Tese oferta evidências como subsídios para decisões em saúde
Estudo experimental investiga uso de medicamento para TDHA e estudo epidemiológico analisa mortalidade por leishmaniose
Estudos experimental e epidemiológico, realizados para elaboração de tese, oferecem evidências para subsidiar decisões em saúde; favorecendo a segurança farmacológica, a vigilância epidemiológica e o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à prevenção de agravos, organização de sistemas e redução de desigualdades regionais.
Em um dos estudos a investigação científica foi sobre efeitos cardiovasculares de Dimesilato de Lisdexanfetamina (LDX), medicamento estimulante do sistema nervoso central, indicado, principalmente, para tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Em caráter de ensaio pré-clínico, foram utilizados ratos Wistar como modelo animal, devido a proximidade fisiológica e genética com seres humanos. O estudo esteve voltado pra identificar alterações moleculares e estruturais cardíacas, associadas à proteína quinase ativada por mitógenos p 38, conhecida internacionalmente pela sigla MAPK.
Foram utilizados 14 ratos machos (fase juvenil-puberal) com 25 dias de nascimento, contando o início do experimento, divididos em dois grupos: o controle, com solução salina fisiológica; e o LDX com dosagem de 11,3 miligramas por dia, durante 40 dias. As diferentes análises levaram a conclusão sobre risco de problemas cardiovasculares na idade adulta.
O estudo LDX possibilitou ampliar conhecimentos sobre efeitos cardiovasculares durante o desenvolvimento; compreensão dos mecanismos moleculares e celulares; subsídios para futuras pesquisas experimentais e translacionais; e contribuição para uso mais seguro e racional do medicamento.
Prêmio nacional
Trabalho premiado no 45º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), em 2025; apresentado por Alessandra Straioto Salomão, como autora principal e que na elaboração da tese teve a orientação da professora doutora Francis Lopes Pacagnelli; no Programa de Pós-graduação em Ciência Animal, na Unoeste, em Presidente Prudente.
Os demais autores foram Ana Carolina Biscola Catucci, Gisele Correia da Silva, Anna Clara Consorti dos Santos, Camila Fernandes de Oliveira, Giovanna Fachetti Frigoli e João Vinícius Honório da Silva. O estudo envolveu a Dra. Marina Politi Okoshi, do campus da Unesp em Botucatu; e Dra. Glaura Scantamburlo Alves Fernandes, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Na tese, o estudo epidemiológico sobre leishmaniose visceral esteve voltado à análise da dinâmica temporal e espacial da mortalidade no Brasil, nos anos de 2015 a 2024, identificando padrões e áreas prioritárias para ações de vigilância enfrentamento da doença.
Os dados utilizados foram do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus); do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS); e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Dentre outras informações extraídas dos dados, foi constatado que o perfil epidemiológico é de 55,2% masculino e 34,8% feminino; distinção etária de 49% de 20 a 59 anos, 25,7% de 60 anos e mais e 25,2% de 1 a 19 anos. O maior percentual de mortalidade foi registrado no nordeste, com 75% dos casos em todo Brasil.
Em três estados
Nas demais regiões brasileiras, 18,9% no Norte; 3,9% no Sudeste; 1,8% no Centro-oeste; e 1,3% no Sul. Os estados com maiores números de óbitos foram os seguintes: Maranhão com 248 casos, o que representa 30,4%; Piauí com 112 casos, perfazendo 13,7%; e Ceará com 98 casos, equivalente a 12%.
O estudo sobre leishmaniose visceral possibilitou identificar áreas de maior vulnerabilidade e persistência da doença; oferecer subsídios para auxiliar o planejamento de ações de vigilância, prevenção e controle; e apontar direcionamento de políticas públicas e ações educativas, voltadas à redução das desigualdades regionais.
O impacto científico e social da tese, com os seus dois estudos, centrados na produção de conhecimento e ofertas de subsídios para promoção da saúde, apoio na tomada de decisões e melhora na qualidade de vida. A tese foi amplamente elogiada pelos avaliadores na banca de defesa pública realizada durante a tarde de quinta-feira (24).
Os avaliadores internos participaram da banca presencialmente, os professores doutores Rogério Giuffrida e Ana Paula Alves Favaretto. Os avaliadores externos, com participação on-line, foram os professores doutores Elivelton da Silva Fonseca, da Universidade Federal do Sul e do Sudeste do Pará (Unifesspa), e Graziela Scaliante Ceravolo, da UEL.
A fisioterapeuta Alessandra, orientada pela Dra. Francis, fez o doutorado com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a produção da tese, em caráter interinstitucional, envolveu em parcerias a Unoeste, UEL e o campus da Unesp em Botucatu. Com destaque à qualidade das pesquisas, Alessandra foi aprovada para receber o título de Doutora em Fisiopatologia e Ciência Animal.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste