câmara dos Deputados e Senado Federal, além de comissões temáticas que discutem diferentes aspectos do assunto.
A experiência na universidade foi planejada para ir além da verificação de respostas certas ou erradas. O desafio também envolveu administrar o tempo, recuperar informações estudadas, manter a concentração e lidar com a pressão, em dinâmicas individuais e coletivas.
“Não queremos necessariamente avaliar se o aluno errou uma questão ou acertou outra. A ideia é colocar esses estudantes à prova, testar o conhecimento e, ao mesmo tempo, trabalhar a concentração, o planejamento e a capacidade de buscar na memória o que aprenderam”, explica o professor da Multiplus School, Maycon Morano.
Durante a atividade, os alunos receberam a visita do pró-reitor Administrativo da Unoeste, Guilherme de Oliveira Lima Carapeba.
Um projeto que simula o Congresso
Desde o início do ano, os estudantes trabalham com a temática das Terras Raras no itinerário formativo de Linguagens, de maneira integrada às áreas de Ciências da Natureza e Ciências Humanas. O objetivo é construir uma proposta de lei sobre a exploração desses recursos minerais no Brasil, considerando diferentes perspectivas e interesses envolvidos.
Para isso, as turmas foram organizadas como casas legislativas e divididas em Comissões Permanentes. Entre os temas abordados estão Constituição e Justiça, meio ambiente, mudanças climáticas, agronegócio e desenvolvimento econômico. Os estudantes organizam reuniões, convidam especialistas e apresentam discussões acompanhadas pelos colegas.
As atividades também alimentam outras etapas do aprendizado. Os alunos fazem anotações, produzem textos e respondem a questões elaboradas com base em habilidades exigidas em exames como o Enem. “Eles precisam compreender o assunto dentro de cada área, buscar informações, ouvir especialistas e relacionar os conhecimentos. A proposta é que consigam interpretar os diferentes aspectos de um tema e desenvolver a capacidade de argumentação”, afirma Morano.
Emanuelle Bárbara Belizário, estudante do 1º ano do ensino médio e integrante da Comissão dos Direitos Humanos no projeto sobre Terras Raras, conta que ficou surpresa com a estrutura da universidade e destaca a importância do contato com recursos tecnológicos para a formação escolar.
“Eu nunca tinha vindo para cá e não sabia que tinha tanta coisa. Achei muito legal, especialmente toda essa tecnologia. Para o meu desenvolvimento na escola, é muito importante ter acesso a esse tipo de recurso, principalmente porque ele também é utilizado nas aulas da universidade”, relata.
A estudante também utiliza Inteligência Artificial (IA) para estudar e tirar dúvidas cotidianas, mas ressalta a importância de reconhecer os limites dessa ferramenta. “Eu uso principalmente para estudar para as provas, mas também para tirar dúvidas do dia a dia. Tenho preocupação com o uso da inteligência artificial. Por questões psicológicas, por exemplo, não tem como usar a IA como psicólogo”, afirma. Emanuelle diz que pretende cursar Neurociência.
Para Gabriel Bacco da Rocha Cortez, também do 1º ano do ensino médio, o quiz permitiu retomar conhecimentos construídos ao longo do projeto escolar. “No começo, achava que estava sendo muito difícil, mas fui lembrando de alguns momentos das aulas de itinerário e as coisas começaram a fazer sentido”, conta.
O estudante utiliza inteligência artificial principalmente para fazer resumos e conferir respostas de exercícios sem gabarito no livro didático. A visita também proporcionou seu primeiro contato com o campus 1 da Unoeste. “Estou gostando. Não imaginava que as salas fossem desse jeito e fiquei bastante admirado”, diz. Sobre a escolha profissional, Gabriel afirma que ainda não decidiu qual curso pretende fazer.
Nexus: acompanhamento em tempo real
O Laboratório Nexus foi inicialmente concebido para apoiar a preparação de estudantes para avaliações como o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e o Exame de Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Durante o desenvolvimento, porém, o projeto ganhou novos recursos e foi ampliado para atender diferentes áreas do conhecimento.
Segundo Antônio Sérgio Alves de Oliveira, designer instrucional da Unoeste, o diferencial está na conexão entre os equipamentos, o Portal Unoeste Betha e o computador central utilizado pelo professor ou mediador. O sistema permite acompanhar, em tempo real, as ações dos participantes, os resultados das avaliações e as respostas dadas durante as atividades.
“O professor recebe as informações das ações de cada aluno, individualmente, durante a aula. Isso permite acompanhar os resultados, oferecer devolutivas e promover discussões para que os participantes esclareçam dúvidas sobre os conteúdos”, explica Oliveira.
A estrutura conta com 42 totens equipados com tablets de 27 polegadas, 42 poltronas individuais e uma mesa interativa de 50 polegadas, com dois computadores. Há ainda um monitor transparente touchscreen de 43 polegadas, destinado a experiências interativas e à apresentação de devolutivas a distância, além de sistema de som integrado.
Os equipamentos foram desenvolvidos sob especificações definidas para o projeto da universidade e é único em todo o mundo. A proposta é oferecer um ambiente conectado, no qual as atividades possam ser acompanhadas e adaptadas conforme os objetivos pedagógicos.
O Portal Unoeste Betha reúne ferramentas desenvolvidas pelo Departamento de Design Instrucional, incluindo um banco com mais de 20 mil questões, simulados, questionários elaborados por professores, Atlas 3D, imagens DICOM, imagens histológicas e aplicativos web. Esses recursos permitem atividades que vão de jogos de perguntas e respostas a avaliações e estudos com conteúdos visuais e tridimensionais.
“Ele foi projetado para atender todos os cursos da universidade e também o público externo, em eventos realizados com parceiros”, afirma Antônio Sérgio.
Experiências diferentes, objetivos complementares
A utilização conjunta dos ambientes permite explorar formatos distintos de aprendizagem. Na Arena Lab, os estudantes enfrentam uma dinâmica gamificada, com questões e tempo cronometrado, em uma experiência que exige atenção e agilidade nas respostas.
Já a Sala Betha possibilita atividades colaborativas, nas quais os participantes precisam discutir alternativas e chegar a decisões em grupo. A combinação dos espaços permite trabalhar tanto o desempenho individual quanto a construção coletiva do conhecimento.
No Nexus, a tecnologia acrescenta outra possibilidade: o acompanhamento individual das respostas e a devolutiva do professor a partir dos dados produzidos durante a atividade. O conjunto de recursos pode ser utilizado em simulados, avaliações práticas, jogos educacionais e estudos de diferentes áreas.
Para Morano, utilizar essa estrutura contribui para aproximar o conteúdo da escola de situações que exigem autonomia e preparo. “A ideia não é formar o aluno apenas para passar no vestibular ou em um concurso. Queremos desenvolver capacidades que ele leve para a vida, como enfrentar desafios, lidar com a pressão e trabalhar com outras pessoas”, destaca.
A inauguração do Nexus com os estudantes da Multiplus School também exemplifica uma das possibilidades de uso dos ambientes da universidade: receber iniciativas externas e oferecer recursos para experiências educacionais que ultrapassam a rotina tradicional da sala de aula.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste