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Medo de sangue e segurança na prática de Enfermagem

Conhecimento, prática e orientação ajudam estudantes de Enfermagem a desenvolver segurança diante dos procedimentos


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Foto: Alexsandra Izar realiza ausculta cardíaca em manequim durante aula prática
Raquel realiza ausculta cardíaca durante aula prática com manequim de simulação

Para algumas pessoas, o contato com sangue pode provocar desconforto, medo ou até reações físicas. Por isso, quem pensa em cursar a Faculdade de Enfermagem, a possibilidade de lidar com esse tipo de situação pode gerar dúvidas. Mas a formação prepara o estudante de maneira gradual, unindo conhecimento teórico, práticas em laboratório, simulações e experiências que ajudam a construir segurança para os procedimentos.

A estudante Raquel de Assis Sousa, do 3º termo de Enfermagem da Unoeste, está começando a vivenciar práticas mais direcionadas à profissão. Atualmente, as atividades incluem aferição de pressão arterial, ausculta pulmonar, colocação de luva estéril e lavagem das mãos, no entanto suas expectativas andam elevadas para os próximos passos da graduação.

Raquel ainda não teve atividades práticas que envolvessem sangue durante o curso, mas aguarda ansiosamente para aprender procedimentos mais invasivos, como punção, curativos e passagem de sondas.

“Não me sinto preparada 100% tecnicamente, mas com os conhecimentos teóricos básicos já consigo me sentir um pouco mais segura. Hoje eu entendo o quanto foi importante as matérias-base, como Anatomia e Fisiologia, no início da faculdade. Não gostava, mas hoje, vejo que elas acrescentam muito para fazer os procedimentos”, comenta.

Quando a teoria começa a fazer sentido

A percepção mostra como conteúdos inicialmente vistos apenas como parte da base teórica passam a ganhar significado quando o aluno começa a se aproximar da prática profissional.

Para Raquel, esse conhecimento também pode ajudar a mudar a maneira de enxergar uma situação envolvendo sangue. Em vez de se concentrar apenas no aspecto que pode causar desconforto, ela acredita que compreender o que está acontecendo ajuda a direcionar a atenção para o paciente.

“Quando você vê além da parte ‘nojenta’ e enxerga o ‘por que’, é mais fácil de lidar. Você fica curioso para entender como, o porquê da agressão ao ponto do sangramento, e principalmente como ajudar o paciente a amenizar a dor”. 

A jovem afirma ainda que não sente nojo, tontura ou sensação de desmaio diante do sangue. “Minha reação é querer estancar”, explica.

Conhecimento muda a percepção

A relação entre conhecimento e segurança também pode ser compreendida pelo aspecto psicológico. Segundo o professor de Psicologia Ricardo Kutschinsky, quando o estudante entende as disciplinas estudadas e as etapas de um procedimento, o sangue deixa de ser percebido apenas como uma ameaça abstrata e passa a fazer parte de uma situação que ele consegue compreender tecnicamente.

Com o domínio das etapas, a atenção se volta para a execução do procedimento e para o que precisa ser feito em cada momento.

De acordo com Kutschinsky, esse processo pode contribuir para que o estudante consiga regular melhor as próprias emoções à medida que avança na formação.

Preparação acontece de forma gradual

Essa construção de segurança também está relacionada à maneira como o aluno é inserido nas atividades práticas. Antes de chegar aos diferentes cenários de atuação profissional, ele passa por uma preparação que combina teoria, laboratório e simulações.

Segundo a professora Thaisy Correia Guerra Delgado, a rotina do estudante de enfermagem consiste em participar de aulas práticas em laboratórios, simulações realísticas com manequins de alta fidelidade e estágios em diferentes cenários de saúde.

“Nas simulações, os estudantes podem vivenciar situações muito próximas da realidade profissional em um ambiente seguro e controlado, desenvolvendo habilidades técnicas, raciocínio clínico, tomada de decisão e trabalho em equipe”.

Para Kutschinsky, essa exposição progressiva permite que os acadêmicos conheçam as técnicas antes de precisar lidar com elas em situações reais.

O professor explica que sentir algum receio no início não significa necessariamente que o estudante não esteja preparado para a profissão. A experiência faz parte de um processo de adaptação às novas situações.

“Eu estou sentindo medo porque estou fazendo isso agora, no início. É aceitar e acolher esse medo, porque você está iniciando mesmo, mas entender que está em um processo muito estruturado. Gradualmente, está sendo inserido nessas técnicas que já foram ensinadas na teoria”, fala.

Da emoção à segurança

Ao longo da graduação, o estudante não desenvolve apenas habilidades técnicas. A formação também trabalha competências, como pensamento crítico, tomada de decisão, comunicação, liderança, trabalho em equipe, empatia e compromisso ético.

Para o professor, a familiaridade progressiva com os procedimentos ajuda o aluno a mudar a relação com aquilo que inicialmente pode causar impacto.

“Com o tempo, o aluno vai saindo da emoção e entendendo que aquilo é uma técnica. Quando ele sai da emoção, usa o cognitivo e, quando usa o cognitivo, dá espaço para sentir menos emoção”, pontua.

Para quem pensa em cursar Enfermagem e tem medo de sangue, conhecer esse processo também pode ajudar a entender que a formação acontece de maneira progressiva.

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Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste

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