Muito além do exemplo: presença do pai fortalece formação
Especialista da Unoeste explica como a participação do pai contribui para a formação ética, emocional e acadêmica dos filhos
O papel do pai na formação dos filhos vai muito além do sustento financeiro ou da autoridade dentro de casa. Quando participa da rotina, acompanha os estudos, conversa, brinca, estabelece limites e demonstra interesse pela vida escolar, ele contribui diretamente para o desenvolvimento emocional, social e educacional das crianças. Diversos estudos científicos apontam que essa presença está associada a melhores resultados acadêmicos, maior autoestima e relações familiares mais saudáveis.
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que milhões de crianças brasileiras vivem sem o nome do pai no registro civil. Mesmo entre aquelas que possuem esse vínculo formal, especialistas alertam que a presença afetiva é o fator que realmente faz diferença no desenvolvimento infantil.
Para a professora doutora de Psicologia da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), Jheniffer Prescilla Dias Fuzinelli, a figura paterna exerce um papel fundamental desde os primeiros anos de vida.
"O desenvolvimento infantil é construído a partir das relações significativas que a criança estabelece com seus cuidadores. Quando o pai participa da rotina, da escuta, das brincadeiras, da imposição de limites e da vida escolar, ele fortalece a segurança emocional, a autoestima, a autonomia e a forma como essa criança aprende a se relacionar com o mundo", explica.
Ela ressalta que a função paterna não se restringe ao pai biológico. "Falamos de uma função de cuidado, proteção e referência afetiva, que também pode ser exercida por avôs, padrastos, tios ou outros responsáveis que ocupam esse lugar na vida da criança", comenta.
Educação começa em casa
Além da formação emocional, o envolvimento do pai influencia diretamente a relação dos filhos com os estudos. Segundo a professora, acompanhar a rotina escolar demonstra que o conhecimento é valorizado pela família.
"Quando o pai pergunta como foi a aula, acompanha uma tarefa, participa das reuniões ou conversa com os professores, transmite à criança que aprender é importante. Esse acompanhamento fortalece o vínculo com a escola e favorece hábitos como organização, responsabilidade, persistência e autonomia", destaca.
Ela esclarece que não é necessário estar presente durante todo o tempo. "Mais importante do que a quantidade de horas é a qualidade da presença. Pequenos gestos cotidianos, como ouvir com atenção, incentivar, elogiar o esforço e demonstrar interesse pela aprendizagem, produzem impactos duradouros na formação dos filhos", pontua.
Lições que atravessam gerações
Na Unoeste, alunos e colaboradores compartilharam os ensinamentos deixados pelos pais e que continuam orientando suas trajetórias pessoais e profissionais.
O vigilante George da Silva Santos afirma que o maior legado recebido do pai Edilson Carlos foi o respeito ao próximo. "Meu pai sempre me ensinou que o respeito e a honestidade valem mais do que qualquer conquista material. Ele dizia que a forma como tratamos as pessoas revela quem realmente somos”.
Para o estudante do 4º termo de Medicina, Matheus Fernandes Silva, a principal herança do pai Jacques foi aprender a não desistir. "Meu pai sempre me ensinou que errar faz parte do caminho e que desistir nunca pode ser uma opção. Quando enfrento uma dificuldade, lembro do exemplo dele e entendo que cada obstáculo é uma oportunidade para aprender e seguir em frente".
O colaborador Gabriel Lopes destaca outro ensinamento do pai Paulo, que considera essencial. "Ele sempre dizia para eu nunca deixar de ser quem sou. Esse conselho me acompanha até hoje, porque me lembra que caráter, autenticidade e respeito valem muito mais do que qualquer aparência ou expectativa criada pelos outros", lembra.
A estudante de Medicina Carolina Chagas Nakata afirma que o respeito às diferenças despertou sua vocação profissional. "Meu pai [Rony] sempre me ensinou a tratar todas as pessoas com respeito, independentemente de qualquer diferença. Cresci vendo esse exemplo dentro de casa e isso influenciou diretamente minha escolha pela Medicina. Quero exercer a profissão olhando cada paciente com humanidade, empatia e acolhimento".
Para a acadêmica Jéssica Lovato, a palavra que resume o pai Rogério é resiliência. "Nos momentos mais difíceis, ele sempre me incentivou a manter a fé, confiar em Deus e continuar caminhando. Esse ensinamento faz toda a diferença na faculdade e também na vida".
Já o estudante Eduardo Lorhan Santos diz que aprendeu observando muito mais do que ouvindo. "Meu pai é o maior exemplo que tenho de amor, responsabilidade e comprometimento. Mais do que pelas palavras, ele ensina pelo exemplo, pela forma como trata as pessoas e dedica sua vida ao cuidado com o próximo. Levo comigo a humildade e a empatia que aprendi observando suas atitudes".
O pai de Eduardo e da acadêmica Maria Eduarda, Cícero Jaime dos Santos, vereador e servidor da área da saúde, conta que acompanha a formação dos filhos com orgulho, mesmo convivendo com a distância.
"Ver meus filhos estudando Medicina enche meu coração de orgulho, mesmo que a saudade seja grande. Sempre procurei ensinar que cuidar das pessoas é uma missão. Hoje acredito que eles poderão transformar muitas vidas com conhecimento, dedicação e humanidade", pontua.
A estudante Larissa Moretti recorda o incentivo recebido quando decidiu sair de casa para realizar o sonho da Medicina. "Meu pai [Luís Antônio] sempre dizia para eu seguir em frente, mesmo com medo, porque eles estariam ao meu lado. Essa segurança me fortalece todos os dias e me lembra por que escolhi essa profissão".
Já a secretária do Internato da Medicina, Rafaela Aparecida da Silva, resume a presença paterna em uma palavra: amor. "Meu pai [Tadeu Pedro] representa cuidado, proteção e fé. Mesmo na rotina corrida, ele nunca deixa de estar presente, comigo e com minha filha. O maior conselho que recebi dele foi nunca perder a fé, e esse ensinamento me acompanha em todos os momentos da minha vida", reforça.
Para a professora Jehniffer, esses relatos mostram que os ensinamentos transmitidos dentro de casa ultrapassam a infância e continuam presentes nas escolhas pessoais, profissionais e acadêmicas dos filhos.
"Os pais educam não apenas pelo que dizem, mas principalmente pelo exemplo que oferecem todos os dias. A criança observa, aprende e leva esses valores para a forma como irá estudar, trabalhar, construir relacionamentos e cuidar das outras pessoas. Educar é um processo cotidiano, construído na presença, no diálogo e no afeto", sinaliza.
Notícia disponibilizada pela Assessoria de Imprensa da Unoeste